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Publicação
Introdução : Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI
(Ipea, 2026-07) Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; André Rego Viana
Apresenta os fundamentos teóricos e analíticos da obra, situando o debate sobre desenvolvimento econômico brasileiro a partir da tradição estruturalista e da problemática do subdesenvolvimento. O texto enfatiza a crescente centralidade do setor de serviços na economia nacional, destacando sua heterogeneidade, a expansão do trabalho autônomo, da terceirização, da pejotização e da plataformização, bem como os efeitos dessas transformações sobre a estrutura de classes, a proteção social e a democracia. Além disso, descreve a organização dos capítulos do livro e sustenta que as mudanças recentes no mercado de trabalho e na dinâmica produtiva brasileira têm aprofundado a precarização laboral, a concentração de renda e os desafios para a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico e à inclusão social.
Publicação
Reflexos da ampliação da participação do setor de serviços na estrutura ocupacional sobre a evolução da estrutura de classes sociais no Brasil e regiões (2012-2023)
(Ipea, 2026-07) Brito, Elohá Cabreira; Viana, André Rego; Araújo, Luiz Rubens de Câmara; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Elohá Cabreira Brito; André Rego Viana; Luiz Rubens de Câmara Araújo
Avalia os reflexos da ampliação da participação do setor de serviços na estrutura ocupacional sobre a evolução da estrutura de classes sociais no Brasil e nas regiões entre 2012 e 2023, com base nos microdados da PNAD Contínua. Os autores examinam as relações entre mudança estrutural, desindustrialização, expansão do setor de serviços, fortalecimento do neoliberalismo, reforma trabalhista de 2017 e difusão das plataformas digitais, destacando seus impactos sobre o mercado de trabalho e a composição das classes sociais. Os resultados indicam crescimento relativo das categorias associadas ao trabalho autônomo, especialmente do autoemprego precário, redução da participação de diversas categorias assalariadas e persistência de desigualdades regionais, evidenciando um processo de precarização do trabalho e os limites da expansão dos serviços, desacompanhada de reindustrialização, para promover mobilidade social e desenvolvimento econômico.
Publicação
Perfil do autoemprego no Brasil : uma análise das condições de habitação, de trabalho e das características pessoais por grupos de renda (2016-2022)
(Ipea, 2026-07) Brito, Elohá Cabreira; Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Elohá Cabreira Brito; André Rego Viana
Examina o perfil do autoemprego no Brasil entre 2016 e 2022, investigando as condições de trabalho, renda, habitação e características sociodemográficas dos chefes de família distribuídos em diferentes categorias de autoemprego e grupos de renda. Os autores demonstram que a expansão do autoemprego ocorreu em um contexto de retração do emprego formal, avanço da economia de plataformas, fortalecimento de vínculos precários e crescimento da informalidade, fenômenos associados às transformações tecnológicas e institucionais recentes. Os resultados evidenciam forte heterogeneidade entre os autoempregados, com profundas desigualdades de renda, escolaridade e bem-estar, além da maior vulnerabilidade de mulheres, negros e trabalhadores de menor renda. Embora tenha havido redução moderada da desigualdade e da pobreza, influenciada por programas de transferência de renda, persistem a precarização laboral, a baixa remuneração e a fragilidade da proteção social. O estudo conclui que o autoemprego, em grande medida, constitui uma alternativa à insuficiência de empregos formais, sendo necessária a implementação de estratégias de desenvolvimento produtivo, fortalecimento dos direitos trabalhistas e ampliação das políticas públicas para geração de trabalho decente e redução das desigualdades sociais.
Publicação
O Trabalhador como átomo do capital na sociedade neoliberal
(Ipea, 2026-07) Bendazzoli, Milena; Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Milena Bendazzoli; André Rego Viana
Estuda as transformações contemporâneas do capitalismo e seus efeitos sobre o trabalho, as classes sociais e a política, tomando como referência central a obra de Francisco de Oliveira. Os autores argumentam que a reestruturação produtiva, a terceirização, a plataformização e a expansão de formas precárias de trabalho provocaram a atomização dos trabalhadores, enfraquecendo os vínculos coletivos que sustentavam a identidade de classe e a ação política organizada. O trabalho assalariado tradicional cede espaço a relações contratuais flexíveis, frequentemente mascaradas sob a figura do empreendedor individual, do trabalhador autônomo ou da pessoa jurídica, ocultando novas formas de exploração e transferência de mais-valia. O texto sustenta que as plataformas digitais representam uma radicalização da lógica das empresas-rede, por meio da qual trabalhadores e pequenos empreendedores tornam-se subordinados ao grande capital sem vínculos empregatícios formais. Essa transformação contribui para a dissolução das formas tradicionais de representação política, produzindo uma situação de “indeterminação”, caracterizada pela dificuldade de reconhecimento coletivo dos interesses de classe. Os autores concluem que a fragmentação da experiência do trabalho reduz a capacidade de ação política dos trabalhadores, favorece a difusão da subjetividade neoliberal e cria condições para o avanço de formas autoritárias e conservadoras de organização social e política.
Publicação
Crise, mudanças estruturais, precariado e classes sociais
(Ipea, 2026-07) Cacciamali, Maria Cristina; Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Maria Cristina Cacciamali; André Rego Viana
Discute a origem, a evolução e as diferentes interpretações teóricas do conceito de precariado, relacionando-o às transformações estruturais do capitalismo ocorridas desde a crise econômica dos anos 1970. Os autores mostram que o enfraquecimento do modelo fordista, a expansão das políticas neoliberais, a globalização, a financeirização da economia e a reestruturação produtiva provocaram mudanças profundas no mercado de trabalho, com aumento da flexibilização, da informalidade, da terceirização e da insegurança ocupacional. O texto analisa as contribuições de autores como Robert Castel, Guy Standing, Ruy Braga e Giovanni Alves, destacando suas convergências e divergências acerca da natureza do precariado. Enquanto Standing o define como uma nova classe social caracterizada pela instabilidade ocupacional, insegurança econômica e perda de direitos, Braga e Alves o interpretam como uma fração ou camada precarizada do proletariado. O capítulo também examina os impactos dessas transformações sobre a estrutura de classes, a cidadania social, a representação política e as condições de vida dos trabalhadores, indicando como os processos de precarização afetam especialmente jovens escolarizados, trabalhadores informais e ocupações flexíveis. Conclui-se que a compreensão do precariado exige considerar as especificidades históricas, institucionais e ocupacionais de cada sociedade, sendo fundamental para o desenvolvimento de pesquisas, políticas públicas e estratégias de proteção social voltadas ao mundo do trabalho contemporâneo

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