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Produtividade no Brasil: uma análise do período recente

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Texto para Discussão (TD) 1955: Produtividade no Brasil: uma análise do período recente, Productivity in Brazil: an analysis of the recent period

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Abstract

O objetivo deste trabalho é analisar a evolução recente dos indicadores de produtividade no Brasil por meio da sistematização dos resultados obtidos em análises precedentes e da coleta de dados complementares sobre o tema. Discute-se, inicialmente, a relação entre crescimento econômico e produtividade nas abordagens que usam medidas totais e parciais dessa variável, e demonstra-se que algo entre 30% e 50% do crescimento do produto interno bruto (PIB) per capita do país na última década pode ser creditado ao aumento das taxas de ocupação e de participação no mercado de trabalho. Isso explica por que o PIB per capita descola-se da produtividade do trabalho quando suas trajetórias são mostradas graficamente. Portanto, a preservação das maiores taxas de crescimento do PIB per capita somente pode ser alcançada se houver um crescimento representativo da produtividade do trabalho ao longo dos próximos anos, uma vez que, de acordo com as projeções demográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não se espera uma elevação das taxas de participação e ocupação no futuro próximo. Discutem-se também os resultados obtidos nas análises sobre a trajetória recente da produtividade total dos fatores (PTF) no Brasil, e argumenta-se que os resultados são bastante sensíveis às funções de produção escolhidas, aos parâmetros fixados e às fontes de dados empregadas. Com isso, não parece haver uma tendência consolidada para a PTF no período recente. Ainda assim, pode-se afirmar que a maioria dos trabalhos tende a sugerir um crescimento mais acelerado da PTF na década de 2000 (sobretudo após 2003) do que na década de 1990, embora esse crescimento não seja, de forma geral, capaz de elevar o indicador a um valor estatisticamente diferente da média do período. Além disso, na maioria dos casos, o crescimento observado é significativamente reduzido à medida que os modelos passam a incluir aspectos como o capital humano e as safras de capital. Por sua vez, a produtividade do trabalho manteve, nas décadas de 1990 e 2000, uma trajetória de crescimento estável, porém reduzido – da ordem de 1% ao ano (a.a.) quando aferida com base no valor adicionado e no pessoal ocupado. O desempenho setorial, contudo, varia muito, havendo sinais claros de queda da produtividade do trabalho na indústria de transformação. A análise amparada na relação entre a produção física e as horas pagas revelou que a taxa média mensal anualizada de crescimento da produtividade alcançou níveis mais elevados (2,25% para a indústria geral, 2,22% para a indústria extrativa e 2,13% para a indústria de transformação) do que os observados quando se usam o valor adicionado e o pessoal ocupado. Contudo, mesmo a evolução positiva obtida com os dados de produção física desaparece após a crise internacional de 2008.

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The aim of this work is to discuss the recent path followed by the indicators of productivity in Brazil based upon the results obtained in previous analyses and on the collection of additional data on the subject. Initially we discuss the relationship between economic growth and productivity in the approaches which use total and partial measures of productivity. We show that between 30% and 50% of the GDP per capita growth observed in Brazil during the last decade can be credited to the increase of the occupation and participation rates. That explains why the GPD per capita and labor productivity curves detach from each other when plotted in a graph. Based upon this result, we argue that higher rates of growth of the GDP per capita in Brazil can only be obtained if the country reaches higher rates of growth of the labor productivity in the future because significant increases in the employment and participation rates are not expected in the near future. We discuss the results obtained in previous works about the total factor productivity (TFP) in Brazil. We argue that the results are highly sensitive to the production functions, to the parameters and to the data sources used in each model. As a result, there seems to be no consolidated trend to the TFP in Brazil in the recent period. In spite of that, most works tend to suggest higher rates of growth of the TFP in the 2000 (especially after 2003) as compared to the 1990s. However, these rates are not enough to significantly detach the TFP from the average of the period. Besides, in most cases, TFP growth is significantly reduced as the models include aspects like human capital and the quality of the capital goods. Labor productivity, on the other hand, has kept, during the 1990s and 2000s a steady, but slow, rate of growth of around 1% per year when measured as the ratio between value added and personnel employed. Sectoral performance, however, is highly heterogeneous and clear signals of decrease of labor productivity have been found in the manufacturing industry. The analysis based upon the ratio between physical production and paid hours showed that the productivity growth reached higher average rates (2,25% for the industry as a whole, 2,22% for mining industry and 2,13% for the manufacturing industry) than the one observed when productivity is measured as the ratio between value added and personnel employed. However, the favorable scenario observed for the productivity indicators based upon physical production vanishes after the 2008 international crisis.

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