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Avanços do Brasil no processo de acessão à OCDE : a adesão aos códigos de liberalização do movimento de capitais e de operações correntes intangíveis

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Resumo

Um dos temas mais sensíveis no processo de acessão do Brasil à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) refere-se à adesão do país a dois de seus instrumentos: o Código de Liberalização do Movimento de Capitais (Code of Liberalisation of Capital Movements – CLCM) e o Código de Liberalização de Operações Correntes Intangíveis (Code of Liberalisation of Current Invisible Operations – CLCIO). Neste artigo analisam-se os esforços mais recentes do Brasil no sentido de adequar a regulação doméstica a esses dois códigos. Para isso, apresenta-se como o país se aproximou da OCDE desde a década de 1990, examina-se o conteúdo dos dois códigos, a partir de seus objetivos, conceitos e direitos dos signatários, e discute-se como lidar com as medidas restritivas. O artigo recupera o caminho percorrido pelo país no processo de acessão, desde o desenho de um roteiro (roadmap), passando, no caso dos dois códigos, pela determinação de normas e práticas a serem aperfeiçoadas, pelo conhecimento da experiência de países emergentes que aderiram aos códigos e também a de outros países que o fizeram recentemente, pela realização de missões técnicas, pela coordenação das ações dos atores envolvidos e pela negociação da adesão aos referidos instrumentos. Após esse processo, a OCDE analisou o grau de adequação do arcabouço regulatório e de práticas do Brasil e foram realizadas mudanças legislativas. O processo de adesão aos códigos será finalizado com a ratificação pelo Congresso Nacional. O texto também avalia os benefícios esperados com a adesão aos códigos, assim como examina alguns argumentos contra a adesão de países emergentes aos mesmos, que poderia criar condições para a ocorrência de crises financeiras. A análise dos documentos da OCDE demonstra que não é objetivo da entidade a liberalização de capitais e que não há presunção de que a liberalização plena seja um objetivo adequado para todos os países e em todas as condições. A OCDE defende a atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI) de modo complementar à sua e entende como sendo papel do fundo a sugestão de aplicação de medidas macroprudenciais que permitam atenuar episódios extremos de fluxos de capitais.

Resumo traduzido

One of the most sensitive issues regarding Brazil’s accession process to the Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD) refers to the country’s adhesion to two instruments: the Code of Liberalisation of Capital Movements (CLCM) and the Code of Liberalisation of Current Invisible Operations (CLCIO). This article analyzes Brazil’s most recent efforts to adapt its domestic regulation to these codes. It presents the means by which the country has gotten closer to the OECD since the 1990s and examines the content of the two codes – their objectives, concepts and signatories’ rights – besides discussing how to deal with their restrictive measures. The article recovers the path taken by the country over the accession process, which recently reached the establishment of a roadmap. It evaluates the benefits usually associated to the adhesion to the codes, but also examines some arguments posed against the adhesion by emerging countries, in the sense that this could create conditions for the occurrence of financial crises. Analysis of OECD’s documents indicates that capital liberalization is not a goal of the organisation. Moreover, there is no presumption that full liberalization is an appropriate objective for every country and under any condition. The organization recognizes the work of the International Monetary Fund (IMF) as complementary to its own work and perceives as IMF’s role recommending macroprudential measures as a means to mitigate episodes of extreme capital flows.

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THORSTENSEN, Vera; MEGALE, Tiago Matsuoka. Avanços do Brasil no processo de acessão à OCDE : a adesão aos códigos de liberalização do movimento de capitais e de operações correntes intangíveis. Boletim de Economia e Política Internacional, Brasília, DF: Ipea, n. 36, p. 59-78, maio/ago. 2023. DOI: http://dx.doi.org/10.38116/bepi36art3

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