Artigos de Revista

URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/17427

Navegar

Submissões Recentes

Agora exibindo 1 - 20 de 5898
  • Publicação
    Visão Geral da Conjuntura : Carta de Conjuntura, n. 70, jan./mar., 2026
    (Ipea, 2026-04) Claudio Hamilton Matos dos Santos; Claudio Roberto Amitrano; Monica Mora Y Araujo de Couto e Silva Pessoa; Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas - DIMAC; Claudio Hamilton Matos dos Santos; Cláudio Roberto Amitrano; Mônica Mora Y Araujo
    Carta de Conjuntura 70
    Conforme previsto na última Visão Geral da Conjuntura (Nota Técnica no 22, Carta de Conjuntura no 69, de dezembro de 2025), o produto interno bruto (PIB) da economia brasileira fechou o ano de 2025 com crescimento de 2,3%. Ademais, os dados do quarto trimestre – com o PIB crescendo 0,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior na série dessazonalizada – se mostraram compatíveis com o diagnóstico do grupo no final do ano passado, segundo o qual a economia estaria em um “pouso suave” “(...) “sem ruptura abrupta do nível de atividade, mas com clara perda de tração da demanda interna”.
  • Publicação
    Indicadores mensais de indústria, comércio e serviços : Carta de Conjuntura, Rio de Janeiro, n. 70, jan./mar., 2026
    (Ipea, 2026-04) Leonardo Mello de Carvalho; Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas - DIMAC; Leonardo Mello de Carvalho
    Carta de Conjuntura 70
    O produto interno bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025, na série dessazonalizada, mantendo o ritmo modesto de expansão observado nos dois períodos anteriores. Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, a economia avançou 1,8%, encerrando o ano com crescimento de 2,3%. Esses resultados, já antecipados pelo comportamento dos indicadores mensais de atividade econômica ao longo do último trimestre do ano, reforçam o diagnóstico de desaceleração gradual da economia em 2025, em um contexto marcado pelos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre os componentes mais sensíveis ao ciclo doméstico. O encarecimento do crédito, a compressão das condições financeiras e a piora de indicadores como o comprometimento da renda com o serviço da dívida e a inadimplência ajudaram a conter o ritmo de expansão do consumo das famílias e, sobretudo, do investimento. Ainda assim, o enfraquecimento da atividade ocorreu de forma gradual e sem ruptura mais aguda, preservando um quadro de desaceleração moderada. Ao mesmo tempo, alguns vetores seguiram atuando como contraponto a esse ambiente de aperto financeiro. O mercado de trabalho permaneceu resiliente, com sustentação do emprego e dos ganhos reais de renda, ao passo que medidas governamentais voltadas à preservação do acesso ao crédito e à sustentação da renda ajudaram a limitar os efeitos contracionistas da política monetária. Em síntese, 2025 terminou com uma economia operando em duas velocidades: de um lado, ramos mais cíclicos perdendo tração; de outro, segmentos mais exógenos e o mercado de trabalho evitando uma desaceleração mais intensa.
  • Publicação
    Análise e projeções de inflação : Carta de Conjuntura, Rio de Janeiro, n. 70, jan./mar., 2026
    (Ipea, 2026-04) Maria Andreia Parente Lameiras; Tarsylla da Silva de Godoy Oliveira; Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas - DIMAC; Maria Andréia Parente Lameiras; Tarsylla da Silva de Godoy Oliveira
    Carta de Conjuntura 70
    Embora os dados mais recentes mostrem um processo de desinflação consistente, possibilitado, especialmente, pela valorização cambial de 3,5% ocorrida no último trimestre, e de 16% desde o último pico do dólar no final de dezembro de 2024, a eclosão do conflito entre os Estados Unidos e o Irã trouxe incertezas a respeito da continuidade deste processo de desinflação e riscos de uma possível nova aceleração da inflação.
  • Publicação
    Panorama Fiscal : evolução recente e perspectivas : Carta de Conjuntura, Rio de Janeiro, n. 70, jan./mar., 2026
    (Ipea, 2026-04) Cavalcanti, Marco Antônio Freitas de Hollanda; Sérgio Fonseca Ferreira; Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas - DIMAC; Marco A. F. H. Cavalcanti; Sergio Fonseca Ferreira
    Carta de Conjuntura 70
    Em 2025, o resultado primário do governo central apresentou deterioração em relação ao ano anterior, encerrando dezembro com déficit acumulado de R$ 60,6 bilhões, em valores de dezembro de 2025, contra R$ 45,8 bilhões em 2024. Em proporção do produto interno bruto (PIB), o déficit primário também aumentou, passando de 0,36% em 2024 para 0,48% em 2025. Apesar do crescimento real da receita primária no ano (3,2%), sustentado principalmente pelo bom desempenho das receitas administradas pela Receita Federal do Brasil (RFB) e pela arrecadação líquida do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), a expansão das despesas primárias (3,4%) e o aumento das transferências por repartição de receitas (4,8%) impactaram negativamente o resultado primário de 2025.
  • Publicação
    Ação afirmativa para mulheres no serviço público federal : a experiência pioneira do Itamaraty no concurso de admissão à carreira diplomática
    (Ipea, 2025-12) Costa, Larissa Maria Lima; Silva, Diego Batista; Nogueira, Éveri Sirac; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Larissa Maria Lima Costa; Diego Batista Silva; Éveri Sirac Nogueira
    Persistem no mercado de trabalho brasileiro, inclusive no serviço público federal, desigualdades significativas de gênero e raça, particularmente em carreiras de maior prestígio e remuneração, como a diplomacia. Nesse contexto, o artigo analisa ação afirmativa voltada especificamente à ampliação do ingresso de mulheres em concurso público do Poder Executivo federal, implementada no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. A análise insere-se no cenário mais amplo de fortalecimento das políticas de diversidade e inclusão, impulsionado pelo Programa Federal de Ações Afirmativas. O estudo combina análise quantitativa descritiva, fundamentada em dados estatísticos oficiais e dados primários de desempenho de candidatas e candidatos no concurso nos últimos anos, e interpretação do arcabouço normativo-institucional, pesquisa documental e referências bibliográficas. A partir de uma perspectiva de gênero com enfoque interseccional, os resultados indicam que a ação analisada contribuiu para maior equilíbrio de gênero na etapa decisiva do concurso e para o aumento do número final de mulheres aprovadas, evidenciando o potencial da medida para mitigar distorções historicamente reproduzidas no acesso à carreira diplomática. Conclui-se que a experiência do Itamaraty constitui referência relevante para a formulação de políticas semelhantes em outros concursos públicos.
  • Publicação
    Direito de migrar e tratamento digno : desafios em torno das condições dos migrantes sob o olhar da política trumpiana
    (Ipea, 2025-12) Pereira, Alexandre Pimenta Batista; Siqueira, Sueli; Pinto, Franco Dani Araújo e; Assis, Gláucia de Oliveira; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Alexandre Pimenta Batista Pereira; Sueli Siqueira; Franco Dani Araújo e Pinto; Gláucia de Oliveira Assis
    A atual política migratória de Donald Trump, nos Estados Unidos, promove desafios à compreensão do direito de migrar e ao tratamento proporcionado aos migrantes em situações concretas. Neste artigo, as práticas de restrição migratória e do discurso nacionalista são contrastadas com a interpretação abrangente da Declaração Universal dos Direitos Humanos. São analisados os diplomas jurídicos internacionais sobre a não discriminação e xenofobia e o impacto das ações trumpianas em imigrantes indocumentados. Como instrumentos metodológicos, utiliza-se da análise documental, revisão normativa e referenciais bibliográficos das ciências jurídicas e sociológicas. O artigo também examina a situação dos migrantes brasileiros, o imaginário do retorno e o medo da deportação, destacando o papel da comunicação oficial na construção de uma narrativa anti-imigrante. Com o fito de se consolidar um solidarismo ao trabalho decente, serão destacadas a importância do tratamento digno aos migrantes e a necessidade de combater o discurso de ódio e de violência, com foco na construção da paz universal.
  • Publicação
    Soberania em disputa : narcocrime, crimes ambientais e securitização climática na Amazônia no contexto da COP30
    (Ipea, 2025-12) Nobre, Thiago Lacerda; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Thiago Lacerda Nobre
    A 30a Conferência das Partes (30th Conference of the Parties – COP30), realizada em Belém, insere a Amazônia no epicentro da política climática internacional, mas também expõe as contradições estruturais da política ambiental brasileira. Este artigo analisa como a convergência entre narcocrime, crimes ambientais e securitização climática fragiliza a soberania nacional e, simultaneamente, legitima discursos internacionais de ingerência. Partindo de uma perspectiva realista, em diálogo com a teoria da securitização e o conceito de macrossecuritização, sustenta-se que a retórica de liderança ambiental brasileira funciona como estratégia de disfarce, apoiada em um arcabouço normativo ambíguo no qual o Código Florestal ocupa posição central. Demonstra-se que a formação de uma economia ilícita amazônica – baseada na sobreposição de desmatamento, garimpo, contrabando e narcotráfico – não apenas compromete o cumprimento das metas do Acordo de Paris, mas também é mobilizada como justificativa para narrativas externas que tratam a Amazônia como “bem comum da humanidade”. Argumenta-se que a soberania verde, embora concebida como recurso estratégico para reforçar a autonomia nacional, pode ser percebida por atores externos como barreira à cooperação, alimentando pressões por monitoramento internacional e condicionalidades econômicas. Conclui-se que a COP30 representa para o Brasil uma arena de duplo risco: de um lado, oportunidade para consolidar-se como potência ambiental soberana; de outro, risco de ver reforçada a percepção de que sua incapacidade de conter ilícitos internos justifica medidas extraordinárias no plano internacional no âmbito da governança climática global.
  • Publicação
    Desafios no acesso à água tratada na Amazônia brasileira : o potencial das tecnologias sociais
    (Ipea, 2025-12) Farias, Hilder André Bezerra; Silva, Harley; Ventura Neto, Raul da Silva; Gomes, Raquel Oliveira; Rocha, Raíssa; Folhes, Gabriel Pisa; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Hilder André Bezerra Farias; Harley Silva; Raul da Silva Ventura Neto; Raquel Oliveira Gomes; Raíssa Rocha; Gabriel Pisa Folhes
    Este artigo discute as condições de acesso à água tratada na Amazônia Legal. O estudo busca problematizar as capacidades das tecnologias tradicionais e as alternativas de tecnologias sociais como formas de viabilizar a segurança hídrica na região, considerando os desafios de captação e tratamento de água no contexto territorial local. Uma ênfase especial é dada às populações rurais. Apresenta-se um Índice de Acesso Hídrico, construído a partir de indicadores ambientais, territoriais, institucionais e socioeconômicos, utilizando a Análise de Componentes Principais. Discute-se também a aplicabilidade de diferentes tecnologias sociais alternativas, presentes na literatura, à luz dos indicadores estruturais da região. Os resultados registram a distribuição espacial da insegurança hídrica e o papel que as dificuldades de tratamento (e não de acesso) desempenham na superação dessa barreira. Adicionalmente, são apresentadas estimativas de populações totais e rurais com acesso inadequado à água. Destaca-se que os 20% dos municípios com os piores valores no índice concentram mais da metade das mais de 3 milhões de pessoas estimadas em situação de acesso inadequado à água na região, com um desequilíbrio que afeta de forma desproporcional as comunidades rurais.
  • Publicação
    A Bioeconomia como estratégia possível para o desenvolvimento sustentável da Amazônia : o contexto do estado do Amapá
    (Ipea, 2025-12) Júlia Benfica Senra; Sérgio Felipe Melo da Silva; Salema, Claudia de Oliveira Faria; Felipe Vella Pateo; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Júlia Benfica Senra; Sérgio Felipe Melo da Silva; Cláudia de Oliveira Faria Salema; Felipe Vella Pateo
    A crise climática revela em escala global a interconectividade planetária e as retroalimentações entre suas esferas (litosfera, hidrosfera, biosfera, atmosfera). Diante disso, a percepção de modelos de desenvolvimento nocivos às condições justas e saudáveis de vida levou a inúmeros estudos e discussões internacionais sobre a necessidade de novos rumos, o que levou ao conceito de desenvolvimento sustentável. Uma das principais apostas de modelos de desenvolvimento sustentável para o Brasil, país megabiodiverso, é a implementação de atividades atreladas à bioeconomia. Quando aplicamos tais conceitos à Amazônia, a complexidade da região exige que o desenvolvimento sustentável seja pensado a partir de uma abordagem integradora, capaz de considerar simultaneamente dimensões sociais, ambientais, culturais e econômicas. O estado do Amapá, inserido no bioma Amazônia e na Amazônia Legal, representa um território estratégico para a implementação do desenvolvimento sustentável, considerando os desafios socioeconômicos já enfrentados pela população local – com riscos de se manterem ou se agravarem para as gerações futuras –, bem como se considerarmos a grande potencialidade territorial para se aliar conservação da natureza a geração de renda. Assim, discutimos elementos de diagnósticos e instrumentos de políticas públicas em curso que têm o potencial de impulsionar o desenvolvimento sustentável no Amapá, com ênfase no caso do arquipélago do Bailique, analisando aspectos das políticas públicas como coordenação, governança e participação social.
  • Publicação
    Banco da Amazônia e fundo constitucional de financiamento do Norte (2007-2020) : crédito público e integração regional transfronteiriça
    (Ipea, 2025-12) Nunes, Álvaro Marcelino; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Álvaro Marcelino Nunes
    Este artigo buscou expressar a relação das mudanças políticas e organizacionais do Banco da Amazônia S.A. (BASA) com o processo de operacionalização do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) no período de 2007 a 2020, levando em consideração uma interpretação desse objeto por meio do uso de resultados empíricos baseados em fatores estruturais. Como justificativa, tem-se que a compreensão sobre o objeto de pesquisa, tratado neste artigo, é fundamental para uma maior visibilidade das vicissitudes e progressos pelos quais o BASA passou durante o período de 2007 a 2020, pois o BASA é uma entidade pública federal que sempre acompanhou as mutabilidades estruturais brasileiras. Ademais, a pesquisa deste artigo é de natureza qualitativa, do tipo descritiva, fundamentada em dados secundários e realizada na modalidade bibliográfica com base nos autores que discutem o desenvolvimento regional, a integração regional e as políticas de desenvolvimento regional. Os resultados mostram que o FNO tem apresentado limitações em sua eficiência alocativa. Observou-se que o fundo não logrou êxito em fomentar capacidades produtivas endógenas na região Norte, tampouco em superar a dependência estrutural em relação aos polos tecnológicos e econômicos dominantes. Além disso, a atuação do crédito público mostrou-se insuficiente para consolidar a integração regional transfronteiriça da região Norte brasileira.
  • Publicação
    The New development bank and the ecological transition : decoupling development finance from core currency hegemony ?
    (Ipea, 2025-12) Godinho, Enzo de Moraes; Mattos, Beatriz Simonetti de; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Enzo de Moraes Godinho; Beatriz Simonetti de Mattos
    This paper investigates the role of the New Development Bank (NDB) in challenging global financial hierarchies while fostering an ecological transition. The NDB, established by the BRICS nations, has a mechanism of providing development finance in local currency, which could reduce dependency on core currencies like the dollar (USD) and euro (EUR), offering an alternative for peripheral economies to finance sustainable development. Given the institutionalization of the green economy agenda and the rise of green finance, the paper raises elements to assess whether the NDB effectively contributes to the ecological transition through its investment strategy. The analysis builds on structuralist and dependency theories, identifying three interlinked hierarchies – productive, currency, and environmental – that shape global financial asymmetries. Then, the NDB’s project portfolio from 2016 to 2024 is analysed, focusing on the interplay between the projects’ area of operation, currency of funding, and country of implementation. The findings indicate that, while the NDB has made strides in funding sustainable infrastructure, its operations remain largely embedded within dominant currency systems. Only China and, to a lesser extent, South Africa have successfully leveraged national currencies, whereas other BRICS and partner countries remain heavily reliant on core currencies. Ultimately, while the NDB represents an important step toward a multipolar financial system, its potential to drive systemic change hinges on further institutional reforms, political commitment and expanded local currency financing – which is in line with the funding trends observed in the last years of NDB’s operations.
  • Publicação
    Diplomacia da fome e transição sistêmica : o Brasil como potência agroambiental no século XXI
    (Ipea, 2025-12) Fabrizio, Isadora Brand; Mros, Günther Richter; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Isadora Brand Fabrizio; Günther Richter Mros
    A ordem internacional contemporânea passa por uma metamorfose no século XXI, reconfigurando o sistema internacional em contraste com o pós-Guerra Fria. Este trabalho propõe que o fator ecológico e ambiental é central na constituição dessa nova ordem, como gerador de conflitos e ameaças globais, especialmente para os mais vulneráveis. Nesse contexto, países em desenvolvimento, como o Brasil, ganham relevância na governança ambiental, abordando temas como adaptação climática e soberania alimentar. A política externa brasileira, no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, destaca-se pela centralidade das questões climáticas e pela defesa da reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CSNU) e do sistema financeiro internacional. O Brasil, que ao longo do século XX transformou sua imagem ambiental no cenário internacional, busca retomar seu protagonismo com o fortalecimento de políticas socioambientais. A luta contra a fome, amparada pela Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, é um dos pilares dessa atuação. Utilizando o método indutivo e o estudo de caso, a pesquisa realiza uma análise de conteúdo, baseada em Bardin (2016), dos discursos de Lula no primeiro ano de seu mandato. Foram estudados 65 pronunciamentos internacionais, revelando a centralidade do tema da fome e da segurança alimentar como prioridades da nova ordem global. Os resultados indicam o esforço da diplomacia brasileira em firmar alianças que integrem a erradicação da fome e o combate às mudanças climáticas, buscando projetar o Brasil como líder em sustentabilidade em um século caracterizado por crises ambientais. Nesse sentido, os discursos de 2023 antecipam a tônica que poderá marcar a presidência rotativa do BRICS pelo Brasil em 2025, projetando o país como articulador de agendas que integrem segurança alimentar, sustentabilidade e cooperação entre países do Sul global.
  • Publicação
    Justiça ambiental e fundos indígenas : financiamento climático e a proposta de uma nova dimensão para a justiça
    (Ipea, 2025-12) De Jongh Filho, Louis Philippe Patrick; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Louis Philippe Patrick De Jongh Filho
    Este artigo explora as dimensões de participação de Nancy Fraser em relação aos fundos indígenas. O objetivo do trabalho é realizar estudo de caso sobre esses fundos, mecanismos de captação de recursos para a gestão territorial e ambiental das comunidades indígenas. Por meio de três entrevistas semiestruturadas com representantes do Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), do Fundo Indígena da Amazônia Brasileira (Podáali) e do Fundo Rutî, bem como de pesquisa documental e bibliográfica, analisou-se o financiamento climático para comunidades indígenas mediante uma abordagem qualitativa interpretativa fundamentada nas dimensões propostas pela autora. Os resultados apontam para a aplicabilidade da teoria à luz das dimensões de redistribuição, reconhecimento e representação e para a necessidade de incorporar uma nova dimensão ao arcabouço analítico original: a dimensão ambiental, cuja solução é a regeneração.
  • Publicação
    The Risks of productive specialization based on natural resources : the case of the state of Pará
    (Ipea, 2025-12) Silva, André Luiz Ferreira e; Diniz, Marcelo Bentes; Diniz, Márcia Jucá Teixeira; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; André Luiz Ferreira e Silva; Marcelo Bentes Diniz; Márcia Jucá Teixeira Diniz
    This study evaluates to what degree price shocks among mineral commodities have altered the pattern of exports and the industrial productive structure in the state of Pará from 2004-2016. In order to do so, this study has used a Vector Auto-Regressive (VAR) model, capable of tracking economic correlations involving its mining and manufacturing sector, as well as its transformation sector. Results demonstrate that the high volatility of mineral commodities prices has prejudiced exports, production, and employment within the manufacturing sector in recent years, which may have led to a premature deindustrialization process within this small regional economy and in the same time has keeping Pará State as one biggest responsible for environmental degradation in Amazon region.
  • Publicação
    Interesses econômicos e justiça socioambiental : comunidades quilombolas e o mercado de carbono na Amazônia
    (Ipea, 2025-12) Gadotti, Célia; Enriquez, Maria Amélia; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Célia Gadotti; Maria Amélia Enriquez
    Este estudo contribui para o debate sobre sustentabilidade e justiça climática, enfatizando a importância de políticas públicas envolvendo comunidades tradicionais, como os quilombolas, que desempenham papel fundamental na preservação da floresta amazônica. O texto foca o dilema entre os interesses econômicos de empresas privadas e a necessidade de proteção ambiental e justiça social de comunidades vulneráveis, enumerando os desafios e as oportunidades para conciliar essa questão, incluindo breve análise comparativa com outros países amazônicos. A hipótese é que, embora os contratos de redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+) ofereçam oportunidades econômicas, a efetiva implementação das políticas frequentemente falha na inclusão das comunidades. Os resultados revelam que as políticas públicas podem contribuir para equilibrar esses interesses que, em geral, são colidentes, todavia há problemas relevantes na efetiva adoção (recursos financeiros), na implementação (inclusão) e no acompanhamento (avaliação, monitoramento) dessas políticas que comprometem as garantias aos direitos dessas comunidades
  • Publicação
    Sementes da transformação : o BRICS e a governança agroalimentar internacional
    (Ipea, 2025-12) Schneider, Laura; Ramos, Leonardo; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Laura Schneider; Leonardo Ramos
    Assim como outras arenas das relações internacionais, o sistema agroalimentar internacional tem passado por transformações profundas nos últimos anos. Compreendendo tais mudanças sob a égide do capitalismo, destaca-se o impacto destas para além do espectro da economia política internacional, avançando para as diversas dimensões das relações sociais. A busca por novos modelos de governança global se insere também neste contexto, fazendo com que cada vez mais o papel do Sul global na atual ordem seja questionado. A ascensão formal do BRICS, em 2009, pode ser entendida como uma das faces dessa necessidade de revisão dos rumos da economia mundial. Reunindo os maiores produtores globais de alimento, o bloco possui relevância clara para o sistema agroalimentar, sendo responsável, em 2024, por cerca de metade do valor total da produção agrícola do mundo. Com base nessa relevância, este estudo busca investigar de que forma o BRICS se posiciona no atual sistema agroalimentar internacional a partir das discussões realizadas em suas cúpulas, entre 2009 e 2024. Objetiva-se compreender de que maneira o agrupamento se insere nas questões relativas à governança agroalimentar global. Para isso, foi realizada análise de conteúdo das declarações finais desses encontros.
  • Publicação
    A Governança do Fundo Amazônia : cooperação internacional, participação social e os desafios do financiamento internacional climático no Brasil
    (Ipea, 2025-12) Castro, Aline Contti; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Aline Contti Castro
    O Fundo Amazônia (FA) é uma das maiores iniciativas internacionais de financiamento de ações de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+), um fundo não reembolsável e baseado em resultados. Este artigo analisa como a estrutura de governança do FA se diferencia dos mecanismos tradicionais de cooperação Norte-Sul recebida pelo Brasil, assim como investiga os principais avanços e dificuldades do processo de participação social no âmbito do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa) entre 2008 e 2024. Em termos metodológicos, a pesquisa tem ampla base qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental e realização de entrevistas semiestruturadas. Conclui-se que o FA se constituiu como uma estrutura diferenciada e inovadora de governança participativa no contexto da cooperação internacional Norte-Sul. O processo de participação social no âmbito do Cofa gerou diálogos e aprendizados conjuntos na articulação entre os governos federal, estaduais e a sociedade civil, fortalecendo a legitimidade democrática do FA pelo input. Há ainda muitos desafios, como os relacionados ao investimento em ciência e tecnologia, assim como à participação municipal e à integração pan-amazônica, que reforçam a necessidade de fortalecimento do Fundo, contribuindo para que a ação climática na Amazônia gere resultados duradouros.
  • Publicação
    O Financiamento climático para o Sul global além do seu volume : composição, limites e desafios
    (Ipea, 2025-12) Montalvão, Iago; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; Iago Montalvão
    O financiamento climático tem sido tema central nas discussões das Conferências das Partes (COPs) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). No entanto, quando direcionado aos países do Sul global, sua análise não pode se restringir ao volume anunciado ou desembolsado. A partir da análise de relatórios e de dados disponíveis sobre financiamento climático global, o artigo investiga a composição, os limites e os desafios do financiamento destinado a essas economias, evidenciando a centralidade dos instrumentos financeiros, das condicionalidades institucionais e das assimetrias entre doadores e receptores. A pesquisa procura demonstrar, ainda, que a maior parte dos fluxos ocorre na forma de empréstimos, frequentemente não concessionais, o que reforça a vulnerabilidade fiscal e a dependência financeira dos países em desenvolvimento. Além disso, identifica-se a concentração setorial e geográfica dos recursos, que privilegia áreas de maior retorno financeiro ou de menor risco em detrimento de necessidades urgentes de adaptação climática. A análise também aborda os Fundos Climáticos Multilaterais, que apresentam maior diversidade setorial na destinação dos recursos, apesar dos reduzidíssimos volumes, e os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, que, embora disponham de recursos significativos, também se apoiam em instrumentos de dívida e exibem concentração geográfica e setorial nos desembolsos. Tais características limitam a efetividade do financiamento no apoio à transição justa e na compensação das desigualdades históricas na contribuição às emissões globais. Nesse sentido, apresentam-se instrumentos alternativos em conformidade com a literatura vigente. Conclui-se que, além de ampliar os volumes de recursos, é necessário repensar a qualidade, a acessibilidade e a governança do financiamento climático, de modo a alinhar os fluxos financeiros às prioridades do Sul global e a fortalecer sua autonomia no enfrentamento da crise climática.
  • Publicação
    Apresentação : O Tempo da Amazônia na COP30
    (Ipea, 2025-12) Moreira, María Alexandra; Puty, Cláudio; Pedro Silva Barros; Diretoria de Estudos Internacionais - DINTE; María Alexandra Moreira; Cláudio Puty; Pedro Silva Barros
    A apresentação do número 39 da Revista Tempo do Mundo introduz o dossiê“O tempo da Amazônia na COP30”, destacando a relevância da realização da COP30 em Belém (PA) como um marco no regime climático internacional. O texto enfatiza que esse evento reposiciona a Amazônia no centro das discussões globais sobre mudança do clima, desenvolvimento sustentável e governança internacional. Também ressalta o papel do Brasil na articulação entre agendas globais, regionais e locais, reforçando o multilateralismo. A edição reúne diversos artigos que abordam temas como financiamento climático, justiça socioambiental, soberania e integração regional, com diversidade de perspectivas acadêmicas e institucionais.
  • Publicação
    Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) - fevereiro de 2026
    (Ipea, 2026-04) Maria Andreia Parente Lameiras; Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas - DIMAC; Maria Andreia Parente Lameiras
    Carta de Conjuntura 70
    O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou taxa de variação de 0,26% em fevereiro de 2026, situando-se 0,11 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a variação foi 0,65 p.p. menor.
REPOSITÓRIO DO CONHECIMENTO DO IPEA
Redes sociais