Apresenta uma síntese abrangente dos fundamentos teóricos, metodológicos e aplicados da modelagem urbana e regional com autômatos celulares (CA) e modelos baseados em agentes (ABM), destacando seu potencial para analisar sistemas complexos e dinâmicos como cidades e regiões. Os autores explicam como fenômenos urbanos emergem da interação local entre agentes e espaço, em abordagens bottom‑up que capturam heterogeneidade, não linearidade, dependência de trajetória e efeitos de vizinhança — elementos frequentemente negligenciados nos modelos tradicionais top‑down. O texto detalha conceitos de sistemas auto‑organizáveis, regras de transição, calibragem e validação, além de revisar aplicações consagradas como Metronamica, UrbanSim, SLEUTH, Sugarscape e o problema do El Farol. Também discute vantagens e críticas dessa metodologia, especialmente sua utilidade para testes de cenários em políticas públicas, incluindo exemplos no Brasil (como o TerraME/INPE e simulações urbanas de Belo Horizonte). O capítulo conclui enfatizando que a modelagem CA/ABM, embora desafiadora, oferece ferramentas analíticas valiosas para compreender e planejar transformações territoriais num contexto de alta complexidade urbana e regional.
(Ipea, 2026-04) Rafael Henrique Moraes Pereira; Bazolli, Arthur; Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho; Furtado, Bernardo; Fabiano Mezadre Pompermayer; Coordenação-Geral de Ciência de Dados e Tecnologia da Informação - CGDTI; Rafael H. M. Pereira; Arthur Bazolli; Carlos H. R. de Carvalho; Bernardo A. Furtado; Fabiano M. Pompermayer
Nota Técnica CGDTI 3
Este estudo estima o potencial da criação de uma Contribuição Social para o Transporte Público Urbano (CTPU) como fonte de financiamento extratarifário dos sistemas de transporte público nas cidades brasileiras. A análise é motivada pelo contexto de restrição fiscal municipal e pelo baixo nível de subsídios públicos no Brasil em comparação internacional. As simulações utilizam dados administrativos do eSocial (2024), informações sobre custos operacionais e subsídios municipais de doze capitais brasileiras. Foram avaliados cenários com alíquotas de 0,5%, 1% e 2% sobre a folha de pagamento, assim como diferentes arranjos institucionais em que a CTPU substituiria ou complementaria o vale-transporte. As simulações também incluíram cenários de redução tarifária de 50%, de tarifa zero e de distintos aumentos de demanda. Os resultados mostram que a CTPU possui elevado potencial de arrecadação mesmo com alíquotas baixas. Na maioria das cidades analisadas, uma alíquota entre 0,5% e 1% seria suficiente para dobrar o nível atual de subsídio aos sistemas de ônibus. Para reduzir a tarifa em 50%, seriam necessárias alíquotas entre 1,7% e 2,6%. Do ponto de vista distributivo, os efeitos dependem do desenho institucional; assim, consideramos
três arranjos distintos. Uma política que substitui o vale-transporte por uma CTPU, com desconto de 50% sobre as tarifas, beneficiaria 70% dos trabalhadores que atualmente recebem vale transporte. Para estes, em sua maioria de baixa e média renda, o gasto médio com transporte casa trabalho cairia de R$ 79 para R$ 48 por mês. Para as empresas, os custos adicionais são, em média, inferiores a R$ 65 por mês por funcionário (2,09% da folha bruta). Concluímos que a CTPU pode ser uma importante fonte complementar de financiamento. No entanto, o estudo alerta para diversos desafios à sua implementação e efetividade, como a delimitação do escopo do subsídio, a coordenação metropolitana e a readequação de modelos de regulação que promovam transparência nas regras de gestão e de remuneração das operadoras de transporte público.
(Ipea, 2026-06-17) Lopes, Olandia Ferreira; Furtado, Bernardo; Abrantes, Emanuel; Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura - DISET; Olandia Ferreira Lopes; Bernardo Alves Furtado; Emanuel Abrantes
TD 3211
Este estudo analisa os avanços e desafios do Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras e Utilizadoras de Recursos Naturais (CTF/APP) e da base de dados do Relatório de Atividades Potencialmente Poluidoras e Utilizadoras de Recursos Ambientais (RAPP). A metodologia emprega elementos da matriz SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças) e do modelo PESTEL (político, econômico, social, tecnológico, ambiental e legal) para orientar a identificação de pontos de melhoria e a formulação de recomendações técnicas voltadas ao aprimoramento da governança pública ambiental. A pesquisa propõe um framework conceitual para o aperfeiçoamento do CTF/APP e da base RAPP, combinando instrumentos de comando e controle (ICC) com incentivos econômicos (IE). Entre as recomendações de ICC, destaca-se a revisão da Instrução Normativa (IN) no 22/2021 do Ibama, com a sugestão de inclusão de variáveis ambientais cruciais, a obrigatoriedade de preenchimento do RAPP por profissionais habilitados e a integração do CTF/APP aos processos de licenciamento ambiental nas esferas federal, estadual, distrital e municipal. Como incentivo econômico, propõe-se um sistema de recompensas (certificação e selos) para empresas que atendam integralmente às exigências ambientais. Ao aprimorar a governança pública e a eficácia do CTF/APP no monitoramento das atividades potencialmente poluidoras, este estudo contribui para a implementação de programas ambientais em conformidade com a Emenda Constitucional (EC) no 109/2021, art. 37, § 16. Este estudo tem relação direta com a Estratégia Nacional de Governo Digital (EGD), instituída pela Lei no 14.129/2021 (Brasil, 2021b) e regulamentada pelo Decreto no 12.069/2024, que estabelece as diretrizes da EGD para o período de 2024 a 2027 (Brasil, 2024). Essa correlação se evidencia na medida em que esta pesquisa visa ampliar e facilitar o acesso da sociedade às informações sobre o meio ambiente vinculadas às empresas poluidoras brasileiras, bem como promover aos empreendedores um acesso mais equitativo aos serviços de gestão ambiental, em consonância com os princípios de transparência, inclusão e transformação digital previstos na EGD.