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O Papel das transferências públicas na queda recente da desigualdade de renda brasileira

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Resumo

Investiga em que medida as transferências públicas explicam a queda da desigualdade de renda no Brasil entre 2001 e 2005, período em que o coeficiente de Gini recuou de 0,593 para 0,566. Com base nas PNADs 2001–2005, os autores separam a renda não derivada do trabalho em sete componentes (ativos, transferências privadas e três tipos de transferências públicas, incluindo aposentadorias/pensões, BPC e Bolsa Família), propondo um procedimento para identificar benefícios sociais quando estes se misturam a rendimentos financeiros nos microdados. A análise decompõe o impacto distributivo por quatro vias: focalização/associação, cobertura, valor médio do benefício e desigualdade entre receptores. Os resultados indicam que cerca de metade da queda da desigualdade advém de mudanças na renda não derivada do trabalho, praticamente todas originadas em transferências públicas. Entre os mecanismos, a expansão de cobertura — sobretudo do Bolsa Família — foi preponderante para reduzir a desigualdade (diminuindo a clivagem entre quem recebe e quem não recebe), enquanto, nas aposentadorias e pensões, o efeito veio principalmente da equalização entre benefícios (redução da desigualdade intra-receptores). O BPC contribuiu via aumento do benefício médio e elevação moderada de cobertura. Em conjunto, as transferências públicas explicam parcela substancial da queda recente da desigualdade, com papéis distintos: difusão e focalização no Bolsa Família; maior valor médio no BPC; e achatamento distributivo nas aposentadorias/pensões.

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BARROS, Ricardo Paes de; CARVALHO, Mirela; FRANCO, Samuel. O papel das transferências públicas na queda recente da desigualdade de renda brasileira. In: BARROS, Ricardo Paes de; FOGUEL, Miguel Nathan; ULYSSEA, Gabriel (org.). Desigualdade de renda no Brasil: uma análise da queda recente. Brasília: Ipea, 2007. v. 2. p. 41-86. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/20039

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Desigualdade de renda no Brasil : uma análise da queda recente : volume 2
(Ipea, 2007) Barros, Ricardo Paes de; Foguel, Miguel Nathan; Ulyssea, Gabriel; Ricardo Paes de Barros; Miguel Nathan Foguel; Gabriel Ulyssea
Reúne estudos voltados para estimar a magnitude da queda recente na desigualdade e suas consequências sobre as condições de vida da população mais pobre; e aqueles cujo objetivo é identificar os principais fatores determinantes por trás desse movimento. Analisa, em detalhes, as transformações por que passaram os diversos tipos de transferências governamentais, principalmente as pensões e as aposentadorias, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Programa Bolsa Família (PBF). Trata dos fatores responsáveis pelas transformações na distribuição dos rendimentos do trabalho. Avalia o papel da educação e da experiência potencial dos trabalhadores no mercado de trabalho para a redução da desigualdade de renda. Trata do mercado de trabalho como gerador de desigualdade. A análise é centrada nos papéis desempenhados pela discriminação de gênero e de cor, bem como por três tipos de segmentação: setorial, formal-informal e espacial. Aborda os efeitos do salário mínimo sobre a desigualdade de renda por meio das remunerações pagas no mercado de trabalho, assim como das transferências governamentais a ele vinculadas, visando contribuir para o aprimoramento das políticas públicas e, dessa forma, acelerar o processo de redução da extrema desigualdade de renda que ainda prevalece no País.

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