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Boletim de Economia e Política Internacional (BEPI) : n. 21, set./dez. 2015

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O Boletim de Economia e Política Internacional (BEPI) é uma publicação da Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte) do Ipea e visa promover o debate sobre temas importantes para a inserção do Brasil no cenário internacional, com ênfase em estudos aplicados no campo da Economia Internacional e das Relações Internacionais, tendo como público-alvo acadêmicos, técnicos, autoridades de governo e estudiosos das relações internacionais em geral.

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The Economics and International Policy Bulletin (BEPI) is a publication of the Board of Studies and Economic Relations and International Policies (Dinte) IPEA and aims to promote debate on issues important to the insertion of Brazil internationally, with an emphasis on applied studies in the field of International Economics and International Relations, with the academic audience, technical, government officials and scholars of international relations in general.

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A Dinâmica das relações econômicas entre Brasil e China : uma análise do período (2000-2015)
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 2015-12) Andrade, Israel de Oliveira; Naretto, Nilton de Almeida; Leite, Alixandro Werneck
As relações econômicas entre Brasil e China ganharam uma nova dimensão neste início do século XXI, após o ingresso da China na Organização Mundial do Comércio e sua progressiva aceitação como uma economia de mercado. Desde então, observou-se a intensificação das relações econômicas sino-brasileiras e, em especial, das trocas comerciais entre os dois países, a ponto de o país asiático tornar-se, desde 2012, o maior parceiro comercial do Brasil. Este artigo propõe-se a analisar a dinâmica das relações econômicas entre esses dois países desde a retomada oficial das relações diplomáticas em 1974 até 2015, com especial ênfase para a magnitude do comércio e as características da pauta de produtos comercializados entre os países nos últimos 15 anos e para as repercussões da desaceleração recente da economia chinesa sobre a economia brasileira.
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A Crescente presença chinesa na América Latina : desafios ao Brasil
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 2015-12) Pini, André Mendes
O pujante crescimento econômico chinês é o eixo norteador de sua inserção internacional, principalmente no que se refere à manutenção de sua influência sobre a Ásia e a África. A região da América Latina e Caribe, por sua vez, tem sido vista por Pequim ao longo das últimas décadas como uma parceira complementar, de acordo com a estratégia chinesa de diversificação de suas parcerias. O artigo analisa se o padrão das relações sino-latinas, majoritariamente focadas no âmbito comercial, vem sofrendo uma inflexão ao longo dos últimos anos, com a crescente influência política chinesa na região. Avalia-se a hipótese de que essa possível inflexão é catalisada não somente devido ao potencial econômico do gigante asiático, como também devido ao declínio relativo da inserção internacional brasileira nos últimos anos, que abriu espaço para a penetração da influência chinesa. Conclui-se que os padrões que balizam as relações atuais da China com a América Latina e o Caribe são bastante heterogêneas e são, ainda, sobrepujadas pelas relações com os Estados Unidos, tornando Pequim cautelosa com relação a inflexões políticas de perfil mais elevado. No tocante ao Brasil, as relações com a China impõem tanto ameaças quanto oportunidades, no entanto, o declínio relativo da política externa brasileira determina que os aspectos negativos relativos às ameaças são potencializados, enquanto as oportunidades tendem a se diluir.
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Percepções governamentais sobre a integração regional na América do Sul
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 2015-12) Mariano, Karina L. Pasquariello; Romero, Ana María Suárez; Ribeiro, Clarissa Correa
Coexistem na América Latina, hoje, vários processos de integração com diferentes características e lógicas. Convivem projetos iniciados durante a primeira onda integracionista de 1960 (Comunidade Andina – CAN) e na etapa identificada com o regionalismo aberto e o pensamento neoliberal dos anos 1980; assim como projetos propondo a superação desses modelos e a construção de iniciativas de contornos ideológicos e institucionais diversos, como no caso da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América) e da própria Unasul (União das Nações Sul-Americanas); ou ainda a retomada da agenda do regionalismo aberto com a Aliança do Pacífico. Essa coexistência chama a atenção não só pela diversidade das propostas, mas porque vários países participam simultaneamente em mais de um bloco regional. Em que medida essa multiplicidade de atuações mostra-se contraditória ou revela inconsistências e alterações nos interesses estratégicos da política externa desses países? Este artigo analisa os posicionamentos de atores governamentais de seis países: Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru; concentrando-se nos discursos, pronunciamentos, entrevistas e documentos produzidos por esses atores em relação à integração regional. A seleção dos países seguiu o critério de participação em pelo menos dois processos de integração e a relevância desses atores na própria integração. O suposto deste trabalho é que à medida que proliferam novas propostas integracionistas, os projetos mais institucionalizados tendem a perder força e importância na política externa dos países. A primeira parte do artigo discute sobre qual é o entendimento dos governos sobre integração regional, isto é, quais são seus interesses e objetivos com esses blocos. Em seguida, nossa atenção volta-se para analisar as percepções que esses atores apresentam sobre cada um dos blocos regionais e como cada um deles aproxima-se dos interesses apontados na primeira parte do trabalho. Finalmente, discutiremos em que medida esses projetos podem coexistir e serem complementares.
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A Cooperação regional desde uma perspectiva Argentina : mudanças de concepção e reações frente a projetos brasileiros
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 2015-12) Milani, Lívia Peres
As relações entre Brasil e Argentina são marcadas atualmente pela ênfase na parceria e, apesar da persistência de focos de divergências entre ambos, há um predomínio da cooperação que contrasta com a lógica de equilíbrio de poder e rivalidade que predominou durante a maior parte da história das relações bilaterais. A mudança nas relações bilaterais permitiu o início de processos de cooperação no sul do continente americano, os quais passaram a ser destacados por ambos os países como um tema importante no âmbito da política exterior e de defesa. Tal transformação pode ser entendida, em uma perspectiva construtivista, como um indício de modificação da visão sobre o outro, que passa a ser percebido de maneira positiva, e pode levar à formação de uma noção de coletividade. Assim, o objetivo do trabalho é entender as mudanças na concepção argentina sobre a parceria com o vizinho e a cooperação regional em temas de segurança e defesa, enfatizando as reações desse país aos projetos regionais brasileiros. Nesse sentido, são analisadas as concepções argentinas sobre a cooperação regional com base em uma perspectiva histórica, mas com especial ênfase ao governo de Néstor Kirchner. Nesse período, o governo argentino apontava para a necessidade de uma política externa mais regionalista e destacava a importância da parceria bilateral, mas conviveu com um vizinho em ascensão e que apresentou projetos próprios que não necessariamente condiziam com as preferências argentinas. Assim, o artigo visa a analisar as mudanças nas concepções de cooperação regional por parte da Argentina e entender como o país reagiu à proposta brasileira de criação de um espaço geopolítico sul-americano. O artigo está dividido em quatro seções, primeiramente é feita uma breve contextualização histórica das percepções argentinas sobre o Brasil e a região. Em seguida, o foco de análise é a década de 1990 e, posteriormente, é considerado o período do governo Kirchner. Por fim, são feitas as considerações finais.
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A Cooperação internacional na efetivação da saúde global : o papel do Brasil no combate ao HIV
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 2015-12) Fedatto, Maíra da Silva
O ponto crucial das reflexões sobre a saúde internacional foi o advento da epidemia da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), a partir da década de 1980, que viabilizou um novo tipo de ativismo transnacional em prol do acesso ao tratamento, e ainda influenciou a pesquisa, as práticas clínicas, as políticas públicas e o comportamento social. O vírus da imunodeficiência humana (HIV) já causou cerca de 36 milhões de mortes e provocou profundas mudanças demográficas, econômicas e sociais na maioria dos países mais afetados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que atualmente 35 milhões de pessoas sejam soropositivas e que apenas no ano de 2013 1,5 milhão morreu. O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a fornecer atenção à saúde, integral, universal e gratuita às pessoas vivendo com HIV e Aids. Nessa área, o Brasil destaca-se no cenário internacional por sua resposta à epidemia. O programa nacional é reconhecido pelas Nações Unidas como o melhor do mundo em desenvolvimento e vem servindo de modelo tanto para outros países em desenvolvimento para a política global de HIV/Aids, adotada pela OMS desde 2003. Com efeito, o Brasil vem assumindo um papel ativo no cenário global, exemplificado pela sua constante participação em organismos multilaterais da saúde como a OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a “diplomacia em saúde” brasileira busca consolidar sua influência na efetivação da saúde global e, para tanto, a cooperação internacional possui crescente relevância para o país. A proposta analisa, portanto, o cenário da saúde global aliado às cruciais necessidades sociais e de saúde dos países em desenvolvimento e, assim, vislumbra uma área na qual o Brasil pode perseguir uma liderança, pois é exatamente no campo da saúde que se encontram bem-sucedidos programas de cooperação Sul-Sul do país.
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