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  • Publicação
    A Evolução recente da agropecuária brasileira segundo os dados dos censos agropecuários
    (Ipea, 1989) Mueller, Charles Curt; Charles Curt Mueller
    Analisa, com base na Sinopse Preliminar e nos Censos Agropecuários, a evolução da agropecuária brasileira entre 1980 e 1985, destacando a desaceleração do setor no período em decorrência da crise econômica, do encarecimento e restrição do crédito de investimento, da redução de incentivos fiscais e da menor disponibilidade de novas áreas de fronteira. Mostra-se a expansão bem mais modesta da área total em estabelecimentos e da área em lavouras (com queda nas lavouras permanentes—especialmente café no Sul e algodão arbóreo no Nordeste—e crescimento mais contido das temporárias), a continuidade da mecanização porém em ritmo menos intenso (medida pela área cultivada por trator), e a redução do dinamismo dos efetivos de bovinos, além de recuos na suinocultura e forte desaceleração da avicultura. Em contraste, o número de pequenos estabelecimentos e o pessoal ocupado cresceram substancialmente entre 1980 e 1985, revertendo a tendência anterior; o texto atribui esse movimento ao arrefecimento do mercado de trabalho urbano, à conclusão/menor ritmo das grandes obras, ao fim da seca de 1979–1983 no Nordeste e a estratégias de sobrevivência que impulsionaram minifúndios e a absorção de mão de obra nas menores unidades. Por fim, a distribuição da terra permanece altamente concentrada no período (índices de Gini elevados), com variações regionais, notando-se alguma redução na concentração no Norte devido ao afluxo de pequenos produtores em áreas de ocupação recente.
  • Publicação
    Pessoal ocupado : alguns resultados preliminares do Censo Agropecuário de 1985
    (Ipea, 1989) Silva, José Graziano da; José Graziano da Silva
    Apresenta uma análise dos resultados preliminares do Censo Agropecuário de 1985, com foco específico no pessoal ocupado na agropecuária brasileira, destacando as limitações, particularidades metodológicas e problemas de datação das variáveis censitárias. José Graziano enfatiza que os dados do censo refletem condições conjunturais e expectativas do período, o que dificulta interpretações lineares de tendência. O autor explora como, entre 1980 e 1985, o número de pessoas ocupadas na agropecuária cresceu mais de 2 milhões, expansão explicada não por aumento real do emprego, mas por processos de minifundização, retorno de trabalhadores ao campo devido à crise econômica urbana, dissolução das frentes de trabalho no Nordeste e fracionamento das unidades produtivas. O texto mostra que tal crescimento está fortemente relacionado ao aumento de pequenos estabelecimentos, ao subemprego e à subocupação rural, apontando que a expansão de pessoal ocupado não representa melhorias estruturais, mas sim uma deterioração das condições econômicas e sociais no meio rural durante o período.
  • Publicação
    Tendências e padrões de crescimento da agropecuária
    (Ipea, 1989) Instituto de Planejamento Econômico e Social; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
    Examina os resultados preliminares do Censo Agropecuário de 1985, destacando as principais tendências estruturais e regionais da agropecuária brasileira no período 1980–1985. Evidencia‑se que a estrutura fundiária permaneceu altamente concentrada, com mais de 90% dos estabelecimentos ocupando apenas 21% da área total, enquanto menos de 1% controlava quase 44% das terras. Observa-se, contudo, um aumento do fracionamento dos estabelecimentos, o que reduziu o tamanho médio das propriedades. Os indicadores de desempenho revelam perda de dinamismo no período: retração das áreas de lavouras permanentes, desaceleração das lavouras temporárias, forte redução na mecanização — a expansão de tratores caiu de cerca de 80% na década de 1970 para menos de 20% entre 1980 e 1985 —, crescimento moderado da pecuária bovina e declínio persistente do efetivo de suínos. A análise regional mostra padrões distintos: o Norte e o Centro‑Oeste expandiram-se por caminhos diferentes, o primeiro baseado na incorporação de mão de obra e o segundo na mecanização acelerada; o Sudeste e o Sul cresceram por substituição de atividades e intensificação tecnológica; e o Nordeste apresentou fraca transformação estrutural, marcada pela minifundização e pela baixa evolução produtiva. O texto conclui que restrições de crédito, queda de preços agrícolas e maior atratividade do mercado financeiro contribuíram para frear o dinamismo do setor.
  • Publicação
    Evolução recente da estrutura de produção agropecuária : algumas notas preliminares
    (Ipea, 1989) Martine, George; George Martine
    Examina a evolução recente da estrutura de produção agropecuária brasileira com base nos dados do Censo Agropecuário de 1985, destacando rupturas e desdobramentos do processo de modernização agrícola iniciado nos anos 1960. George Martine mostra que, após duas décadas marcadas pela concentração fundiária, mecanização intensa, expansão da área cultivada e crescimento do rebanho bovino, o período 1980–1985 apresenta uma reversão significativa desse padrão, influenciada pela crise econômica, retração do crédito rural e redução dos estímulos governamentais. Os dados revelam diminuição do ritmo de tecnificação, retração ou estagnação em áreas de lavouras permanentes, menor expansão da área total e crescimento da mão de obra ocupada predominantemente em pequenas unidades e sistemas de baixa formalização. O autor também identifica uma redistribuição territorial da produção, com o Centro-Oeste avançando com agricultura capitalizada e mecanizada, enquanto o Norte absorve mão de obra e perde dinamismo tecnológico. Por fim, o texto sugere que a retração do modelo modernizante abriu espaço temporário para pequenos produtores, sem representar porém uma melhora estrutural do setor, que segue exigindo novas soluções tecnológicas e sociais.
  • Publicação
    A Distribuição da posse da terra no Brasil em 1980 e 1985
    (Ipea, 1989) Hoffmann, Rodolfo; Rodolfo Hoffmann
    Analisa a distribuição da posse da terra no Brasil com base nos Censos Agropecuários de 1980 e 1985, destacando mudanças estruturais significativas ocorridas no período. Rodolfo Hoffmann mostra que, após anos de tendência à concentração fundiária e aumento do tamanho médio dos estabelecimentos, o período 1980–1985 apresenta uma reversão: o número de estabelecimentos cresce — especialmente os menores de 10 hectares — enquanto a área média diminui, fenômeno associado à recessão econômica e à desaceleração do êxodo rural. O autor evidencia a forte expansão de minifúndios e o aumento expressivo nas categorias de parceiros e ocupantes, indicando formas mais precárias de acesso à terra. Apesar dessas alterações, o estudo conclui que a desigualdade na distribuição da posse da terra permanece extremamente elevada, com índice de Gini próximo de 0,86 entre os estabelecimentos e aproximadamente 0,90 quando consideradas as famílias rurais sem terra. As diferenças regionais mostram leve queda da desigualdade no Norte e aumento no Nordeste, Sudeste e Sul. O autor destaca que as mudanças observadas refletem mais os efeitos conjunturais da crise econômica do que uma transformação estrutural na direção de maior equidade fundiária.
  • Publicação
    Apresentação : Trajetórias das políticas culturais : uma década de leituras a partir do Ipea
    (Ipea, 2026) Luciana Mendes Santos Servo; Luciana Mendes Servo
    Apresenta a trajetória das pesquisas desenvolvidas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no campo das políticas culturais, com destaque para a produção acumulada ao longo de mais de duas décadas de acompanhamento e análise do setor. A obra reúne estudos publicados entre 2015 e 2024, abordando temas como institucionalidade cultural, financiamento público, federalismo, participação social, mercado de trabalho e os impactos da pandemia de COVID-19 na cultura. O conjunto sistematiza reflexões fundamentadas em evidências empíricas e análise crítica, oferecendo um panorama da evolução das políticas culturais no Brasil, especialmente no contexto dos desafios institucionais e orçamentários recentes. A publicação reafirma o compromisso do Ipea com a produção de conhecimento voltado ao aprimoramento das políticas públicas de cultura no país.
  • Publicação
    Introdução : Trajetórias das políticas culturais : uma década de leituras a partir do Ipea
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Ziviani, Paula; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Paula Ziviani
    Analisa os ciclos recentes das políticas culturais no Brasil, com ênfase no período de 2015 a 2025, marcado por avanços institucionais, descontinuidades políticas e impactos da pandemia de COVID-19. O capítulo contextualiza a produção analítica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no acompanhamento sistemático das políticas públicas de cultura, especialmente por meio do boletim Políticas Sociais: acompanhamento e análise e dos textos para discussão. Discute os fundamentos epistemológicos da avaliação de políticas culturais, contrapondo a tradição descritivo-quantitativa, centrada em indicadores e mensuração de resultados, a uma perspectiva interpretativa e crítica, que considera dimensões simbólicas, discursivas e institucionais das políticas. Apresenta, ainda, a organização temática da coletânea, estruturada em eixos que abordam fundamentos teóricos, estrutura institucional e financiamento, mercado de trabalho cultural e respostas à crise sanitária, contribuindo para o debate sobre os desafios contemporâneos do Estado cultural brasileiro.
  • Publicação
    A Interculturalidade e o multiculturalismo nas políticas públicas territoriais
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Walczak, Irmina Anna; Sá, Juliana Veloso de; Medeiros, Rodrigo Augusto Lima de; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Irmina Anna Walczak; Juliana Veloso de Sá; Rodrigo Augusto Lima de Medeiros
    Analisa os conceitos de interculturalidade e multiculturalismo no âmbito das políticas públicas territoriais brasileiras, discutindo suas implicações teóricas e institucionais para a formulação e implementação de políticas culturais. O capítulo examina a relação entre reconhecimento da diversidade, direitos culturais e institucionalização da diferença, com ênfase nas políticas voltadas a povos indígenas, comunidades tradicionais e grupos étnico-raciais. Aborda a tensão entre homogeneização administrativa e pluralidade sociocultural, destacando desafios relacionados à gestão territorial, participação social, financiamento cultural e atuação do Conselho Nacional de Política Cultural. A partir da análise de dados orçamentários, normativos e institucionais, problematiza os limites das abordagens multiculturais e propõe a interculturalidade como parte de um novo léxico político, orientado ao diálogo, à democratização cultural e à construção de políticas sensíveis às dinâmicas territoriais e identitárias.
  • Publicação
    O Incrementalismo pós-constitucional e o enigma da desconstrução : uma análise das políticas culturais
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Ziviani, Paula; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Paula Ziviani
    Examina a trajetória das políticas culturais brasileiras no período pós-Constituição de 1988, à luz do conceito de incrementalismo, destacando os avanços graduais, as continuidades institucionais e as inflexões ocorridas na estruturação do campo cultural. O capítulo analisa o processo de consolidação normativa e institucional da política cultural, incluindo a construção do Sistema Nacional de Cultura, os mecanismos de financiamento e a articulação federativa. Discute como a dinâmica incremental moldou a expansão de direitos culturais e a institucionalização de instrumentos de gestão, ao mesmo tempo em que evidencia limites estruturais, descontinuidades administrativas e constrangimentos orçamentários. A análise contribui para compreender os padrões de mudança e estabilidade que caracterizam a política cultural brasileira contemporânea.
  • Publicação
    Financiamento das artes no contexto de crise : uma reflexão a partir da análise do orçamento federal da cultura
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Oliveira, Maria Carolina Vasconcelos; Chedid, Samira; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Maria Carolina Vasconcelos Oliveira; Samira Chedid
    Analisa os mecanismos de financiamento das artes e das políticas culturais no Brasil, com ênfase na estrutura orçamentária federal, nos fundos públicos e nos instrumentos de incentivo fiscal. O capítulo examina a configuração histórica e institucional do modelo de fomento cultural, destacando o papel da Lei de Incentivo à Cultura, do Fundo Nacional de Cultura e das transferências intergovernamentais no âmbito do federalismo cultural. Discute a distribuição regional dos recursos, os critérios de acesso ao financiamento e os efeitos da dependência de incentivos fiscais sobre a dinâmica do setor artístico. A análise evidencia assimetrias estruturais, desafios de coordenação federativa e limitações orçamentárias, contribuindo para o debate sobre sustentabilidade financeira e democratização do acesso às políticas de fomento cultural.
  • Publicação
    Orçamento cultural para quê ? Pacto federativo e fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Ziviani, Paula; Machado, Cláudia Rachid; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Paula Ziviani; Cláudia Rachid Machado
    O capítulo discute a importância da estruturação de um orçamento cultural setorial e autônomo no Brasil como ferramenta para o fortalecimento do Pacto Federativo e do Sistema Nacional de Cultura (SNC). Os autores analisam como a definição clara de um "escopo de áreas de ação" na cultura — similar ao que ocorre na saúde e na educação — é fundamental para superar a fragmentação institucional e a precariedade de dados orçamentários em estados e municípios. O texto explora as tensões conceituais entre a "democratização cultural" (foco em artes eruditas) e a "democracia cultural" (foco na pluralidade antropológica), argumentando que a lógica setorial permite racionalizar a gestão pública sem ignorar a fluidez das manifestações culturais. Por fim, defende a criação de sistemas de informações orçamentárias padronizados para garantir transparência, monitoramento e a efetiva realização dos direitos culturais previstos na Constituição de 1988.
  • Publicação
    Mercado de trabalho da cultura : considerações sobre a meta 11 do Plano Nacional de Cultura
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Ziviani, Paula; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Paula Ziviani
    Analisa o mercado de trabalho cultural brasileiro, com foco especial na Meta 11 do Plano Nacional de Cultura (PNC), que visa aumentar o emprego formal no setor em 95%. Os autores argumentam que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) é a base de dados mais adequada para monitorar essa meta, pois captura a informalidade inerente ao setor, ao contrário da Rais. O texto explora a complexidade das relações de trabalho na cultura, marcadas pela intermitência, flexibilidade e organização por projetos, onde características como autonomia e criatividade muitas vezes se chocam com a necessidade de proteção social. Destaca-se que, apesar da alta informalidade, o setor apresenta profissionais com alta qualificação e rendimentos médios superiores à média geral da economia, configurando o que se chama de "subcontratação qualificada".
  • Publicação
    Política cultural no governo Temer : disputas e resistência
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Ghezzi, Daniela Ribas; Sá, Juliana Veloso; Walczak, Irmina Anna; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Daniela Ribas Ghezzi; Juliana Veloso Sá; Irmina Anna Walczak
    O capítulo analisa a conjuntura política da área cultural durante os primeiros momentos do governo interino de Michel Temer (2016), logo após o afastamento da presidente Dilma Rousseff. O texto foca nas disputas por legitimidade e nas lutas simbólicas travadas no campo cultural, utilizando como base discursos de atores políticos na grande mídia e redes sociais. A análise detalha as controvérsias geradas pela extinção do Ministério da Cultura (MinC) e sua fusão com o Ministério da Educação (MEC) , descrevendo os movimentos de resistência, como o #OcupaMinC, que ocorreram em diversas capitais brasileiras. O estudo também aborda a retórica do insulto contra artistas e a discussão sobre a falta de representatividade de gênero e raça no governo, culminando no recuo da gestão interina com a recriação do ministério sob pressão social.
  • Publicação
    Lei Aldir Blanc : entre o emergencial e o estrutural
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Ziviani, Paula; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Paula Ziviani
    O capítulo analisa a Lei Aldir Blanc (LAB) como uma resposta emergencial aos impactos devastadores da pandemia de COVID-19 no setor cultural brasileiro. Os autores exploram como a LAB, ao destinar R$ 3 bilhões a estados e municípios, tornou-se um instrumento fundamental de proteção social para trabalhadores da cultura e espaços artísticos que tiveram suas atividades suspensas. Para além do caráter de socorro financeiro, o texto discute a dimensão estrutural da lei, que reativou o debate sobre a descentralização do financiamento e o fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura (SNC). A análise destaca os desafios de implementação, como a morosidade burocrática, a necessidade de regulamentação local, as controvérsias sobre prestação de contas e a disparidade de capacidades institucionais entre os entes federados.
  • Publicação
    Descentralização e capacidades institucionais : lições da Lei Aldir Blanc
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Sá, Juliana Veloso de; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Juliana Veloso de Sá
    O capítulo analisa os desafios da descentralização das políticas culturais no Brasil, utilizando a implementação da Lei Aldir Blanc (LAB) como um estudo de caso sobre as capacidades institucionais de estados e municípios. Os autores discutem como a transferência de R$ 3 bilhões da União para os entes federados durante a pandemia de COVID-19 recolocou na agenda pública a urgência de institucionalizar o Sistema Nacional de Cultura (SNC). O texto destaca a heterogeneidade das estruturas administrativas locais, revelando que municípios com trajetórias prévias de adesão ao SNC e com conselhos e fundos de cultura ativos apresentaram melhor desempenho na execução dos recursos. Por fim, defende que a consolidação de um federalismo cultural exige não apenas repasses financeiros, mas o fortalecimento de capacidades técnicas, transparência orçamentária e coordenação federativa para garantir a efetividade dos direitos culturais.
  • Publicação
    Do fomento ao sistema : a relação entre a Lei Aldir Blanc e o Sistema Nacional de Cultura
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Ziviani, Paula; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Paula Ziviani
    O capítulo investiga a relação entre a Lei Aldir Blanc (LAB) e a consolidação do Sistema Nacional de Cultura (SNC) no Brasil. Os autores argumentam que a LAB não foi apenas uma medida de socorro emergencial durante a pandemia, mas um catalisador que forçou a operacionalização do federalismo cultural na prática. O texto analisa como o repasse direto de recursos da União para estados e municípios exigiu a criação ou o fortalecimento de conselhos, planos e fundos de cultura em localidades onde esses mecanismos eram inexistentes ou inativos. A conclusão aponta para a transição de um modelo focado apenas no fomento isolado para um modelo de sistema articulado, destacando a necessidade de institucionalizar as transferências "fundo a fundo" e de fortalecer as capacidades administrativas locais para garantir a perenidade das políticas culturais como políticas de Estado.
  • Publicação
    A Política Nacional de Fomento e os nós institucionais do Sistema Nacional de Cultura
    (Ipea, 2026) Frederico Augusto Barbosa da Silva; Ziviani, Paula; Frederico Augusto Barbosa da Silva; Paula Ziviani
    O capítulo examina a Política Nacional de Fomento à Cultura no Brasil, focando nos entraves institucionais que dificultam a plena consolidação do Sistema Nacional de Cultura (SNC). Os autores analisam como a transição de um modelo de fomento baseado quase exclusivamente em incentivos fiscais (como a Lei Rouanet) para um modelo de repasses diretos e orçamentários — impulsionado por leis como a Aldir Blanc (LAB) e a Paulo Gustavo (LPG) — expôs gargalos na gestão pública. O texto discute os "nós" institucionais, como a burocracia excessiva, as dificuldades de prestação de contas e a fragilidade técnica de muitos municípios para gerir recursos federais. Conclui-se que o sucesso do fomento nacional depende da superação do isolamento das ações e da construção de uma governança federativa que harmonize as regras de controle com a realidade específica do setor cultural.
  • Publicação
    Apresentação : Os Desafios da política externa brasileira em um mundo em transição
    (Ipea, 2014) Soares, Sergei Suarez Dillon; Sergei Suarez Dillon Soares
    A Apresentação introduz o propósito central do seminário Os Desafios da Política Externa Brasileira em um Mundo em Transição, organizado pela Câmara dos Deputados em parceria com o Ipea. O texto destaca a necessidade de atualizar o debate nacional sobre política externa diante das transformações aceleradas no cenário internacional, marcadas por mudanças geopolíticas, rearranjos econômicos e a emergência de novos atores globais. A Apresentação explica a motivação para reunir especialistas, diplomatas, acadêmicos e representantes do governo a fim de discutir temas estratégicos — como crises financeiras, energia, integração regional, cooperação internacional, segurança e a ascensão da China. Ressalta-se o papel da política externa como política pública de Estado, que exige participação ampla da sociedade e articulação entre governo, academia, setor privado e parlamento. A seção conclui reafirmando o compromisso institucional de fortalecer o debate democrático sobre a inserção internacional do Brasil.
  • Publicação
    Ascensão da China : desafios para o Brasil
    (Ipea, 2014) Almeida, Perpétua; Gadelha, Leonardo; Ouro Preto, Affonso Celso de; Jabbour, Elias; Acioly, Luciana; Paulino, Luís Antonio; Souza, Creomar Lima Carvalho de; Leonardo Gadelha
    Discute a ascensão da China como potência global e os desafios e oportunidades que esse processo coloca para o Brasil. O painel aborda a rápida transformação econômica chinesa desde 1978, caracterizada por crescimento acelerado, industrialização, planejamento estatal, fortalecimento de conglomerados públicos, expansão internacional via comércio e investimentos e aumento de sua influência estratégica. São apresentados elementos da política externa chinesa, seu papel regional na Ásia, a interdependência com os Estados Unidos, a busca por recursos naturais e a atuação no marco dos BRICS. Os palestrantes analisam o impacto da China sobre o Brasil, destacando a complementaridade comercial, o desafio da competitividade industrial brasileira, o “custo Brasil”, as tensões produtivas e a necessidade de uma estratégia nacional clara para lidar com o parceiro asiático. A dimensão empresarial é enfatizada, mostrando como as corporações chinesas — especialmente estatais — se internacionalizam e redefinem cadeias produtivas globais. Também são abordadas iniciativas culturais, como a expansão dos Institutos Confúcio, e a importância do conhecimento da língua e da cultura chinesas para o Brasil. O painel conclui que a ascensão chinesa não representa apenas desafios, mas grandes oportunidades, demandando políticas de longo prazo, fortalecimento industrial, diplomacia ativa e cooperação estratégica baseada em benefícios mútuos.
  • Publicação
    O Brasil e a cooperação internacional para o desenvolvimento
    (Ipea, 2014) Almeida, Perpétua; Roriz, Jaqueline; Abreu, Fernando José Marroni de; Mutéia, Helder; Lima, João Brígido Bezerra de; Visentini , Paulo; Santos, Priscila dos; Jaqueline Roriz
    Analisa o papel do Brasil na cooperação internacional para o desenvolvimento, destacando princípios, instrumentos, áreas prioritárias e desafios dessa atuação. A Agência Brasileira de Cooperação (ABC/MRE) apresenta sua estrutura e funções, enfatizando a lógica da Cooperação Sul‑Sul, baseada em demanda, solidariedade, ausência de condicionalidades e fortalecimento institucional. O painel discute a atuação brasileira em agricultura, saúde, formação profissional, educação, inclusão social, meio ambiente e segurança pública, bem como sua presença em três grandes frentes geográficas: América Latina e Caribe, África e Ásia/Oceania. São detalhados os avanços metodológicos na mensuração da Cobradi (Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional), conduzida pelo Ipea, que sistematizou dados de gastos, modalidades de cooperação, projetos, atividades isoladas, programas educacionais e ações humanitárias. O debate também aborda a crescente relevância da cooperação trilateral, a importância da partilha de tecnologias sociais brasileiras — como agricultura familiar, políticas de combate à fome, bancos de leite humano, ações em HIV/AIDS e segurança alimentar —, além das perspectivas estratégicas do país no sistema internacional. Os expositores ressaltam que a cooperação brasileira combina objetivos humanitários, interesses nacionais, projeção internacional e contribuição para uma ordem global mais equitativa.
REPOSITÓRIO DO CONHECIMENTO DO IPEA
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