Publication: Compras governamentais : características das firmas industriais e participação das que inovam
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Abstract
Examina como o governo federal utiliza — ou deixa de utilizar — seu poder de compra como instrumento de estímulo à inovação industrial no Brasil. A partir do cálculo do Coeficiente de Compras do Governo (CCG), o estudo analisa 3.211 firmas industriais fornecedoras entre 2001 e 2003, classificando-as em sete faixas de benefício. Os resultados revelam que o governo compra proporcionalmente mais de empresas tecnicamente defasadas, pequenas e intensivas em mão‑de‑obra, enquanto as firmas inovadoras e diferenciadoras de produtos aparecem entre as menos beneficiadas, vendendo ao governo em proporção inferior à sua participação de mercado. A legislação de compras (Lei 8.666/93), ao priorizar o menor preço e exigir especificações técnicas generalistas, acaba desfavorecendo produtos diferenciados e inovações. O estudo demonstra que firmas inovadoras enfrentam barreiras para fornecer ao governo, enquanto empresas pouco inovadoras são relativamente favorecidas. A regressão econométrica confirma que inovar reduz o CCG, enquanto baixa diferenciação, baixa escala em capital e alta intensidade de mão‑de‑obra aumentam o benefício. O capítulo conclui que, para que as compras governamentais funcionem como instrumento de política industrial voltado à inovação, é necessário alterar as especificações técnicas e elevar padrões mínimos de qualidade dos produtos demandados.
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Citation
SOARES, Ricardo Pereira. Compras governamentais: características das firmas industriais e participação das que inovam. In: DE NEGRI, João Alberto; SALERNO, Mario Sergio (org.). Inovações, padrões tecnológicos e desempenho das firmas industriais brasileiras. Brasília, DF: Ipea, 2005. p. 299–324. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/19960
