Publicação: A Rais capta adequadamente o trabalho assalariado registrado ? Uma comparação entre a Rais/MTE e a PNAD/IBGE
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Resumo
O capítulo analisa a amplitude e a qualidade da captação de informações sobre o trabalho assalariado registrado no Brasil por meio da Relação Anual de Informações Sociais (Rais/MTE), utilizando como marco de comparação a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE). O estudo abrange o período de 1985 a 2024, padronizando os microdados de ambas as fontes sob critérios temporais, territoriais, etários e ocupacionais específicos. Em termos quantitativos, observa-se que ambas as bases apresentam estoques de trabalhadores semelhantes até 2005, mas divergem a partir de 2015, momento em que a Rais passa a captar um volume significativamente maior de trabalhadores do que a PNAD. O autor atribui essa diferença à expansão do escopo de coleta da Rais, aos aprimoramentos eletrônicos (como a integração ao eSocial) e à precisão de seus informantes institucionais diante de novos contratos gerados pela reforma trabalhista. Em termos qualitativos, os perfis sociodemográficos (sexo, idade, região) e sociolaborais (setor, jornada, tempo de vínculo e ocupações principais) desenhados pelas duas pesquisas demonstram forte similaridade e consistência ao longo das quatro décadas analisadas. A única exceção notável ocorre na variável de remuneração, em que a Rais apresenta valores sistematicamente superiores, padrão explicado pelo fato de a base administrativa captar o rendimento bruto, enquanto as entrevistas domiciliares da PNAD tendem a refletir o rendimento líquido. O capítulo conclui que a Rais/MTE constitui um instrumento estatístico altamente adequado e robusto para retratar o assalariamento formal no país.
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CAMPOS, André Gambier. A Rais capta adequadamente o trabalho assalariado registrado? Uma comparação entre a RAIS/MTE e a PNAD/IBGE. In: CORSEUIL, Carlos Henrique Leite; MATION, Lucas Ferreira; PATEO, Felipe Vella (org.). A trajetória do emprego no Brasil: 50 anos de estatísticas por meio da Rais. Brasília: Ipea: MTE, 2026. p. 115-153. DOI: https://dx.doi.org/10.38116/978-65-5635-097-4/cap4.
