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Preços e distribuição em Sraffa : uma reconsideração

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Resumo

Neste artigo é proposto um reexame de alguns pressupostos e do alcance dos respectivos resultados da contribuição de Sraffa à teoria dos preços e distribuição de renda. A retomada deste tema sob a ótica de uma crítica interna (à sua consistência) mais do que externa (ou aos pressupostos), atualmente em voga, torna-se oportuna por duas razões: a) a crescente aprovação que aquela contribuição vem conquistando sob influência da chamada escola neo-ricardiana, que a considera capaz de suportar o peso de um sistema teórico alternativo em Economia; e b) a existência de lacunas sérias na abundante mas pouco conclusiva literatura que ela originou nas últimas duas décadas. De início, são refutadas interpretações superficiais freqüentes a respeito da análise de Sraffa sobre a relação distributiva inversa entre lucros e salários em conexão com a mercadoria-padrão e o "problema de Ricardo". A seguir, são evidenciadas e questionadas as hipóteses altamente restritivas implícitas no seu tratamento da distribuição e na construção da mercadoria-padrão, sem as quais esta última torna-se inútil. Por fim, sugere-se que a precariedade desta análise da distribuição decorre dos contornos teóricos rigidamente estáticos em que o problema econômico de Sraffa está formulado.

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