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Avaliações como fonte para o processo decisório : comunicação e uso de evidências nos guias de avaliação

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Resumo

O capítulo investiga a desconexão existente entre a produção de avaliações metodologicamente robustas e o seu uso efetivo no processo de formulação e implementação de políticas públicas. Apoiando-se na "teoria das duas comunidades", que descreve as barreiras de comunicação e os diferentes sistemas de incentivos entre os pesquisadores (produtores) e os gestores públicos (consumidores), as autoras levantam o seguinte problema: quais conteúdos sobre reporte e disseminação de resultados são apresentados pelos guias de avaliação de políticas públicas?. Para responder a isso, realiza-se uma análise documental de cunho prático-metodológico em uma amostra de guias nacionais e internacionais publicados a partir de 2015. Constatou-se que os guias tradicionais do governo federal brasileiro (Casa Civil/Ipea) dão forte ênfase às etapas técnicas de diagnóstico e desenho, tratando a evidência predominantemente como um insumo (ex ante ou ex post) e deixando uma lacuna sobre estratégias de comunicação. Em contrapartida, manuais editados por organismos multilaterais (BIRD/BID) e pela sociedade civil (CLEAR/FGV) demonstram maior preocupação com o tempo político e a adaptação das mensagens de acordo com o público-alvo. O grande destaque, contudo, é o guia do Ministério da Saúde voltado para o SUS, que incorpora de forma robusta e aplicada o referencial de "tradução do conhecimento", fornecendo ferramentas explícitas de intermediação (knowledge brokering), policy briefs e storytelling. O estudo conclui que a comunicação eficaz não é uma etapa secundária, mas sim uma condição transversal essencial para que os achados avaliativos circulem e qualifiquem a tomada de decisão democrática.

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KARRUZ, Ana Paula; SANTOS, Ana Tereza Pires dos; SEGATTO, Catarina Ianni. Avaliações como fonte para o processo decisório: comunicação e uso de evidências nos guias de avaliação. In: KOGA, Natália Massaco et al. (org.). Políticas públicas informadas por evidências: conhecimentos, arranjos e capacidades para a governança democrática. Rio de Janeiro: Ipea, 2026. p. 653-678. DOI: https://dx.doi.org/10.38116/9786556351001cap21.

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Políticas públicas informadas por evidências : conhecimentos, arranjos e capacidades para a governança democrática
(Ipea, 2026-05) Koga, Natália Massaco; Maurício Mota Saboya Pinheiro; Palotti, Pedro Lucas de Moura; Raissa Menezes de Oliveira; Roberto Rocha Coelho Pires; Érica Rocha dos Santos; Miguel Loureiro; Natália Massaco Koga; Mauricio Mota Saboya Pinheiro; Pedro Lucas de Moura Palotti; Raissa Menezes de Oliveira; Roberto Rocha Coelho Pires; Érica Rocha dos Santos; Miguel Loureiro
Aborda a importância do uso de evidências na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas, destacando a necessidade de fortalecer capacidades estatais, instituições e processos decisórios em um contexto de crescente complexidade social e tecnológica. A obra enfatiza que as evidências qualificam o debate público, mas não substituem a deliberação política, sendo fundamental a articulação entre conhecimento técnico, valores públicos e práticas democráticas. Além disso, ressalta o papel do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada na produção de conhecimento aplicado ao aprimoramento das políticas públicas no Brasil. O livro reúne contribuições de diferentes áreas e instituições, consolidando a agenda das políticas públicas informadas por evidências e incentivando uma cultura institucional voltada à aprendizagem, transparência e desenvolvimento democrático.

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