Analisa as características do processo inovativo na indústria brasileira a partir dos dados da Pintec e da categorização das empresas segundo seu grau de diferenciação de produtos, buscando relacionar estratégias tecnológicas com os tipos de inovação implementados. Amparados no referencial neo‑schumpeteriano, os autores discutem como fatores como tamanho da firma, trajetória tecnológica, ambiente competitivo e interação com outros atores influenciam as estratégias de busca e seleção de inovações. O estudo evidencia que empresas que inovam e diferenciam produtos apresentam maior esforço inovador, maior intensidade em P&D contínuo e maior capacidade de cooperação, contrastando com firmas especializadas em produtos padronizados ou em não diferenciados, que tendem a estratégias defensivas ou imitadoras, com forte dependência da aquisição de máquinas e equipamentos. O capítulo também ressalta o papel das fontes de informação, da formação de arranjos cooperativos e da integração entre empresas, universidades e institutos de pesquisa, identificando diferenças expressivas entre categorias e estratégias de inovação. Por fim, aponta que a compreensão dessas relações é essencial para orientar políticas industriais e tecnológicas voltadas ao fortalecimento da capacidade inovadora e ao aumento da competitividade das firmas industriais brasileiras.
Apresenta uma análise detalhada do perfil da inovação na indústria brasileira no período de 1998 a 2000, utilizando dados da Pintec e comparando-os com resultados da CIS3, pesquisa equivalente aplicada na União Europeia. Os autores demonstram que o Brasil possui taxa de inovação significativamente inferior à de países europeus, com forte predominância de inovações de processo e baixa proporção de inovações de produto voltadas ao mercado. Evidencia-se que o sistema inovativo brasileiro é marcado por baixa intensidade de P&D, reduzida utilização de P&D externo e forte dependência da aquisição de máquinas e equipamentos, sugerindo um padrão de aprendizado tecnológico “passivo” e imitador. A análise também mostra diferenças marcantes entre empresas de capital nacional e estrangeiro, bem como entre setores tecnológicos, destacando a maior propensão inovadora de segmentos mais avançados. O estudo revela ainda fragilidades na cooperação tecnológica, baixo envolvimento de universidades e institutos de pesquisa, elevados custos percebidos para inovar e pouca participação do financiamento público no apoio às atividades inovativas. Conclui-se que o Brasil enfrenta limitações estruturais em seu sistema de inovação, exigindo políticas específicas, maior sinergia entre empresas e instituições de pesquisa e fortalecimento dos setores de maior intensidade tecnológica.
(Ipea, 2026-04-29) Ricardo Sampaio da Silva Fonseca; Mauro Santos Silva; Koeller, Priscila; Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura - DISET; Ricardo Sampaio da Silva Fonseca; Mauro Santos Silva; Priscila Koeller
TD 3202
Este artigo analisa a introdução da “cláusula carbono zero” nos contratos de concessão de infraestrutura de transporte rodoviário no Brasil, a partir dos casos da Rio-SP (BRs 116/101/SP/RJ – Rodovia Presidente Dutra) e da Rota dos Cristais (BR-040/GO/MG). O estudo busca compreender as características desse novo instrumento contratual e avaliar seus impactos econômico-financeiros sobre o provimento da infraestrutura rodoviária, realizado por meio de concessões, destacando a relação entre sustentabilidade ambiental e modicidade tarifária. A metodologia combina revisão da literatura sobre infraestrutura sustentável e mudanças climáticas, análise documental dos contratos e editais, além do exame dos modelos econômico-financeiros das concessões. Os resultados evidenciam que, embora os custos associados à neutralização de carbono sejam relativamente pequenos em relação ao investimento total e às receitas projetadas, o efeito tarifário é mais relevante em concessões de menor escala. Ademais, a análise de sensibilidade realizada mostra que uma eventual ampliação do escopo do programa para incluir emissões indiretas pode elevar significativamente o impacto econômico, especialmente em projetos com menor volume de tráfego. Conclui-se que o mecanismo representa um avanço regulatório na direção de uma infraestrutura de baixo carbono, mas sua efetividade ambiental depende de maior precisão metodológica e de soluções adaptadas às especificidades de cada projeto.