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Inovações, padrões tecnológicos e desempenho das firmas industriais brasileiras

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Abstract

O Ipea está desde o início envolvido ativamente na elaboração das Diretrizes da Política Industrial, nas suas principais medidas e ações implementadas, bem como na criação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). É inserido nesse esforço que temos a satisfação de apresentar à sociedade brasileira o mais completo e amplo estudo já realizado sobre a inovação tecnológica na indústria nacional. Este estudo mostrou que as empresas que inovam e diferenciam produtos da indústria brasileira geram postos de trabalho de maior qualidade, pois empregam mão-de-obra mais qualificada, melhor remunerada e com mais estabilidade no emprego. Inovar e diferenciar produtos permite às empresas exportar com maior valor agregado, obtendo preço prêmio nas suas vendas ao exterior. As empresas nacionais gastam mais em pesquisa e desenvolvimento (P&D) como proporção do seu faturamento do que as filiais das empresas estrangeiras instaladas no Brasil, e uma parcela importante dessas empresas tem feito inovações tecnológicas com o objetivo de buscar melhor inserção no mercado mundial. Há, entretanto, muito ainda por ser feito. As exportações brasileiras têm baixo conteúdo tecnológico e ainda são fortemente concentradas em commodities intensivas em recursos naturais e mão-de-obra. As desigualdades produtivas regionais são acentuadas e as pequenas e médias empresas dispõem de poucos meios para inovar e diferenciar seus produtos. Os resultados da pesquisa apresentada neste livro revelam fortemente que muitas firmas brasileiras estão desenvolvendo um comportamento pró-ativo, orientando-se pelas práticas mais nobres da competição: a inovação tecnológica e a diferenciação de produto. As informações coletadas mostram que uma nova visão empresarial tem surgido no país dando sustentação a um novo patamar competitivo da indústria brasileira.

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DE NEGRI, João Alberto; SALERNO, Mario Sergio (org.). Inovações, padrões tecnológicos e desempenho das firmas industriais brasileiras. Brasília, DF: Ipea, 2005. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/3169

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Introdução : Inovações, padrões tecnológicos e desempenho das firmas industriais brasileiras
(Ipea, 2005) De Negri, João Alberto; Salerno , Mario Sergio; João Alberto De Negri; Mario Sergio Salerno
Apresenta o contexto, os objetivos e a motivação do projeto que deu origem ao livro, ressaltando a necessidade de uma análise abrangente sobre as estratégias competitivas das firmas industriais brasileiras diante da abertura econômica e das transformações estruturais recentes. Os autores explicam que a iniciativa surgiu das discussões sobre a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) e especialmente da percepção de Antônio Barros de Castro sobre a ausência de estudos sistemáticos sobre estratégias empresariais no país. A introdução descreve o esforço conjunto do Ipea e de diversas instituições, destacando a integração inédita de múltiplas bases de microdados (Pintec, PIA, Rais, Secex, CEB, CBE, ComprasNet), sempre preservando o sigilo estatístico rigoroso. Também apresenta os eixos temáticos do livro, que incluem análise das categorias de firmas, impactos da inovação sobre emprego e salários, padrões de internacionalização, desigualdades regionais, estratégias setoriais e cooperação tecnológica, além de situar o capítulo metodológico como eixo estruturante da obra. A introdução reforça que o projeto buscou fornecer subsídios qualificados a políticas públicas e aprofundar a compreensão da dinâmica competitiva da indústria brasileira.
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Inovações, padrões tecnológicos e desempenho das firmas industriais brasileiras
(Ipea, 2005) De Negri, João Alberto; Salerno, Mario Sergio; Castro, Antonio Barros de; João Alberto De Negri; Mario Sergio Salerno; Antonio Barros de Castro
Discute como a abertura econômica e a intensificação da concorrência nos anos 1990 evidenciaram limites da indústria brasileira e reforçaram a centralidade da inovação tecnológica como motor da competitividade. Os autores apresentam o projeto do Ipea que integra bases de dados industriais e propõe uma tipologia de firmas por estratégias competitivas: (i) empresas que inovam e diferenciam produtos, (ii) empresas especializadas em produtos padronizados e (iii) empresas que não diferenciam e têm menor produtividade. A análise mostra que, embora o primeiro grupo seja numericamente pequeno, ele concentra parcela expressiva do faturamento, apresenta maior produtividade e liderança de mercado e está associado a melhores salários e maior qualificação/estabilidade do emprego; por outro lado, predomina na indústria o conjunto de firmas voltadas à padronização e redução de custos. O capítulo também aponta diferenças entre firmas nacionais e estrangeiras quanto ao esforço inovativo e discute a relação entre inovação, inserção externa e agregação de valor nas exportações, concluindo pela relevância de políticas públicas e instrumentos que ampliem o esforço inovador e a diferenciação de produtos como base de um desenvolvimento industrial mais virtuoso.
Item type:Publication,
Diferenciação salarial segundo critérios de desempenho das firmas industriais brasileiras
(Ipea, 2005) Bahia, Luiz Dias; Arbache, Jorge Saba; Luiz Dias Bahia; Jorge Saba Arbache
Investiga se firmas industriais brasileiras com melhor desempenho e maior capacidade inovativa pagam salários mais altos, analisando a diferenciação salarial a partir de uma classificação de empresas por desempenho (firmas que inovam e diferenciam produtos; firmas especializadas em produtos padronizados; e firmas que não diferenciam produtos e têm menor produtividade). A discussão teórica mobiliza evidências de diferenciação salarial persistente e aborda explicações como salário‑eficiência e “rent sharing”, associando prêmios salariais à capacidade de inovar, exportar e obter economias de escala. Empiricamente, os autores estimam regressões em corte transversal para o ano de 2000, combinando bases como Rais, Pintec, PIA e Bacen, para verificar se, mesmo controlando características dos trabalhadores e das firmas (escolaridade, idade, tempo de emprego, rotatividade, tamanho, P&D, multinacionalidade, localização e setor), permanecem diferenças salariais entre as categorias. Os resultados indicam prêmio salarial mais elevado nas firmas que inovam e diferenciam produtos, prêmio praticamente nulo nas especializadas em padronizados e salários inferiores nas firmas de menor produtividade, sugerindo implicações para políticas públicas que promovam mudança de desempenho e capacitação tecnológica, com efeitos sociais positivos sobre a remuneração do trabalho.
Item type:Publication,
Padrões tecnológicos e de comércio exterior das firmas brasileiras
(Ipea, 2005) Fernanda De Negri; Fernanda De Negri
Analisa como tecnologia, padrões inovativos e capacidades competitivas influenciam a inserção das firmas brasileiras no comércio exterior. Partindo de uma revisão das teorias que relacionam tecnologia e comércio internacional, o texto discute o padrão de especialização brasileiro, historicamente marcado pela concentração em commodities e produtos de baixa intensidade tecnológica. Utilizando dados da Pintec, PIA e Secex, o estudo demonstra que inovação tecnológica — especialmente inovações de processo e, em menor grau, de produto — aumenta de forma significativa a probabilidade e o volume de exportações das firmas. Mostra ainda que empresas que inovam e diferenciam produtos apresentam melhor desempenho exportador em segmentos de média e alta tecnologia, enquanto firmas especializadas em produtos padronizados permanecem concentradas em commodities. O capítulo conclui enfatizando a necessidade de políticas de estímulo à inovação para elevar o conteúdo tecnológico das exportações brasileiras, reduzir vulnerabilidades externas e melhorar o posicionamento competitivo do país no comércio internacional.
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Esforços tecnológicos das firmas transnacionais e domésticas
(Ipea, 2005) Araújo, Rogério Dias de; Rogério Dias de Araújo
Analisa comparativamente os esforços tecnológicos de firmas transnacionais e domésticas na indústria brasileira, destacando diferenças estruturais, padrões de inovação e efeitos de transbordamento associados à presença de empresas estrangeiras. A partir de dados da Pintec, PIA, Secex e Censo de Capitais Estrangeiros, o estudo demonstra que, embora as transnacionais inovem com maior frequência, seus dispêndios em P&D interno tendem a ser menores e voltados predominantemente à adaptação de produtos e processos desenvolvidos no exterior. As firmas domésticas, por sua vez, investem proporcionalmente mais em P&D, porém apresentam menor frequência de resultados inovadores e menor integração com redes de conhecimento externas. O capítulo investiga ainda potenciais spillovers — horizontais e verticais — sobre empresas nacionais, identificando predominância de efeitos positivos especialmente em firmas de produtos padronizados e de menor produtividade, embora efeitos negativos também ocorram dependendo da estrutura concorrencial. Conclui-se que a presença estrangeira influencia o comportamento inovativo nacional, mas não substitui a necessidade de políticas consistentes de fortalecimento da capacidade tecnológica interna.
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