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Dependência estrutural e autonomia estratégica : uma análise geoeconômica da lei de matérias-primas da União Europeia diante da centralidade chinesa nas cadeias globais de valor

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China
European Union

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Abstract

Este artigo analisa a Lei de Matérias-Primas Críticas (LMPC) da União Europeia como instrumento geoeconômico voltado à redução da dependência europeia em relação à China no setor de minerais críticos, com ênfase nas terras raras. Parte-se do diagnóstico de que a centralidade chinesa na extração, na produção e, sobretudo, no processamento desses insumos representa uma vulnerabilidade estratégica para a União Europeia, especialmente diante da disputa pela liderança na transição verde e do risco de escassez de insumos estratégicos. Com base no referencial da geoeconomia – particularmente as contribuições de Blackwill e Harris (2016) e de Farrell e Newman (2019) –, argumenta-se que a LMPC expressa a tentativa europeia de transformar instrumentos regulatórios, industriais e comerciais em mecanismos de poder estratégico. O artigo sustenta, contudo, que, embora a lei represente um avanço institucional relevante, sua eficácia permanece limitada por fatores estruturais: a forte participação da China nas cadeias globais de valor, os obstáculos ao licenciamento de novos projetos na Europa, os elevados custos de processamento, a insuficiência dos sistemas de reciclagem e a dificuldade de diversificação efetiva dos fornecedores. Conclui-se que a lei fortalece a agenda europeia de autonomia estratégica, mas não elimina, no curto e no médio prazo, a vulnerabilidade geoeconômica da União Europeia diante da China.

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This article examines the European Union’s Critical Raw Materials Act (CRMA) as a geoeconomic instrument designed to reduce European dependence on China in the critical minerals sector, with particular emphasis on rare earth elements. The analysis departs from the premise that China’s central role in the extraction, production, and, above all, processing of these inputs represents a strategic vulnerability for the European Union, especially in the context of intensifying competition over the leadership in the green transition and the risk of supply disruptions of strategic materials. Building on the geoeconomics framework – particularly the contributions of Blackwill and Harris and of Farrell and Newman – the article argues that the CRMA reflects the European Union’s attempt to convert regulatory, industrial, and commercial instruments into mechanisms of strategic power. It contends, however, that despite representing a significant institutional step forward, the law’s effectiveness remains limited by structural factors: China’s dominance across global value chains, obstacles to the licensing of new projects in Europe, high processing costs, underdeveloped recycling systems, and the persistent difficulty of meaningfully diversifying suppliers. The article concludes that the CRMA strengthens the European strategic autonomy agenda but does not eliminate – at least in the short to medium term – the European Union’s geoeconomic vulnerability vis-à-vis China.

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Critical raw materials, Geoeconomics, Strategic autonomy, Strategic autonomy
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F13 Trade Policy - International Trade Organizations
F51 International Conflicts - Negotiations - Sanctions
F52 National Security - Economic Nationalism
O25 Industrial Policy
Q34 Natural Resources and Domestic and International Conflicts

Citation

MACÊDO, Luiza Martins de. Dependência estrutural e autonomia estratégica: uma análise geoeconômica da lei de matérias-primas da união europeia diante da centralidade chinesa nas cadeias globais de valor. Boletim de Economia e Política Internacional. Rio de Janeiro: Ipea, n. 44, p. 84-100, jan.-abr. 2026. DOI: https://dx.doi.org/10.38116/bepi44art4

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BEPI 44

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