(Ipea, 2019) Machado, Felipe Augusto; Claudio Roberto Amitrano; Coordenação de Pós-Graduação e Capacitação - COPGC; Felipe Augusto Machado; Mauro Oddo Nogueira; Gala, Paulo Sérgio O. S.; Magalhães, Luis Carlos G. de; Claudio Roberto Amitrano
Este estudo tem como objetivo avaliar a implementação das políticas industriais brasileiras do século XXI (PITCE, PDP e PBM) a partir dos conceitos e instrumentos da Abordagem da Complexidade Econômica. Utilizou como base de dados os desembolsos aprovados pelo BNDES, separados conforme as atividades econômicas que os solicitaram e as políticas industriais que estavam vigentes. Converteu os indicadores da Abordagem da Complexidade Econômica do nível dos produtos para o das atividades econômicas. Ponderou os indicadores pelos montantes dos desembolsos aprovados. O estudo conclui que, se as atividades econômicas contempladas se desenvolvessem na mesma medida dos montantes aprovados, a complexidade econômica do Brasil se reduziria, pois eles estiveram mais voltados para atividades econômicas simples. As políticas industriais tampouco se caracterizaram por buscar a diversificação da estrutura produtiva brasileira, tendo se concentrado em atividades em que o Brasil já possuía conhecimento produtivo e competitividade. Demonstra que, no Brasil, as atividades econômicas mais complexas, e aquelas que demandam conhecimentos produtivos similares aos de outras atividades complexas, tendem a estar situadas a uma longa distância da estrutura produtiva vigente, demandando conhecimentos produtivos distintos dos existentes. Apesar disso, as políticas industriais não se caracterizaram por implementarem maior esforço para desenvolver as atividades distantes, mesmo sendo mais complexas. Essa estratégia de diversificação pode ser considerada conservadora, pois reduz os riscos de insucesso, mas tende a não gerar saltos de complexidade e pode não justificar os desembolsos aprovados, tendo em vista o baixo nível de complexidade das atividades contempladas.