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Acordo Mercosul-União Europeia e mudança estrutural : considerações a partir de modelos de equilíbrio geral

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Resumo

Esta Nota apresenta considerações sobre os impactos do acordo Mercosul-União Europeia a partir da literatura de modelos de equilíbrio geral. Avaliando o lado puramente comercial do acordo, as evidências disponíveis até o momento indicam ganhos de PIB e bem-estar de pequena magnitude. A maioria dos estudos aponta aumento do PIB entre 0,20% e 0,45% no longo prazo. Nos trabalhos que simulam dinâmica de transição, a elevação do PIB esperada para cinco anos após a entrada em vigência do acordo está entre 0,09% e 0,15%. Entretanto, há que se ressaltar que os modelos que fundamentam as simulações de impacto do acordo Mercosul-União Europeia realizadas na literatura até o momento não incorporam impactos de longo prazo da abertura comercial sobre o processo de mudança estrutural da economia brasileira, efeitos dinâmicos sobre a capacidade de inovação e custos de ajuste no mercado de trabalho. Ao se acrescentar tais efeitos, a tendência é piorar a avaliação dos ganhos de comércio do acordo. A partir da literatura baseada em modelos apresentada nesta nota, entendemos que deverá se agravar a desindustrialização prematura da economia brasileira e a especialização em setores de menor potencial de fomento à inovação e economias de conhecimento. Considerando também evidências da última grande mudança na política comercial brasileira, isto é, a abertura dos anos 1990- 1995, é provável que os impactos sejam adversos e duradouros sobre o mercado de trabalho das regiões mais industrializadas do país.

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MARTINEZ, Thiago Sevilhano. Acordo Mercosul-União Europeia e mudança estrutural : considerações a partir de modelos de equilíbrio geral. Carta de Conjuntura, Rio de Janeiro, n. 59, p. 1-18, abr./jun. 2023. ISSN: 19828772. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/

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