(Ipea, 2006) Barros, Ricardo Paes de; Ulyssea, Gabriel; Cury, Samir; Ricardo paes de Barros; Samir Cury; Gabriel Ulyssea
Investiga se a desigualdade de renda no Brasil está subestimada devido às limitações de mensuração típicas de pesquisas domiciliares, com foco na PNAD, comparando-a a duas bases de natureza distinta: a POF (pesquisa domiciliar mais detalhada sobre renda/consumo) e o Sistema de Contas Nacionais (SCN). Os autores mostram que, embora a POF estime renda total familiar cerca de 26% maior que a PNAD, o grau de desigualdade medido (como o coeficiente de Gini) é praticamente idêntico entre ambas, sugerindo que a subestimação da renda ocorre tanto entre pobres quanto entre ricos, com forte incidência no décimo mais pobre. Ao contrastar pesquisas domiciliares com o SCN, identificam-se diferenças relevantes na composição das rendas (trabalho, ativos e transferências), mas simulações indicam que o impacto dessas discrepâncias sobre a desigualdade é relativamente pequeno (em geral entre 1% e 2% no pior cenário). Por fim, ao avaliar a evolução entre 2001 e 2003, o capítulo não encontra evidências de que a subestimação da renda na PNAD tenha provocado superestimação da queda recente da desigualdade; ao contrário, os resultados sugerem possível subestimação dessa queda.
(Ipea, 2006) Ferreira, Francisco H. G.; Leite, Phillippe G.; Litchfield, Julie A.; Ulyssea, Gabriel; Francisco H. G. Ferreira; Phillippe G. Leite; Julie A. Litchfield; Gabriel Ulyssea
Analisa a evolução da desigualdade de renda no Brasil entre 1981 e 2005 utilizando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), destacando três períodos distintos: o aumento contínuo da desigualdade durante os anos 1980, a forte volatilidade entre 1989 e 1993 e a queda persistente observada entre 1993 e 2005, com aceleração expressiva entre 2001 e 2005. Por meio de decomposições estáticas e dinâmicas, os autores identificam os principais fatores associados a essas mudanças, como inflação elevada, retornos crescentes e posteriormente decrescentes da educação, convergência entre rendas urbanas e rurais e expansão das transferências governamentais. O estudo também avalia a relação entre desigualdade e variáveis macroeconômicas, especialmente a inflação, que se mostrou fortemente correlacionada à concentração de renda no período de hiperinflação. O capítulo conclui destacando a importância de fatores estruturais — educacionais, territoriais, demográficos e institucionais — na trajetória da desigualdade e indica caminhos para pesquisas futuras.
Discute a segmentação do mercado de trabalho brasileiro e sua influência sobre a desigualdade de rendimentos, destacando como diferentes grupos de trabalhadores enfrentam condições distintas de inserção e remuneração. O autor utiliza evidências empíricas para mostrar que a segmentação entre setores formal e informal, assim como entre ocupações, exerce impacto significativo sobre a distribuição de salários, reforçando barreiras estruturais que afetam principalmente os trabalhadores menos qualificados. A partir de exercícios contrafactuais e decomposições distributivas, o estudo evidencia que a segmentação contribui para ampliar e sustentar disparidades de renda ao longo do tempo, revelando a necessidade de políticas que reduzam desigualdades estruturais no mercado de trabalho.