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A Política do senso comum : declínio democrático e o desmonte da política pública informada por evidências em governos populistas autoritários

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Abstract

O capítulo analisa o fenômeno da "política do senso comum" como uma estratégia retórica e ideológica adotada por governos populistas autoritários para legitimar o desmonte de políticas públicas e confrontar o conhecimento científico e técnico. O texto utiliza o conceito de hardball institucional para explicar como líderes iliberais tensionam e enfraquecem as instituições, regras e constrangimentos democráticos para impor agendas personalizadas e simplistas. A partir de uma abordagem comparada, as autoras examinam as manifestações empíricas desse processo no Brasil (durante a gestão de Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022) e nos Estados Unidos (especialmente no segundo mandato de Donald Trump, a partir de 2025). Em ambos os cenários, evidencia-se um padrão de perseguição à burocracia profissional de carreira, deslegitimação de dados oficiais, militarização ou aparelhamento de cargos estratégicos por outsiders e desinvestimento em áreas fundamentais de produção de evidências, como saúde, educação, ciência e meio ambiente. O estudo conclui que a política do senso comum atua como um contraprincípio direto às políticas informadas por evidências, operando como um mecanismo de erosão democrática que substitui o debate racional e técnico pelo apelo puramente emocional e polarizado.

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FERNANDEZ, Michelle; MORAIS, Michelle. A Política do senso comum: declínio democrático e o desmonte da política pública informada por evidências em governos populistas autoritários. In: KOGA, Natália Massaco et al. (org.). Políticas públicas informadas por evidências: conhecimentos, arranjos e capacidades para a governança democrática. Rio de Janeiro: Ipea, 2026. p. 69-98. DOI: https://dx.doi.org/10.38116/9786556351001cap1.

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Políticas públicas informadas por evidências : conhecimentos, arranjos e capacidades para a governança democrática
(Ipea, 2026-05) Koga, Natália Massaco; Maurício Mota Saboya Pinheiro; Palotti, Pedro Lucas de Moura; Raissa Menezes de Oliveira; Roberto Rocha Coelho Pires; Érica Rocha dos Santos; Miguel Loureiro; Natália Massaco Koga; Mauricio Mota Saboya Pinheiro; Pedro Lucas de Moura Palotti; Raissa Menezes de Oliveira; Roberto Rocha Coelho Pires; Érica Rocha dos Santos; Miguel Loureiro
Aborda a importância do uso de evidências na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas, destacando a necessidade de fortalecer capacidades estatais, instituições e processos decisórios em um contexto de crescente complexidade social e tecnológica. A obra enfatiza que as evidências qualificam o debate público, mas não substituem a deliberação política, sendo fundamental a articulação entre conhecimento técnico, valores públicos e práticas democráticas. Além disso, ressalta o papel do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada na produção de conhecimento aplicado ao aprimoramento das políticas públicas no Brasil. O livro reúne contribuições de diferentes áreas e instituições, consolidando a agenda das políticas públicas informadas por evidências e incentivando uma cultura institucional voltada à aprendizagem, transparência e desenvolvimento democrático.

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