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Tendência evolutiva e características da pobreza no Rio de Janeiro

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Texto para Discussão (TD) 536: Tendência evolutiva e características da pobreza no Rio de Janeiro, Evolutionary trend and characteristics of poverty in Rio de Janeiro

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Abstract

O objetivo deste artigo é o de situar a questão da pobreza no Rio de Janeiro no contexto nacional, apresentando os principais aspectos tanto da evolução de longo prazo, tendo como ponto de partida o ano de 1970, como sua caracterização mais recente. Três evidências básicas podem ser destacadas. A primeira é a de que, paralelamente à perda de importância econômica nacional do Rio de Janeiro, aumentou sua participação na pobreza nacional, de modo que no final do período o estado apresentava uma incidência de pobreza semelhante à média do país, com a proporção de pobres situando-se em 20% da população total. Cabe destacar, no entanto, que, em função da melhoria da renda após 1994, esta proporção é mais baixa do que a verificada em 1981 (25%), isto é, tendo como referência os anos de 1981 e 1995, não ocorreu empobrecimento do Rio de Janeiro per se. A segunda evidência é que, considerando a década de 80, o Rio de Janeiro apresentou os resultados mais adversos quanto à evolução da pobreza no contexto nacional, o que provavelmente se relaciona a características locais da estrutura produtiva e da qualidade dos postos de trabalho gerados: pequena participação da indústria no PIB (30% em 1994) e baixo rendimento médio do trabalho (R$ 447 em setembro de 1995 ou 2/3 do rendimento médio do trabalho na metrópole paulista). Finalmente, a terceira evidência concerne à redução da pobreza nos últimos três anos, quando o Rio de Janeiro se beneficiou particularmente da estabilização devido ao aumento relativo dos preços no setor de serviços, resultando em melhoria acentuada da renda dos mais pobres. A convergência da variação de preços relativos que se observa atualmente sinaliza que este processo se esgotou e que daqui para a frente a criação de empregos e o aumento de rendimentos, especialmente para a mão-de-obra de baixa qualificação que forma o contingente de pobres, voltam a depender da capacidade de realizar investimentos e do potencial de criação de emprego e de distribuição de renda deles decorrentes.

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This article discusses poverty in Rio de Janeiro per se and within the national context, considering both the evolutionary trend since 1970 and its present day characteristics. Three results that come out from the analysis are worth mentioning. The first one shows that the decline of Rio de Janeiro’s economic status corresponded to an increase in its share in the national poverty: at the end of the period (1995), poverty incidence in Rio de Janeiro was about the same of that in the country, that is, 20 percent of the population is poor. It is important to mention that, because of the income increases after 1994, this incidence of poverty is lower than that one observed in 1981 (25%), that is, considering the 1981-1995 period there was no increase of poverty incidence in Rio de Janeiro per se. The second result concerns the fact that during the eighties Rio de Janeiro had presented the most adverse results in terms of poverty evolution in Brazil, which probably relates to local characteristics of its productive structure and quality of jobs offered: manufacturing has a relatively small share in the local GDP — 30% in 1994 — and labor income is particularly low (R$ 447 monthly in September 1995, which corresponds to only 2/3 of that in the São Paulo metropolis). The third result concerns the reduction of poverty incidence in the last three years, when Rio de Janeiro particularly benefited from price stabilization because of relative higher price increases in the service sector, which represented a substantial gain for those at the basis of the income distribution. The present convergence of price increases indicates that this process of income transfer to the poorest has come to an end and that, from now on, employment and income increases, specially for non-qualified workers that form the poor contingent, will depend again on investment and on its potential for job creation and income.

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