Apresenta-se, neste trabalho, uma análise exploratória das diferenças e semelhanças nas estruturas de rendimentos e gastos entre famílias brasileiras chefiadas por mulheres e por homens, com base nos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2002-2003, do IBGE. A pesquisa parte da hipótese de que os padrões de consumo são influenciados por papéis socialmente atribuídos ao sexo dos indivíduos, refletindo-se em suas decisões de gasto. Diferentemente das abordagens tradicionais centradas em famílias biparentais heterossexuais, o estudo busca considerar os novos arranjos familiares, especialmente o crescimento de domicílios chefiados por mulheres. Sem recorrer a modelos estatísticos complexos, o trabalho apresenta informações descritivas que permitem caracterizar os perfis de consumo e renda desses diferentes tipos de família, destacando a importância de políticas públicas que levem em conta as dinâmicas internas e as preferências de gasto de cada membro familiar. A análise individual dos dispêndios, especialmente quando comparados por sexo, revela diferenças significativas, contribuindo para o entendimento de programas como o Bolsa Família, que prioriza as mulheres como titulares do benefício por seu papel reconhecido na gestão dos recursos em favor do bem-estar familiar.
(Ipea, 2007) Luana Simões Pinheiro; Soares, Sergei Suarez Dillon; Fontoura, Natália de Oliveira; Sergei Suarez Dillon Soares; Natália de Oliveira Fontoura; Luana Pinheiro
Analisa a evolução das desigualdades educacionais e de rendimento entre negros e brancos no Brasil, destacando avanços e permanências estruturais no período recente. Os autores examinam indicadores de escolaridade, progressão educacional, inserção no mercado de trabalho e níveis salariais, evidenciando que, embora haja melhora significativa nos anos de estudo da população negra, o diferencial de rendimentos permanece elevado, refletindo tanto diferenças acumuladas de capital humano quanto discriminações persistentes no mercado de trabalho. A análise mostra que as desigualdades raciais estão associadas a múltiplos mecanismos, desde oportunidades educacionais iniciais até barreiras ocupacionais, apontando para a necessidade de políticas públicas que reduzam desigualdades históricas e promovam equidade de acesso e recompensa no mercado de trabalho.