(Ipea, 2014) Almeida, Mansueto; Lima-de-Oliveira, Renato; Schneider, Ben Ross; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Mansueto Almeida; Renato Lima-de-Oliveira; Ben Ross Schneider
Analisa como o Estado desenvolvimentista brasileiro do século XXI utiliza empresas estatais – especialmente BNDES e Petrobras – como instrumentos centrais de política industrial em um ambiente institucional mais aberto, complexo e sujeito a múltiplos controles democráticos. Os autores mostram que, embora essas estatais operem em um contexto marcado por maior accountability, transparência e pressão de novos atores (TCU, Controladoria, Ministério Público, ONGs, imprensa), elas mantêm significativo grau de autonomia técnica e poder de orientação estratégica. O BNDES é apresentado como financiador-chave de grandes conglomerados nacionais, reforçando políticas como a consolidação empresarial e a expansão internacional, enquanto a Petrobras é analisada como indutora de desenvolvimento industrial por meio de compras públicas, exigências de conteúdo local e programas como PROMINP e PROMEF. O capítulo evidencia ainda que, apesar de maior participação social na fiscalização, o desenho da política industrial permanece restrito a tecnocratas e elites econômicas, revelando continuidade histórica no papel das estatais, embora com nova camada de controle institucional e disputas políticas que moldam suas ações.
(Ipea, 2005) Junia Cristina Peres Rodrigues da Conceição; Almeida, Mansueto; Júnia Cristina P. R. da Conceição; Mansueto Almeida
Analisa os determinantes da inovação na indústria de alimentos e bebidas no Brasil, em um contexto marcado pela abertura comercial, estabilidade macroeconômica e intensificação da concorrência nos anos 1990. Os autores discutem como fatores microeconômicos das firmas — como tamanho, produtividade, capital controlador, escolaridade dos trabalhadores e esforços em P&D —, combinados ao comportamento do consumidor interno, influenciam a adoção de inovações de produto e processo. A revisão de literatura evidencia que mudanças nos hábitos alimentares, maior exigência por qualidade e segurança, além da ampliação da renda da classe C, impulsionaram práticas inovativas. Utilizando dados da Pintec e modelos econométricos, o estudo demonstra que inovação no setor é predominantemente incremental e centrada em processos, especialmente entre firmas padronizadas ou de menor produtividade, enquanto as empresas que inovam e diferenciam produtos apresentam maior probabilidade de inovar e recorrer a cooperação. O trabalho também revela o papel estratégico da distribuição e da reestruturação do varejo, mostrando que aspectos logísticos e o crescimento do pequeno varejo influenciaram fortemente a competitividade das firmas domésticas frente às multinacionais. O capítulo conclui que o mercado interno exerce papel central para estimular a inovação no setor e que políticas públicas voltadas à renda, qualidade e acesso ao pequeno varejo podem fortalecer o dinamismo inovativo da indústria agroalimentar brasileira.