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Desigualdade e bem‑estar no Brasil na década da estabilidade

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Resumo

Examina como mudanças nos preços relativos afetaram o bem‑estar e a desigualdade no Brasil entre 1995 e 2005, período marcado pela estabilidade monetária inaugurada pelo Plano Real. Os autores mostram que análises tradicionais, que utilizam deflatores únicos para toda a distribuição de renda, podem distorcer conclusões, visto que diferentes grupos consomem cestas de produtos distintas e enfrentam taxas de inflação variadas. Utilizando dados da POF, da Pnad e do IPCA, são construídos índices de preços específicos para cada centésimo de renda, revelando que a inflação acumulada no período foi “pró‑pobre”, atingindo mais intensamente os grupos de maior renda. Essa diferença altera o retrato da evolução do bem‑estar: enquanto a deflação homogênea indica avanço contínuo entre 1995 e 2005, a correção por preços específicos aponta perdas importantes, especialmente para os mais ricos, e mostra que o ganho agregado de bem‑estar é bem mais modesto. O estudo conclui que considerar os preços relativos modifica de forma significativa a interpretação das trajetórias de renda, desigualdade e bem‑estar no Brasil pós‑estabilização.

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SOARES, Sergei Suarez Dillon; OSÓRIO, Rafael Guerreiro. Desigualdade e bem‑estar no Brasil na década da estabilidade. In: BARROS, Ricardo Paes de; FOGUEL, Miguel Nathan; ULYSSEA, Gabriel (org.). Desigualdade de renda no Brasil: uma análise da queda recente. Brasília: Ipea, 2006. v. 1, p. 175‑206. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/20024

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Desigualdade de renda no Brasil : uma análise da queda recente : volume 1
(Ipea, 2006) Barros, Ricardo Paes de ; Foguel, Miguel Nathan ; Ulyssea, Gabriel ; Ricardo Paes de Barros; Miguel Nathan Foguel; Gabriel Ulyssea
Reúne estudos voltados para estimar a magnitude da queda recente na desigualdade e suas consequências sobre as condições de vida da população mais pobre; e aqueles cujo objetivo é identificar os principais fatores determinantes por trás desse movimento. Analisa, em detalhes, as transformações por que passaram os diversos tipos de transferências governamentais, principalmente as pensões e as aposentadorias, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Programa Bolsa Família (PBF). Trata dos fatores responsáveis pelas transformações na distribuição dos rendimentos do trabalho. Avalia o papel da educação e da experiência potencial dos trabalhadores no mercado de trabalho para a redução da desigualdade de renda. Trata do mercado de trabalho como gerador de desigualdade. A análise é centrada nos papéis desempenhados pela discriminação de gênero e de cor, bem como por três tipos de segmentação: setorial, formal-informal e espacial. Aborda os efeitos do salário mínimo sobre a desigualdade de renda por meio das remunerações pagas no mercado de trabalho, assim como das transferências governamentais a ele vinculadas, visando contribuir para o aprimoramento das políticas públicas e, dessa forma, acelerar o processo de redução da extrema desigualdade de renda que ainda prevalece no País.

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