Terceiro Setor. Serviços. Turismo
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/17424
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Publicação O Trabalhador como átomo do capital na sociedade neoliberal(Ipea, 2026-07) Bendazzoli, Milena; Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Milena Bendazzoli; André Rego VianaEstuda as transformações contemporâneas do capitalismo e seus efeitos sobre o trabalho, as classes sociais e a política, tomando como referência central a obra de Francisco de Oliveira. Os autores argumentam que a reestruturação produtiva, a terceirização, a plataformização e a expansão de formas precárias de trabalho provocaram a atomização dos trabalhadores, enfraquecendo os vínculos coletivos que sustentavam a identidade de classe e a ação política organizada. O trabalho assalariado tradicional cede espaço a relações contratuais flexíveis, frequentemente mascaradas sob a figura do empreendedor individual, do trabalhador autônomo ou da pessoa jurídica, ocultando novas formas de exploração e transferência de mais-valia. O texto sustenta que as plataformas digitais representam uma radicalização da lógica das empresas-rede, por meio da qual trabalhadores e pequenos empreendedores tornam-se subordinados ao grande capital sem vínculos empregatícios formais. Essa transformação contribui para a dissolução das formas tradicionais de representação política, produzindo uma situação de “indeterminação”, caracterizada pela dificuldade de reconhecimento coletivo dos interesses de classe. Os autores concluem que a fragmentação da experiência do trabalho reduz a capacidade de ação política dos trabalhadores, favorece a difusão da subjetividade neoliberal e cria condições para o avanço de formas autoritárias e conservadoras de organização social e política.Publicação Servitização, (sub) desenvolvimento e dependência : breve análise sobre o processo de servitização da indústria extrativa e manufatureira brasileira (2007-2022)(Ipea, 2026-07) Brito, Elohá Cabreira; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Elohá Cabreira BritoAnalisa o processo de servitização da indústria brasileira entre 2007 e 2022, investigando como a crescente integração entre indústria e serviços afeta o desenvolvimento econômico, o emprego e a sustentabilidade ambiental. A autora argumenta que, embora a servitização seja frequentemente associada à inovação, ao aumento da produtividade e à agregação de valor nas economias centrais, sua manifestação nas economias periféricas, como a brasileira, ocorre sob condicionantes estruturais ligados ao subdesenvolvimento e à dependência. Utilizando dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa), o estudo mostra que a servitização observada no Brasil ocorreu predominantemente pela ampliação da contratação de serviços por empresas industriais (“servitização de insumos”), e não pela expansão da oferta de serviços próprios e sofisticados que agregariam valor aos produtos industriais (“servitização de produtos”). A indústria extrativa apresentou aumento da dependência de serviços terceirizados, enquanto a indústria de transformação registrou trajetória de desservitização em vários indicadores. O capítulo conclui que o processo brasileiro não reproduz o padrão das economias centrais, permanecendo condicionado pela especialização produtiva em atividades de menor valor agregado, pela dependência tecnológica e pela inserção subordinada nas cadeias globais de valor. Defende ainda a necessidade de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, à sustentabilidade ambiental, à geração de empregos qualificados e à superação das desigualdades estruturais.Publicação Reflexos da ampliação da participação do setor de serviços na estrutura ocupacional sobre a evolução da estrutura de classes sociais no Brasil e regiões (2012-2023)(Ipea, 2026-07) Brito, Elohá Cabreira; Viana, André Rego; Araújo, Luiz Rubens de Câmara; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Elohá Cabreira Brito; André Rego Viana; Luiz Rubens de Câmara AraújoAvalia os reflexos da ampliação da participação do setor de serviços na estrutura ocupacional sobre a evolução da estrutura de classes sociais no Brasil e nas regiões entre 2012 e 2023, com base nos microdados da PNAD Contínua. Os autores examinam as relações entre mudança estrutural, desindustrialização, expansão do setor de serviços, fortalecimento do neoliberalismo, reforma trabalhista de 2017 e difusão das plataformas digitais, destacando seus impactos sobre o mercado de trabalho e a composição das classes sociais. Os resultados indicam crescimento relativo das categorias associadas ao trabalho autônomo, especialmente do autoemprego precário, redução da participação de diversas categorias assalariadas e persistência de desigualdades regionais, evidenciando um processo de precarização do trabalho e os limites da expansão dos serviços, desacompanhada de reindustrialização, para promover mobilidade social e desenvolvimento econômico.Publicação O Trabalho plataformizado : uma revisão de literatura sobre os motoristas de aplicativo(Ipea, 2026-07) Gonçalves, Ana Paula Vasconcelos; Campos, Mardem Barbosa de; Ferreira Neto, Antonio Olegario; Campos, Mariana Mendes; Carreira, Ana Clara; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Ana Paula Vasconcelos Gonçalves; Mardem Barbosa de Campos; Antonio Olegario Ferreira Neto; Mariana Mendes Campos; Ana Clara CarreiraExamina o trabalho plataformizado a partir de uma revisão da literatura nacional e internacional sobre motoristas de aplicativo, analisando as transformações promovidas pela Revolução Digital e pelo capitalismo de plataforma nas relações de trabalho. O estudo demonstra que essa modalidade laboral se caracteriza pelo gerenciamento algorítmico, pela aparente autonomia dos trabalhadores e pela transferência de riscos e custos operacionais para os próprios motoristas. A literatura revisada evidencia que a flexibilidade prometida pelas plataformas convive com elevado grau de controle, monitoramento e dependência em relação aos algoritmos, configurando o chamado “paradoxo da autonomia”. No caso brasileiro, os trabalhos analisados destacam principalmente a precarização das condições de trabalho, a informalidade, os impactos sobre a saúde física e mental, a insegurança econômica e as dificuldades de proteção social. Os dados da PNAD Contínua indicam que os trabalhadores permanecem altamente dependentes das plataformas para obtenção de clientes, definição dos rendimentos e organização das jornadas de trabalho. O capítulo conclui que o trabalho plataformizado representa uma nova configuração das relações laborais, marcada pela intensificação do controle digital, pela fragilização dos vínculos de trabalho e por desafios regulatórios, sociais e organizacionais que demandam maior atenção das políticas públicas e da pesquisa acadêmica.Publicação Perfil do autoemprego no Brasil : uma análise das condições de habitação, de trabalho e das características pessoais por grupos de renda (2016-2022)(Ipea, 2026-07) Brito, Elohá Cabreira; Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Elohá Cabreira Brito; André Rego VianaExamina o perfil do autoemprego no Brasil entre 2016 e 2022, investigando as condições de trabalho, renda, habitação e características sociodemográficas dos chefes de família distribuídos em diferentes categorias de autoemprego e grupos de renda. Os autores demonstram que a expansão do autoemprego ocorreu em um contexto de retração do emprego formal, avanço da economia de plataformas, fortalecimento de vínculos precários e crescimento da informalidade, fenômenos associados às transformações tecnológicas e institucionais recentes. Os resultados evidenciam forte heterogeneidade entre os autoempregados, com profundas desigualdades de renda, escolaridade e bem-estar, além da maior vulnerabilidade de mulheres, negros e trabalhadores de menor renda. Embora tenha havido redução moderada da desigualdade e da pobreza, influenciada por programas de transferência de renda, persistem a precarização laboral, a baixa remuneração e a fragilidade da proteção social. O estudo conclui que o autoemprego, em grande medida, constitui uma alternativa à insuficiência de empregos formais, sendo necessária a implementação de estratégias de desenvolvimento produtivo, fortalecimento dos direitos trabalhistas e ampliação das políticas públicas para geração de trabalho decente e redução das desigualdades sociais.Publicação Instabilidade política, mudanças estruturais e estagnação econômica (1891-2022) : o fracasso do progresso(Ipea, 2026-07) Cacciamali, Maria Cristina; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Maria Cristina CacciamaliAnalisa, em perspectiva histórica de longa duração, as relações entre instabilidade política, mudanças estruturais e desempenho econômico no Brasil entre 1891 e 2022, destacando os impactos dessas transformações sobre a estrutura produtiva, ocupacional e social. A autora examina três grandes períodos da economia brasileira — a industrialização inicial, o processo de substituição de importações e a fase de estagnação iniciada nos anos 1980 — enfatizando o papel do setor de serviços, a desindustrialização, a financeirização, a expansão da informalidade e a precarização do trabalho. O estudo argumenta que a perda de dinamismo econômico, associada à adoção de políticas neoliberais, à crescente desigualdade e à redução das classes médias, contribuiu para mudanças profundas na organização social e política do país, afetando a democracia, a representação política e as perspectivas de desenvolvimento nacional.Publicação Introdução : Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI(Ipea, 2026-07) Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; André Rego VianaApresenta os fundamentos teóricos e analíticos da obra, situando o debate sobre desenvolvimento econômico brasileiro a partir da tradição estruturalista e da problemática do subdesenvolvimento. O texto enfatiza a crescente centralidade do setor de serviços na economia nacional, destacando sua heterogeneidade, a expansão do trabalho autônomo, da terceirização, da pejotização e da plataformização, bem como os efeitos dessas transformações sobre a estrutura de classes, a proteção social e a democracia. Além disso, descreve a organização dos capítulos do livro e sustenta que as mudanças recentes no mercado de trabalho e na dinâmica produtiva brasileira têm aprofundado a precarização laboral, a concentração de renda e os desafios para a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico e à inclusão social.Publicação Apresentação : Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI(Ipea, 2026-07) Luciana Mendes Santos Servo; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Luciana Mendes Santos ServoIntroduz a obra Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI, destacando a centralidade do setor de serviços na estrutura ocupacional brasileira diante da mecanização da agricultura, da redução relativa da indústria e das transformações produtivas contemporâneas. O texto enfatiza a heterogeneidade desse setor e discute fenômenos como servitificação, plataformização, precarização das relações de trabalho e atomização produtiva, ressaltando seus impactos sobre as classes sociais e a dinâmica econômica do país. Além disso, apresenta o livro como resultado de pesquisa desenvolvida no Ipea, voltada à compreensão das mudanças sociais, econômicas e políticas recentes e à formulação de subsídios para políticas públicas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico inclusivo.Livro Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI(Ipea, 2026-07) Viana, André Rego; André Rego VianaO texto introduz uma reflexão crítica sobre o desenvolvimento brasileiro, questionando a visão idealizada que associa progresso à convergência com os países centrais do capitalismo. Com base em autores clássicos do pensamento desenvolvimentista latino-americano, a obra analisa o papel do setor de serviços na dinâmica econômica e social do Brasil, destacando sua crescente heterogeneidade e sua limitada capacidade de impulsionar o crescimento econômico. Reconstrói historicamente a importância dos serviços desde o período colonial, sua articulação com a industrialização e a formação da classe média urbana, e examina as transformações ocorridas após a desaceleração econômica e a desindustrialização do país. O livro enfatiza a expansão de formas precárias de trabalho, como a informalidade, o trabalho autônomo, a pejotização e a terceirização, bem como a persistência de elevada concentração de renda e vulnerabilidade social entre os trabalhadores do setor. Por fim, aponta os desafios para a formulação de políticas públicas diante das mudanças no mercado de trabalho e apresenta uma análise histórica, empírica e ensaística das transformações recentes da sociedade brasileira e do capitalismo contemporâneo.Publicação Apresentação : Estrutura e dinâmica do setor de serviços no Brasil(Ipea, 2006) Soares, Luiz Henrique Proença; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Luiz Henrique Proença SoaresDestaca a importância estratégica do setor de serviços para o desenvolvimento econômico, ressaltando seu papel na melhoria da competitividade das empresas, na elevação da qualidade de vida da população e no estímulo à inovação. Enfatiza que serviços são cada vez mais intensivos em conhecimento e fundamentais como insumos para a produção industrial, comercial e de outros serviços, contribuindo significativamente para o crescimento econômico e para a geração de emprego. O texto contextualiza os esforços do Ipea nos últimos anos para organizar dados e metodologias voltadas ao estudo da inovação no Brasil e introduz esta obra como o maior levantamento já realizado sobre firmas prestadoras de serviços no país. A organização do livro reflete preocupações com serviços intensivos em conhecimento, produtividade, infraestrutura, software, investimento estrangeiro, exportações e distribuição espacial da produção, buscando oferecer compreensão abrangente sobre o papel do setor de serviços no crescimento econômico de longo prazo.Publicação Emprego e salários na evolução recente do setor de serviços de telecomunicações brasileiro(Ipea, 2006) Prochnik, Victor; Freitas, Fernando; Esteves, Luiz Alberto; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Victor Prochnik; Fernando Freitas; Luiz Alberto EstevesAnalisa os efeitos da privatização e da introdução da concorrência no Setor de Serviços de Telecomunicações (SST) brasileiro entre 1998 e 2002, examinando especialmente as mudanças no emprego, na remuneração e no perfil da mão de obra. Utilizando dados da Rais e comparando empresas privatizadas com aquelas que nasceram privadas, o estudo revela forte redução do quadro de pessoal das ex-estatais, queda dos salários médios e deslocamento ocupacional em direção a funções de maior qualificação, influenciado também pela difusão da tecnologia digital. Os autores investigam diferenciais salariais por escolaridade, gênero, tempo de empresa e ocupação, verificando que as firmas privadas passaram a pagar salários superiores às privatizadas após 1999 e que estas últimas mantiveram políticas de incentivos mais alinhadas à maior escolaridade. O capítulo também examina padrões de contratação e demissão, mostrando que salários mais altos aumentam a probabilidade de desligamento e que empresas privatizadas retêm trabalhadores mais qualificados. Por fim, evidencia-se convergência parcial na estrutura ocupacional do setor, em função da adaptação das empresas às exigências do mercado e às transformações tecnológicas.Publicação Transporte de cargas no Brasil : estudo exploratório das principais variáveis relacionadas aos diferentes modais e às suas estruturas de custos(Ipea, 2006) Wanke, Peter; Fleury, Paulo Fernando; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Peter Wanke; Paulo Fernando FleuryExamina de forma abrangente o setor de transporte de cargas no Brasil, analisando os cinco modais existentes — rodoviário, ferroviário, aquaviário, dutoviário e aéreo — e investigando suas estruturas de custo, características operacionais, impactos de escala, perfil da mão de obra e a influência de fatores como escolaridade, rotatividade e prestação de serviços logísticos adicionais. Utilizando dados da PAS 2002, do Suplemento PAS e da Rais, o estudo identifica diferenças significativas entre os modais quanto à proporção de custos fixos e variáveis, ao nível de produtividade, à dispersão geográfica e à intensidade de capital. Além disso, evidencia distorções históricas da matriz de transporte brasileira, marcada pela predominância excessiva do modal rodoviário, e destaca como variáveis estruturais e regionais afetam o desempenho econômico e operacional das transportadoras. Por meio de análises multivariadas — como Mancova, análise fatorial, regressões logísticas e clustering —, os autores concluem que a competitividade no transporte depende não só da natureza tecnológica do modal, mas também do grau de qualificação dos trabalhadores, da capacidade de diversificação de serviços e da escolha adequada entre modais conforme volume, distância e tipo de carga.Publicação Prestação de serviços à agropecuária : perfil e distribuição(Ipea, 2006) Rogério Edivaldo Freitas; Alves, Patrick Franco; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Rogério Edivaldo Freitas; Patrick Franco AlvesAnalisa a prestação de serviços relacionados à agropecuária no Brasil, destacando sua evolução, distribuição regional e importância econômica entre 1998 e 2002, com base em dados da PAS/IBGE e da Rais/MTE. O texto evidencia a ampliação do número de empresas do setor, sua forte concentração de mão de obra pouco qualificada, a predominância das regiões Sudeste e Sul no emprego e no número de estabelecimentos, além de apontar tendências de dispersão espacial dessas atividades, contrariando hipóteses iniciais de concentração no Centro-Oeste. Também discute a relevância crescente dos serviços de apoio — como manejo, inseminação, cuidados florestais e suporte técnico — no contexto do agronegócio moderno, bem como a necessidade de políticas públicas de extensão rural adequadas às especificidades regionais, considerando as desigualdades estruturais e o papel estratégico desses serviços para a competitividade e sustentabilidade da produção agropecuária.Publicação Características das firmas e dos setores de serviço, segundo o processo de trabalho(Ipea, 2006) Meirelles, Dimária Silva e; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Dimária Silva e MeirellesAnalisa as características das firmas e dos setores de serviço a partir da natureza do processo de trabalho, compreendendo o serviço como realização de trabalho humano e mecânico. A autora discute atributos fundamentais das atividades de serviço — como simultaneidade, intangibilidade, interatividade e inestocabilidade — e como estes se relacionam às estruturas de mercado, às estratégias competitivas e aos padrões de desempenho das empresas. A partir de dados da PAS/IBGE, Rais/MTE e CEB/Bacen, utiliza técnicas de análise multivariada (análise fatorial e de clusters) para identificar grupos de firmas segundo indicadores de trabalho humano, trabalho mecânico e desempenho de mercado, revelando significativa heterogeneidade intra e intersetorial. Os resultados mostram quatro grandes blocos de empresas, que variam desde aquelas de baixa complexidade técnica e baixo desempenho até firmas altamente eficientes e intensivas em trabalho mecânico, especialmente nos setores de infraestrutura e transporte. O estudo reforça que as diferenças no processo de trabalho são o principal fator explicativo das diferenças de desempenho entre empresas de serviço no Brasil.Publicação A Exportação de software na PAEP 2001(Ipea, 2006) Luis Claudio Kubota; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Luis Claudio KubotaAnalisa os fatores associados à exportação de software no Brasil utilizando dados da Pesquisa da Atividade Econômica Paulista (PAEP) de 2001, destacando que, apesar do dinamismo global do setor e do sucesso de países como Índia, Israel e Irlanda, o Brasil enfrenta baixa inserção internacional devido a fatores como o country of origin effect, limitações de marketing, questões de qualificação e barreiras tributárias. O estudo utiliza um modelo logit para identificar os determinantes da probabilidade de exportação entre empresas paulistas de software e serviços de TI, concluindo que produtividade, qualificação da mão de obra, orientação ao cliente e adoção de certificações de qualidade aumentam significativamente a probabilidade de uma empresa exportar, enquanto o tamanho apresenta relação negativa, embora de pequena magnitude; os resultados reforçam a importância de estratégias voltadas a processos, qualidade e inserção internacional.Publicação Panorama da indústria brasileira de software : considerações sobre a política industrial(Ipea, 2006) Roselino, José Eduardo; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; José Eduardo RoselinoApresenta a importância estratégica da indústria de software no cenário mundial e nacional, destacando sua centralidade para o desenvolvimento tecnológico e para o funcionamento de diversos setores produtivos. O autor descreve como o software se tornou elemento fundamental das tecnologias da informação, influenciando investimentos, processos produtivos e atividades cotidianas. No caso brasileiro, a indústria de software alcançou relevância expressiva — posicionando‑se entre as dez maiores do mundo no início dos anos 2000 —, mas com características marcadas pela trajetória industrial periférica do país. Diferentemente de países como Índia ou Irlanda, cujo setor nasceu direcionado à exportação, o Brasil desenvolveu uma indústria orientada principalmente ao mercado interno, apoiada na heterogeneidade da estrutura produtiva e no papel das empresas públicas em soluções de grande escala. O texto argumenta que, apesar do fraco desempenho exportador, o modelo brasileiro possui virtudes que podem ser fortalecidas por políticas industriais adequadas. Ressalta ainda que o desenvolvimento do setor resulta não das forças espontâneas de mercado, mas de políticas públicas deliberadas – da reserva de mercado à criação do Softex e, mais recentemente, à inclusão do software como prioridade na Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) lançada em 2003.Publicação Firmas de serviços exportadoras : um estudo sobre setores selecionados(Ipea, 2006) Moreira, Sérvulo Vicente; Alves, Patrick Franco; Luis Claudio Kubota; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Sérvulo Vicente Moreira; Patrick Franco Alves; Luis Claudio KubotaAnalisa a dinâmica das firmas brasileiras de serviços exportadoras, contextualizando o comércio exterior de serviços como um campo complexo, regulado e crescente na economia mundial. Os autores destacam que os serviços representam cerca de 30% do comércio global e que países em desenvolvimento respondem por aproximadamente 20% das exportações mundiais. No Brasil, historicamente resistente à inclusão dos serviços nas negociações multilaterais do Gatt/OMC, o conhecimento sobre esse comércio ainda é limitado, embora entidades privadas tenham intensificado seu interesse pela agenda de liberalização. Com base em modelos probabilísticos (probit), o estudo busca identificar determinantes microeconômicos associados à probabilidade de exportação em firmas dos setores de audiovisual, informática, transportes e telecomunicações. Os resultados mostram que variáveis como escala (receita líquida), dotação de fatores (escolaridade e remuneração da mão de obra) e características estruturais (origem do capital controlador), controladas por localização e setor, contribuem significativamente para diferenciar firmas exportadoras de não‑exportadoras, reforçando a literatura que relaciona exportações a tamanho, tecnologia e qualificação.Publicação Organização territorial dos serviços no Brasil : polarização com frágil dispersão(Ipea, 2006) Domingues, Edson Paulo; Ruiz, Ricardo Machado; Moro, Sueli; Lemos, Mauro Borges; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Edson Paulo Domingues; Ricardo Machado Ruiz; Sueli Moro; Mauro Borges LemosAnalisa a organização territorial dos serviços no Brasil, investigando como esses estabelecimentos se distribuem espacialmente e como se articulam com a estrutura produtiva e urbana dos municípios. Utilizando dados regionalizados da PAS 2000 combinados à RAIS e à PIA, o estudo revela um padrão de forte polarização em torno das regiões metropolitanas — especialmente São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Brasília — que concentram a maior parte do valor adicionado, massa salarial e diversidade setorial dos serviços. As análises mostram que os serviços são ainda mais concentrados do que a indústria, com apenas 134 municípios respondendo por cerca de 90% da massa salarial do setor. O trabalho também identifica diferenças de comportamento entre grupos de serviços: os produtivos e pessoais apresentam alta dependência da escala urbana local, os de transporte são mais dispersos pela natureza móvel da demanda, e os de comunicação ocupam posição intermediária. Modelos econométricos hierárquicos indicam que fatores como densidade populacional, diversidade de serviços, presença de setores industriais difusores de tecnologia e quocientes locacionais de informática influenciam significativamente a localização e o desempenho das empresas. O estudo conclui que políticas de desenvolvimento regional que busquem maior desconcentração devem articular estratégias industriais, tecnológicas e urbanas, com foco em atividades intensivas em conhecimento capazes de atrair serviços de maior produtividade.Publicação Características econômicas das indústrias de serviços no Brasil : uma comparação entre empresas de capital estrangeiro e de capital nacional(Ipea, 2006) Kon, Anita; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Anita KonExamina o desempenho das indústrias de serviços no Brasil a partir da comparação entre empresas de capital nacional e estrangeiro, analisando suas características estruturais, organização produtiva, geração de valor adicionado, produtividade, padrões de emprego, remuneração e distribuição regional. À luz do processo de mundialização e da expansão dos Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE) nos anos 1990, o estudo evidencia como a abertura econômica, privatizações e mudanças regulatórias ampliaram significativamente a presença de empresas estrangeiras, sobretudo em serviços modernos e intensivos em tecnologia, como telecomunicações, informática, atividades imobiliárias e serviços às empresas. A partir de tabulações especiais da PAS/IBGE cruzadas com dados do Banco Central, observa-se que, embora numericamente as empresas estrangeiras representem fração reduzida do setor, elas exibem maior produtividade, maiores gastos e remunerações por trabalhador e maior geração de valor adicionado médio por empresa. A pesquisa revela também forte concentração regional desse capital no Sudeste, especialmente em São Paulo, e confirma a heterogeneidade estrutural dos serviços, marcada por diferenças significativas entre setores oligopolizados e setores atomizados de baixa intensidade tecnológica.Publicação Um Estudo sobre os serviços intensivos em conhecimento no Brasil(Ipea, 2006) Freire, Carlos Torres; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Carlos Torres FreireExamina o papel dos Serviços Intensivos em Conhecimento (SIC) na economia brasileira, contextualizando sua expansão no âmbito das transformações produtivas, tecnológicas e organizacionais ocorridas desde os anos 1970. A partir de revisão da literatura internacional, o autor destaca como esses serviços — incluindo informática, telecomunicações e serviços técnicos especializados — atuam como difusores e produtores de conhecimento, apoiando processos de inovação em diversos setores. Em seguida, o estudo delimita empiricamente o grupo dos SIC no Brasil, analisa sua participação em receita, emprego, qualificação da mão de obra e concentração regional, evidenciando forte presença na Região Metropolitana de São Paulo e crescimento expressivo entre 1998 e 2002. O capítulo também avalia, com base em dados da PAS, PIA, Pintec e Rais, a possível relação entre o uso de serviços intensivos em conhecimento e a inovação industrial, identificando indícios de que empresas inovadoras tendem a valorizar e demandar mais esses serviços. Conclui que os SIC representam um campo analítico promissor e um potencial eixo de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento produtivo e à inovação.
