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Soberania em disputa : narcocrime, crimes ambientais e securitização climática na Amazônia no contexto da COP30

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Sovereignty in dispute : narco-crime, environmental crimes and climate securitization in the Amazon in the context of COP30, Soberanía en disputa : narco-crimen, delitos ambientales y securitización climática en la Amazonía en el contexto de la COP30

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Abstract

A 30a Conferência das Partes (30th Conference of the Parties – COP30), realizada em Belém, insere a Amazônia no epicentro da política climática internacional, mas também expõe as contradições estruturais da política ambiental brasileira. Este artigo analisa como a convergência entre narcocrime, crimes ambientais e securitização climática fragiliza a soberania nacional e, simultaneamente, legitima discursos internacionais de ingerência. Partindo de uma perspectiva realista, em diálogo com a teoria da securitização e o conceito de macrossecuritização, sustenta-se que a retórica de liderança ambiental brasileira funciona como estratégia de disfarce, apoiada em um arcabouço normativo ambíguo no qual o Código Florestal ocupa posição central. Demonstra-se que a formação de uma economia ilícita amazônica – baseada na sobreposição de desmatamento, garimpo, contrabando e narcotráfico – não apenas compromete o cumprimento das metas do Acordo de Paris, mas também é mobilizada como justificativa para narrativas externas que tratam a Amazônia como “bem comum da humanidade”. Argumenta-se que a soberania verde, embora concebida como recurso estratégico para reforçar a autonomia nacional, pode ser percebida por atores externos como barreira à cooperação, alimentando pressões por monitoramento internacional e condicionalidades econômicas. Conclui-se que a COP30 representa para o Brasil uma arena de duplo risco: de um lado, oportunidade para consolidar-se como potência ambiental soberana; de outro, risco de ver reforçada a percepção de que sua incapacidade de conter ilícitos internos justifica medidas extraordinárias no plano internacional no âmbito da governança climática global.

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The 30th Conference of the Parties (COP30), held in Belém, places the Amazon at the epicenter of international climate politics, while also exposing the structural contradictions of Brazilian environmental policy. This article examines how the convergence of narco-crime, environmental crimes, and climate securitization undermines national sovereignty and, at the same time, legitimizes international discourses of interference. From a realist perspective, in dialogue with securitization theory and the concept of macrosecuritization, it is argued that Brazil’s rhetoric of environmental leadership functions as a strategy of disguise, supported by an ambiguous normative framework in which the Forest Code plays a central role. The article demonstrates that the emergence of an illicit Amazonian economy – combining deforestation, illegal mining, smuggling, and drug trafficking – not only jeopardizes compliance with the Paris Agreement but is also mobilized to justify external narratives that frame the Amazon as the “common heritage of humanity”. It is further argued that green sovereignty, although conceived as a strategic resource to reinforce national autonomy, may be perceived by external actors as an obstacle to cooperation, fueling pressures for international monitoring and economic conditionalities. The article concludes that COP30 represents a dual-risk arena for Brazil: on the one hand, an opportunity to consolidate itself as a sovereign environmental power; on the other, the risk of reinforcing the perception that its inability to control domestic illicit activities justifies extraordinary measures at the international level within the framework of global climate governance.
La 30.ª Conferencia de las Partes (30th Conference of the Parties – COP30), celebrada en Belém, sitúa a la Amazonía en el epicentro de la política climática internacional, pero también expone las contradicciones estructurales de la política ambiental brasileña. Este artículo analiza cómo la convergencia entre narco-crimen, delitos ambientales y securitización climática debilita la soberanía nacional y, al mismo tiempo, legitima discursos internacionales de injerencia. Desde una perspectiva realista, en diálogo con la teoría de la securitización y el concepto de macrosecuritización, se sostiene que la retórica brasileña de liderazgo ambiental funciona como una estrategia de disfraz, apoyada en un marco normativo ambiguo en el que el Código Forestal ocupa un lugar central. Se demuestra que la conformación de una economía ilícita amazónica – basada en la superposición de deforestación, minería ilegal, contrabando y narcotráfico – no solo compromete el cumplimiento del Acuerdo de París, sino que también se moviliza como justificación de narrativas externas que presentan a la Amazonía como “patrimonio común de la humanidad”. Asimismo, se argumenta que la soberanía verde, aunque concebida como recurso estratégico para reforzar la autonomía nacional, puede ser percibida por actores externos como un obstáculo a la cooperación, alimentando presiones para el monitoreo internacional y condicionalidades económicas. Se concluye que la COP30 representa para Brasil un escenario de doble riesgo: por un lado, una oportunidad para consolidarse como potencia ambiental soberana; por otro, el riesgo de reforzar la percepción de que su incapacidad de contener ilícitos internos justifica medidas extraordinarias en el ámbito internacional en el marco de la gobernanza climática global.

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Amazon, Green sovereignty, Narco-crime, Climate securitization, Narco-crimen, Securitización climática
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F52 National Security - Economic Nationalism
Q54 Climate - Natural Disasters and Their Management - Global Warming
K42 Illegal Behavior and the Enforcement of Law

Citation

NOBRE, Thiago Lacerda. Soberania em disputa: narcocrime, crimes ambientais e securitização climática na Amazônia no contexto da COP30. Tempo do Mundo. Brasília, n. 39, p. 371-398, dez. 2025. DOI: http://dx.doi.org/10.38116/rtm39art12

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