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Uso de evidências em políticas e estratégias de inclusão produtiva rural na América Latina

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Abstract

Este capítulo tem um objetivo duplo – um de natureza teórica e outro de natureza empírica. Sob o ângulo teórico, trata-se de mostrar que, para que o uso de evidências cumpra o seu propósito de informar o processo de tomada de decisão, é necessário responder a três perguntas interdependentes. Primeiro, é preciso perguntar: Evidências sobre o quê? Não se trata apenas de definir a área de uma intervenção ou política. O que se quer enfatizar com esta pergunta é que há diferentes maneiras de definir o problema sobre o qual se quer atuar. Usando a mesma denominação – por exemplo, inclusão produtiva rural –, pode-se delimitar as causas do problema em diferentes aspectos da realidade: a tecnologia disponível, o nível de capitalização, o acesso a mercados, as condições básicas de vida, mesclas destas várias dimensões. E isso exercerá um papel crucial na definição de quais evidências precisam ser consideradas. Em seguida, é preciso perguntar: evidências para quê? Isto é, há diferentes caminhos para atuar sobre o problema delineado. E cada caminho implica repertórios distintos de ações que também pedem, cada um deles, determinados tipos de evidência em seu suporte. Por exemplo, ações multidimensionais pedem evidências acerca das interdependências entre as áreas mobilizadas e não somente sobre o objeto de cada uma delas, enquanto ações de tipo top-down e unidimensionais tendem a exigir somente evidências sobre o monitoramento de sua implementação. Assim, é apenas depois de explorar essas duas perguntas, e em função das escolhas que elas obrigam fazer, é que poderíamos procurar responder à questão: que evidências mobilizar?

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Políticas públicas e usos de evidências no Brasil : conceitos, métodos, contextos e práticas
(Ipea, 2022) Koga, Natália Massaco ; Palotti, Pedro Lucas de Moura ; Mello, Janine ; Pinheiro, Maurício Mota Saboya ; Koga, Natália Massaco; Maurício Mota Saboya Pinheiro; Natália Massaco Koga; Pedro Lucas de Moura Palotti; Janine Mello; Maurício Mota Saboya Pinheiro
O uso de evidências como subsídio à atuação governamental não é tema novo no debate sobre a produção e legitimação da ação do Estado. Nas últimas décadas, no entanto, o movimento das políticas públicas baseadas em evidências (PPBEs) tem intensificado a defesa de que mais e melhores evidências sejam produzidas como instrumentos capazes de orientar a produção de políticas públicas.Esta publicação almejou ilustrar essa multiplicidade de recursos para produção de inferências com contribuições que mobilizam tanto estudos qualitativos como quantitativos ou mistos, além de experimentais. Ao longo da publicação, cada capítulo adota métodos distintos, como é de se esperar a partir dos variados objetos de análise.

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