Analisa a evolução da desigualdade de rendimentos do trabalho no Brasil entre 1995 e 2005, evidenciando que a queda observada nos anos 2000 decorre de mudanças estruturais tanto no mercado de trabalho quanto na composição da força de trabalho. Lauro Ramos mostra que, após um período de aumento da dispersão salarial nos anos 1990, especialmente favorecendo trabalhadores mais escolarizados, o país passou a registrar redução consistente da desigualdade a partir de 2001. Esse movimento está associado à valorização dos rendimentos dos trabalhadores menos qualificados, à expansão educacional das novas gerações e à contração dos diferenciais salariais entre níveis de instrução. O capítulo detalha fontes de dispersão salarial — como escolaridade, experiência, ocupação, setor de atividade e localização — e demonstra que a educação continua sendo o principal fator explicativo da desigualdade, embora sua importância relativa tenha diminuído com o rápido avanço da escolarização média no período. Ao final, Ramos argumenta que o progresso educacional acelerado, aliado a melhorias no mercado de trabalho, foi decisivo para a queda da desigualdade de rendimentos, antecipando transformações que seriam aprofundadas nos anos seguintes.