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Distribuição de renda nos anos 2010 : uma década perdida para desigualdade e pobreza

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2012-2018

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Texto para Discussão (TD) 2610 : Distribuição de renda nos anos 2010 : uma década perdida para desigualdade e pobreza

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Resumo

Usamos, neste trabalho, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do período 2012 a 2018 para documentar como a econômica de meados da década reverteu o processo de melhoria da distribuição de renda que vinha se desenrolando desde a virada do século. Desde então, a desigualdade e pobreza aumentaram, e o bem-estar agregado caiu. A renda média aumentou de 2017 a 2018, mas ainda se encontrava abaixo do nível de 2014. Mais de 80% do crescimento observado entre 2015 e 2018 ficou nas mãos dos mais ricos. De modo geral, os retrocessos trouxeram os indicadores de volta para níveis iguais ou piores aos observados no começo da década. Investigamos, por meio de análises de decomposição, as razões por trás dessa trajetória. O mercado de trabalho, que fora o motor do círculo virtuoso anterior, transformou-se no grande vilão com a crise, respondendo por 30% da piora do Gini entre 2015 e 2018. As transferências governamentais contribuíram fortemente, por ação ou inação, para a prevalência dos resultados negativos. A assistência social e o seguro-desemprego não tiveram qualquer papel substantivo para amenizar os resultados distributivos negativos do período. Já a Previdência Social contribuiu para o aumento da desigualdade, mediante um aumento nas aposentadorias daqueles no topo da distribuição. Por fim, mostramos, neste estudo, que, nos últimos anos, o comportamento das taxas de pobreza foi muito mais sensível a variações na desigualdade do que na renda média. Se não houvesse piora na desigualdade, o Brasil teria continuado avançando no combate à pobreza tanto entre 2015 e 2018 quanto no período mais longo, entre 2012 e 2018.

Resumo traduzido

In this paper we analyze Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) microdata from 2012 to 2018 to document how the mid-decade economic recession reversed the trend of pro-poor growth that dated back to the early 2000s. Since the recession, there was a rise in inequality and poverty levels and aggregate welfare decreased. While average incomes surged from 2017 to 2018 they were still below their peak in 2014. More than 80% of all income growth between 2015 and 2018 accrued to the top 5%. Most distributional statistics suggest Brazil in 2018 was either back at the same levels or even worse-off than in 2012. This paper also relies on decomposition techniques to investigate the immediate causes behind this reversal of fortune. We find that the effects of the recession on the labor market explain a lot of the recent changes, but public transfers also played a role in distributional dynamics – either by action or inaction. Social assistance transfers and unemployment compensation failed to address rising inequality and poverty in any significant way. At the same time, Social Security contributed to surprisingly large increases in inequality due to the rise in pensions to the well-off. Finally, we show that in the past few years poverty rates were much more sensitive to changes in inequality than in average incomes. Indeed, if there were no increase inequality Brazil would have made further progress in reducing poverty even amid the recession.

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