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Exército industrial de reserva e constituição social

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Abstract

Analisa o conceito marxista de exército industrial de reserva, defendendo que ele deve ser compreendido não apenas como resultado dos ciclos de acumulação capitalista, mas como uma relação social constitutiva da própria formação das classes sociais e das relações de trabalho. O autor critica as abordagens que reduzem a precarização e a informalidade a fenômenos recentes ou autônomos, argumentando que essas formas de trabalho sempre estiveram articuladas à dinâmica do capitalismo por meio da superpopulação relativa. A partir da releitura de Marx, o texto demonstra que o exército de reserva atua como mecanismo permanente de pressão sobre os trabalhadores, reforçando a necessidade de vender sua força de trabalho e contribuindo para a reprodução da dominação capitalista. O capítulo examina ainda as transformações ocorridas no contexto neoliberal, caracterizadas pela flexibilização das relações de trabalho, terceirização, plataformização, uberização e difusão da figura do trabalhador como “empresário de si mesmo”. Nesse cenário, as fronteiras entre trabalhadores ativos e integrantes do exército de reserva tornam-se mais fluidas, intensificando a competição e a insegurança laboral. Conclui-se que a precarização contemporânea não representa uma ruptura com a lógica do capitalismo, mas uma nova forma histórica de manifestação do exército industrial de reserva, fundamental para compreender a constituição da classe trabalhadora e os mecanismos atuais de exploração do trabalho.

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COLOMBINI, Iderley. Exército industrial de reserva e constituição social. In: VIANA, André Rego (org.). Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI. Brasília: Ipea, 2026. p. 383-407. DOI: https://dx.doi.org/10.38116/978-65-5635-101-8/cap8.

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Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI
(Ipea, 2026-07) Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; André Rego Viana
O texto introduz uma reflexão crítica sobre o desenvolvimento brasileiro, questionando a visão idealizada que associa progresso à convergência com os países centrais do capitalismo. Com base em autores clássicos do pensamento desenvolvimentista latino-americano, a obra analisa o papel do setor de serviços na dinâmica econômica e social do Brasil, destacando sua crescente heterogeneidade e sua limitada capacidade de impulsionar o crescimento econômico. Reconstrói historicamente a importância dos serviços desde o período colonial, sua articulação com a industrialização e a formação da classe média urbana, e examina as transformações ocorridas após a desaceleração econômica e a desindustrialização do país. O livro enfatiza a expansão de formas precárias de trabalho, como a informalidade, o trabalho autônomo, a pejotização e a terceirização, bem como a persistência de elevada concentração de renda e vulnerabilidade social entre os trabalhadores do setor. Por fim, aponta os desafios para a formulação de políticas públicas diante das mudanças no mercado de trabalho e apresenta uma análise histórica, empírica e ensaística das transformações recentes da sociedade brasileira e do capitalismo contemporâneo.

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