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Para além de exigência burocrática : a Rais como retrato do trabalho e instrumento de política pública

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Abstract

O capítulo analisa a evolução histórica e a consolidação da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) como um dos registros administrativos mais relevantes do mercado de trabalho brasileiro, superando seu caráter puramente burocrático para se firmar como um ativo público indispensável na formulação e avaliação de políticas sociais. O texto resgata os antecedentes da coleta de dados laborais no Brasil desde a década de 1930, com a Lei de Nacionalização do Trabalho (Lei dos Dois Terços) instituída por Getúlio Vargas, passando pela compilação de diretrizes na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943 e pela criação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em 1965. Criada oficialmente pelo Decreto nº 76.900 em dezembro de 1975, a Rais unificou e centralizou as informações de interesse governamental em um único documento, otimizando as obrigações acessórias das empresas. O estudo destaca como os dados agregados da Rais permitiram o desenvolvimento de pesquisas socioeconômicas fundamentais pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e por entidades sindicais, como o Dieese, revelando as dinâmicas de rotatividade trabalhista, a perda do poder aquisitivo e desigualdades persistentes de gênero, escolaridade e região. Com a Constituição Federal de 1988, o escopo do cadastro foi redefinido, tornando-se a base crucial para a identificação de beneficiários do abono salarial e para o financiamento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Por fim, os autores discutem as transições tecnológicas e a governança dos dados, descrevendo os obstáculos operacionais superados na migração dos formulários em papel e disquetes para o preenchimento digital via GDRAIS, culminando na atual integração com a plataforma eSocial. O capítulo aborda também as agendas sociais emergentes integradas recentemente à Rais, tais como o monitoramento da igualdade salarial determinado por lei, a inclusão obrigatória do recorte étnico-racial (sob a perspectiva de aprimorar a acurácia patronal) e a inserção de pessoas trans no mercado formal. Conclui-se que o fortalecimento institucional e a transparência metodológica da Rais, potencializados por programas de difusão como o PDET, são essenciais para salvaguardar esse patrimônio estatístico contra retrocessos e para garantir políticas de emprego mais justas e transparentes.

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AMORIM, Ana Maria; GONÇALVES, Cléber; ALVES, Guilherme. Para além de exigência burocrática: a Rais como retrato do trabalho e instrumento de política pública. In: CORSEUIL, Carlos Henrique Leite; MATION, Lucas Ferreira; PATEO, Felipe Vella (org.). A trajetória do emprego no Brasil: 50 anos de estatísticas por meio da Rais. Brasília: Ipea: MTE, 2026. p. 55-79. DOI: https://dx.doi.org/10.38116/978-65-5635-097-4/cap2.

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A Trajetória do emprego no Brasil : 50 anos de estatísticas por meio da Rais
(Ipea, 2026) Carlos Henrique Leite Corseuil; Lucas Ferreira Mation; Felipe Vella Pateo; Carlos Henrique Leite Corseuil; Lucas Ferreira Mation; Felipe Vella Pateo
Analisa a evolução do mercado de trabalho formal brasileiro a partir da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), desde sua criação em 1975 até os dias atuais. O livro demonstra que a Rais se consolidou como um dos principais registros administrativos do país, com caráter censitário e alta granularidade, permitindo acompanhar, ao longo de cinco décadas, as transformações do emprego formal no Brasil. Além de seu papel estatístico, a Rais é fundamental para a formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas, especialmente nas áreas de trabalho, previdência, assistência social e desenvolvimento econômico. A publicação destaca a evolução tecnológica e institucional da Rais, desde a coleta em formulários impressos até sua integração ao sistema digital eSocial, o que ampliou a cobertura, a qualidade e a tempestividade dos dados. Também discute desafios metodológicos, como mudanças na captação das informações e impactos na comparabilidade histórica. Com base nos dados da Rais, o livro apresenta tendências estruturais do mercado de trabalho brasileiro, como o crescimento do emprego formal no longo prazo, períodos de estagnação e crise, além de transformações na composição da força de trabalho — incluindo gênero, escolaridade e remuneração. A obra também evidencia o uso da base em políticas públicas como abono salarial, seguro-desemprego e programas de transferência de renda. Por fim, aponta perspectivas futuras, como a mensalização das informações e o aprimoramento do uso integrado de dados administrativos, reforçando o papel estratégico da Rais para o planejamento estatal e para a compreensão da dinâmica do trabalho no Brasil.

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