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O Uso de evidências em políticas de saúde e seus desdobramentos no contexto local : colocando as evidências no centro da vida cotidiana

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Resumo

O capítulo aborda a integração e o uso de diferentes tipos de evidências científicas e locais na formulação e implementação de políticas de saúde no cenário municipal. Os autores argumentam que limitar o conceito de evidência aos resultados de pesquisas acadêmicas tradicionais (como ensaios clínicos) reflete uma visão tecnocrática que falha em responder às demandas reais e complexas dos territórios. Defende-se, portanto, o princípio da pluralidade epistêmica, em que o conhecimento científico formal deve se articular com saberes tradicionais, comunitários, dados administrativos e a experiência prática de profissionais da ponta. Para viabilizar essa articulação, o texto discute as chamadas plataformas de tradução do conhecimento e estratégias de Políticas Informadas por Evidências (PIEs). Entre os instrumentos analisados estão as sínteses de evidências, os diálogos deliberativos e os processos de coprodução, que estimulam uma tomada de decisão democrática. Contudo, a aplicação prática nos municípios enfrenta desafios profundos: a resistência institucional, a rotatividade de equipes, a falta de financiamento e a assimetria na linguagem entre pesquisadores e gestores (a tese das "duas comunidades"). Para ilustrar esses cenários, o estudo traz exemplos práticos de institucionalização, com destaque para a Rede para Políticas Informadas por Evidências (EVIPNet Brasil) e seus Núcleos de Evidência (NEvs). Embora os NEvs colaborem para descentralizar e territorializar o uso de dados, eles ainda enfrentam entraves operacionais de sustentabilidade. Ao final, alinhando-se às diretrizes da Comissão Global de Evidências, o capítulo conclui que o fortalecimento das PIEs requer colocar a evidência no centro da vida cotidiana. Isso demanda desde o ensino do pensamento crítico na educação básica até a valorização da ciência aberta e de processos participativos, transformando o uso de dados em um projeto cultural e político de empoderamento dos cidadãos.

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BARRETO, Jorge Otávio Maia; BOEIRA, Laura dos Santos; ABDALA, Ingrid Gomes. O Uso de evidências em políticas de saúde e seus desdobramentos no contexto local: colocando as evidências no centro da vida cotidiana. In: KOGA, Natália Massaco et al. (org.). Políticas públicas informadas por evidências: conhecimentos, arranjos e capacidades para a governança democrática. Rio de Janeiro: Ipea, 2026. p. 249-273. DOI: https://dx.doi.org/10.38116/9786556351001cap8.

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Políticas públicas informadas por evidências : conhecimentos, arranjos e capacidades para a governança democrática
(Ipea, 2026-05) Koga, Natália Massaco; Maurício Mota Saboya Pinheiro; Palotti, Pedro Lucas de Moura; Raissa Menezes de Oliveira; Roberto Rocha Coelho Pires; Érica Rocha dos Santos; Miguel Loureiro; Natália Massaco Koga; Mauricio Mota Saboya Pinheiro; Pedro Lucas de Moura Palotti; Raissa Menezes de Oliveira; Roberto Rocha Coelho Pires; Érica Rocha dos Santos; Miguel Loureiro
Aborda a importância do uso de evidências na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas, destacando a necessidade de fortalecer capacidades estatais, instituições e processos decisórios em um contexto de crescente complexidade social e tecnológica. A obra enfatiza que as evidências qualificam o debate público, mas não substituem a deliberação política, sendo fundamental a articulação entre conhecimento técnico, valores públicos e práticas democráticas. Além disso, ressalta o papel do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada na produção de conhecimento aplicado ao aprimoramento das políticas públicas no Brasil. O livro reúne contribuições de diferentes áreas e instituições, consolidando a agenda das políticas públicas informadas por evidências e incentivando uma cultura institucional voltada à aprendizagem, transparência e desenvolvimento democrático.

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