Publicação: Exploração do trabalho no capitalismo contemporâneo e desigualdade
Carregando...
Arquivos
Paginação
Primeira página
Última página
Data
Data de publicação
Data da Série
Data do evento
Data
Data de defesa
Data
Edição
Idioma
por
Cobertura espacial
Cobertura temporal
País
BR
organization.page.location.country
Tipo de evento
Tipo
Grau Acadêmico
Fonte original
ISBN
ISSN
DOI
dARK
item.page.project.ID
item.page.project.productID
Detentor dos direitos autorais
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
Acesso à informação
Acesso Aberto
Termos de uso
É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais são proibidas.
Titulo alternativo
Texto para Discussão (TD) 1100: Exploração do trabalho no capitalismo contemporâneo e desigualdade, Exploitation of labor in contemporary capitalism and inequality
item.page.organization.alternative
Variações no nome completo
Autor(a)
Orientador(a)
Editor(a)
Organizador(a)
Coordenador(a)
item.page.organization.manager
Outras autorias
Palestrante/Mediador(a)/Debatedor(a)
Coodenador do Projeto
Resumo
O capitalismo passou por profundas transformações com o fim da clara dualidade entre capitalistas e uma massa homogênea de operários. Atualmente, nota-se um conjunto
muito heterogêneo de trabalhadores, não apenas em suas características produtivas, mas também porque esses trabalhadores passaram a competir entre si por ascensão profissional e financeira. Neste novo contexto, os mercados de trabalho transformaram-se em verdadeiras loterias ou cassinos nos quais os trabalhadores apostavam investimentos em capital humano com objetivo de se tornarem “vencedores”. Tais investimentos são os bilhetes desta loteria ou as fichas deste cassino. Contudo, exatamente como em uma loteria ou em um cassino haverá, necessariamente, vencedores e perdedores. Assim, os trabalhadores de baixa qualificação ou de pequeno estoque de capital humano são, a priori, perdedores, pois encontram-se excluídos de tal loteria.
Como decorrência desta nova estrutura do mercado de trabalho capitalista, em que os vencedores se apropriam do trabalho dos perdedores, surge uma nova forma de exploração do trabalho na qual o instrumento passa a ser o capital humano, em semelhança
àquela tradicional do capital físico, descrita por Marx, que reforça a tendência
inerente de geração de desigualdades por parte do sistema econômico capitalista.
Do ponto de vista de políticas públicas, essa situação coloca limites na democratização do investimento em capital humano como forma de combate à desigualdade, pois o mercado de trabalho está estruturado para que existam vencedores e perdedores. A igualdade de capital humano permite apenas a mesma quantidade de fichas no cassino. O combate à desigualdade não é um mero problema de democratização da educação, sendo, em algum grau, resultado inerente da economia capitalista. Embora a democratização do capital humano seja necessária para a redução da desigualdade, ela é insuficiente. O crescimento econômico também tem limitações no combate à desigualdade na medida em que o incentivo microeconômico, que gera o crescimento macroeconômico, é a busca pela desigualdade.
Diante dessa nova visão, o combate à desigualdade exige uma nova organização do
mercado de trabalho capitalista, assim como a mudança de relação entre crescimento
macroeconômico e igualdade microeconômica exige alterações no comportamento individual que motiva o referido crescimento.
Resumo traduzido
Capitalism has suffered deeper transformation since the Marx's classic work on the exploitation of labour by capital, which proposed the clear duality among capitalists, on one side, and the homogeneous mass of workers, on the other side. Currently, one can observe a very heterogeneous group of workers, not only for their productive characteristics but also for the way they are part of the capitalist way of production. The mass of workers is no long homogeneous because they turned out to compete among themselves in order to gain professional and financial ascension. In this new circumstances, labour markets have become real lotteries or casinos where workers make bet on investments on human capital with a view to become winners. The investments on human capital are like tickets of this lottery or tokens of this casino. However, just like in a lottery or casino, there will be necessarily winners and losers due to reasons which transcend the economic logic. In these conditions, workers with poor qualification or low human capital are, a priori, losers, since they are excluded from the lottery. As a result of this new structure of the capitalist labour market in which winners appropriate the labour of losers, a new form of labour exploitation arises with human capital as instrument and this is similar to the way the traditional form of labour
exploitation instrumentalises physical capital. This new form of exploitation, in
association with the traditional exploitation of capital as described by Marx, reinforces the intrinsic tendency of the capitalist economic system and of the labour market in generating inequalities. From the point of view of public policy, this situation imposes limitations to the
democratisation of the investment on human capital as a form of fighting against
inequalities, since the labour market is structured by reasons which transcend the
economic questions, so that there are winners and losers. The fight against inequality is not a mere problem of democratisation of education, being to some extent a result which is intrinsec to the capitalist economy. Despite the fact that democratisation of human capital is necessary to reduce inequality, it is surely insufficient. This structure of capitalist labour market reinforces the macroeconomic trade-off between efficiency and equality, which is the result of the pursuit of professional and finacial success by individual agents. The microeconomic incentive for efficiency is inequality. From this point of view, the fight against inequality demands a new structure of labour markets. The change of relationship between macroeconomic growth and microeconomic equality demands transformations on individual behavior that motivates such growth.
