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O Financiamento climático para o Sul global além do seu volume : composição, limites e desafios

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Climate finance for the Global South beyond its volume: composition, limits, and challenges, Financiamiento climático para el Sur global más allá de su volumen : composición, límites y desafíos

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Abstract

O financiamento climático tem sido tema central nas discussões das Conferências das Partes (COPs) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). No entanto, quando direcionado aos países do Sul global, sua análise não pode se restringir ao volume anunciado ou desembolsado. A partir da análise de relatórios e de dados disponíveis sobre financiamento climático global, o artigo investiga a composição, os limites e os desafios do financiamento destinado a essas economias, evidenciando a centralidade dos instrumentos financeiros, das condicionalidades institucionais e das assimetrias entre doadores e receptores. A pesquisa procura demonstrar, ainda, que a maior parte dos fluxos ocorre na forma de empréstimos, frequentemente não concessionais, o que reforça a vulnerabilidade fiscal e a dependência financeira dos países em desenvolvimento. Além disso, identifica-se a concentração setorial e geográfica dos recursos, que privilegia áreas de maior retorno financeiro ou de menor risco em detrimento de necessidades urgentes de adaptação climática. A análise também aborda os Fundos Climáticos Multilaterais, que apresentam maior diversidade setorial na destinação dos recursos, apesar dos reduzidíssimos volumes, e os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, que, embora disponham de recursos significativos, também se apoiam em instrumentos de dívida e exibem concentração geográfica e setorial nos desembolsos. Tais características limitam a efetividade do financiamento no apoio à transição justa e na compensação das desigualdades históricas na contribuição às emissões globais. Nesse sentido, apresentam-se instrumentos alternativos em conformidade com a literatura vigente. Conclui-se que, além de ampliar os volumes de recursos, é necessário repensar a qualidade, a acessibilidade e a governança do financiamento climático, de modo a alinhar os fluxos financeiros às prioridades do Sul global e a fortalecer sua autonomia no enfrentamento da crise climática.

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Climate finance has been a central theme in COP discussions. However, when directed to Global South countries, its analysis cannot be limited to announced or disbursed volumes. Based on an analysis of reports and available data on global climate finance, this article examines the composition, limitations, and challenges of the finance directed to these economies, highlighting the centrality of financial instruments, institutional conditionalities, and asymmetries between donors and recipients. The research also aims to show that most flows take the form of loans, often non-concessional, which exacerbates fiscal vulnerability and financial dependence in developing countries. Furthermore, it identifies the sectoral and geographic concentration of resources, favoring areas with higher financial returns or lower risk at the expense of urgent adaptation needs. The analysis also considers Multilateral Climate Funds, which exhibit greater sectoral diversity in resource allocation despite very low volumes, and Multilateral Development Banks, which – although endowed with significant resources – also rely on debt instruments and show geographic and sectoral concentration in disbursements. These features limit the effectiveness of finance in supporting a just transition and in redressing historical inequalities in contributions to global emissions. In this sense, we seek to present alternative instruments consistent with the existing literature. We conclude that, beyond increasing overall resource volumes, it is necessary to rethink the quality, accessibility, and governance of climate finance to align financial flows with the priorities of the Global South and to strengthen its autonomy in addressing the climate crisis.
A financiación climática ha sido un tema central en las discusiones de las COP. Sin embargo, cuando se dirige a los países del Sur global, su análisis no puede limitarse al volumen anunciado o desembolsado. A partir del análisis de informes y de los datos disponibles sobre financiación climática global, el artículo investiga la composición, los límites y los desafíos de la financiación destinada a estas economías, poniendo de relieve la centralidad de los nstrumentos financieros, las condicionalidades institucionales y las asimetrías entre donantes y receptores. La investigación también pretende demostrar que la mayor parte de los flujos adopta la forma de préstamos, con frecuencia no concesionales, lo que agrava la vulnerabilidad fiscal y la dependencia financiera de los países en desarrollo. Además, se identifica la concentración sectorial y geográfica de los recursos, que favorece áreas con mayor retorno financiero o menor riesgo en detrimento de necesidades urgentes de adaptación climática. El análisis aborda asimismo los Fondos Climáticos Multilaterales, que presentan mayor diversidad sectorial en la asignación de recursos a pesar de volúmenes muy reducidos, y los Bancos Multilaterales de Desarrollo, que, aunque disponen de recursos significativos, también se basan en instrumentos de deuda y muestran concentración geográfica y sectorial en los desembolsos. Tales características limitan la efectividad de la financiación para apoyar una transición justa y compensar las desigualdades históricas en las contribuciones a las emisiones globales. En este sentido, buscamos presentar instrumentos alternativos acordes con la literatura vigente. Se concluye que, además de aumentar los volúmenes de recursos, es necesario repensar la calidad, la accesibilidad y la gobernanza de la financiación climática, con el fin de alinear los flujos financieros con las prioridades del Sur global y fortalecer su autonomía frente a la crisis climática.

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Climate finance, Global South, Multilateral Climate Funds, Multilateral Development Banks, Debt, Financiación climática, Sur global, Fondos Climáticos Multilaterales, Bancos Multilaterales de Desarrollo, Deuda
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F3 International Finance
Q5 Environmental Economics

Citation

MONTALVÃO, Iago. O financiamento climático para o Sul global além do seu volume: composição, limites e desafios. Tempo do Mundo. Brasília, n. 39, p. 55-89, dez. 2025. DOI: http://dx.doi.org/10.38116/rtm39art2

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