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A Maioridade e o cuidado : jovens acolhidos e a transição para a vida adulta
(Ipea, 2026-07-16) Enid Rocha Andrade da Silva; Oliveira, Valéria Rezende de; Diretoria de Estudos e Políticas Sociais - DISOC; Enid Rocha Andrade da Silva; Valéria Rezende de Oliveira
Publicação Expressa TD 3221
A transição para a vida adulta de adolescentes e jovens que vivem ou viveram em Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes constitui uma dimensão ainda pouco visível das políticas de proteção social no Brasil. Este relatório apresenta os resultados da pesquisa Jovens que Vivem nos Serviços de Acolhimento de Crianças e Adolescentes, realizada pelo Ipea com o objetivo de conhecer a realidade de jovens que permanecem acolhidos após a maioridade e compreender as condições de desligamento, os destinos dos egressos e as políticas públicas necessárias para uma transição protegida à vida adulta. A pesquisa teve como universo de referência 281 Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (SAIs) identificados no Censo SUAS 2023 como unidades que acolhiam jovens ou adultos. Desse total, 221 serviços aceitaram participar da pesquisa e 147 compuseram a base analítica principal. Os dados foram coletados por meio de questionário online respondido por dirigentes, coordenadores e técnicos dos serviços, combinando perguntas fechadas e abertas. Os resultados mostram que a permanência de jovens maiores de 18 anos em serviços destinados à população infantojuvenil não pode ser compreendida apenas como inadequação normativa ou atraso no desligamento institucional. A pesquisa identificou 505 jovens entre 18 e 29 anos acolhidos em SAIs, muitos deles com trajetória prolongada de institucionalização, baixa escolaridade, reduzida inserção laboral, forte dependência de transferências públicas, especialmente do Benefício de Prestação Continuada (BPC), e presença expressiva de deficiência, transtornos mentais ou doenças graves. Entre os jovens pesquisados, 48,5% não sabiam ler nem escrever, apenas 13,5% trabalhavam e 81,0% recebiam o BPC, evidenciando limites estruturais à construção da autonomia sem apoio continuado. A análise também revela que a permanência após a maioridade está associada à insuficiência de alternativas públicas de cuidado, moradia, saúde mental, renda, educação, trabalho protegido e acompanhamento pós-desligamento. As dificuldades de encaminhamento envolvem a baixa oferta de Repúblicas, Residências Inclusivas, Residências Terapêuticas, apoio habitacional e serviços adequados para jovens com diferentes graus de autonomia e necessidade de cuidado. A pesquisa mostra, ainda, que o destino dos jovens egressos permanece 4 parcialmente conhecido e que parte deles passa a viver em arranjos frágeis ou situações de risco, incluindo moradia sozinha sem suporte, abrigos de adultos, situação de rua, presídios, destinos incertos e relatos de óbito. Além disso, 114 SAIs informaram a existência de 212 adolescentes de 16 e 17 anos sem lugar definido para residir ao completarem a maioridade. Os achados indicam que a maioridade legal não pode ser tratada como fronteira automática entre proteção e abandono. Para jovens que viveram sob responsabilidade direta do Estado, a transição para a vida adulta exige planejamento, acompanhamento e políticas públicas intersetoriais. O relatório recomenda a construção de uma política de transição protegida, com reconhecimento dos jovens acolhidos e egressos como público específico da proteção social; adaptação de políticas existentes, como Cadastro Único, Bolsa Família, BPC, Jovem Aprendiz, SINE, EJA e programas habitacionais; criação de renda de transição; prioridade em moradia e auxílio aluguel; ampliação de serviços de saúde mental, Residências Inclusivas e cuidado continuado; preparação gradual para a autonomia; acompanhamento pós-desligamento; e criação de cadastro ou módulo nacional de adolescentes em transição e jovens egressos do acolhimento. Os resultados contribuem para subsidiar o aprimoramento das políticas públicas voltadas à proteção integral, à convivência familiar e comunitária e à construção de trajetórias de autonomia possível, cuidado e dignidade.
Oliveira, Valéria Rezende de
Bolsista
Mortalidade e morbidade em sinistros com motocicletas e os riscos da implantação do mototáxi no Brasil
(Ipea, 2026-07) Carlos Eduardo de Carvalho Vargas; Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho; Erivelton Pires Guedes; Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais - DIRUR; Carlos Eduardo de Carvalho Vargas; Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho; Erivelton Pires Guedes
Nota Técnica Dirur 57
Avalia a evolução da mortalidade e da morbidade associadas aos sinistros com motocicletas no Brasil, destacando o crescimento acelerado da frota de motos nas últimas décadas e seus impactos sobre a segurança viária e a saúde pública. O estudo examina o perfil das vítimas, a vulnerabilidade intrínseca das motocicletas, os principais fatores de risco relacionados aos sinistros, as políticas públicas de mitigação e os custos para o Sistema Único de Saúde. Também discute a expansão dos serviços de mototáxi e os desafios legais, operacionais e de segurança decorrentes de sua regulamentação, concluindo que a utilização de motocicletas para o transporte remunerado de passageiros apresenta riscos significativos e demanda maior atenção das políticas de mobilidade urbana e segurança no trânsito.
Participação institucional de empregados em empresas estatais : a experiência paulista
(Ipea, 1990) Albuquerque, J. A. Guilhon de; J. A. Guilhon de Albuquerque
A segunda pesquisa analisa a experiência paulista de participação institucional dos empregados em empresas estatais, especialmente a criação dos Conselhos de Representantes de Empregados (CRE) e a inclusão de representantes dos trabalhadores em instâncias diretivas durante o governo de Franco Montoro. Com base em estudos de caso e entrevistas realizadas em empresas estatais de diferentes setores, o autor examina os impactos dessa inovação institucional sobre as relações entre empregados, sindicatos e direção das empresas. O estudo demonstra que os resultados da participação dependem do grau de organização dos trabalhadores e da estrutura de poder existente nas organizações, destacando avanços na circulação de informações, na formação de lideranças e na democratização da gestão, bem como conflitos relacionados à representação, ao papel dos sindicatos e à redistribuição de poder no ambiente empresarial.
Introdução : gestão e relações de trabalho na empresa estatal brasileira
(Ipea, 1990) Soares, Rosa Maria Sales de Melo; Rosa Maria Sales de Melo Soares
Apresenta o projeto de pesquisa sobre gestão e relações de trabalho nas empresas estatais brasileiras, focalizando os impactos das transformações tecnológicas, organizacionais e produtivas sobre a participação dos trabalhadores. A autora discute a especificidade das empresas estatais, situadas entre a lógica econômica e as funções públicas do Estado, e examina a crescente valorização dos modelos participativos de gestão a partir das crises de produtividade e da difusão de novas tecnologias. O texto aborda as demandas dos trabalhadores por maior participação nos processos decisórios, as mudanças nas relações de poder no ambiente de trabalho, o papel do sindicalismo e as experiências de representação dos empregados em empresas estatais, destacando a relevância dessas questões para a formulação de novos padrões de gestão e relações de trabalho no Brasil.




