Economia. Desenvolvimento Econômico
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/17408
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Publicação Matrizes de contabilidade social : metodologia e elaboração para o Brasil (2000–2021)(Ipea, 2026-07) Luiz Fernando Rodrigues de Oliveira; Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas - DIMAC; Luiz Fernando Rodrigues de OliveiraNota Técnica Dimac 28O presente trabalho busca apresentar a metodologia utilizada na construção de uma versão da Matriz de Contabilidade Social (MCS ou SAM da sigla em inglês) brasileira, estimada para os anos de 2000 a 2021 com base nas Tabelas de Recursos e Usos (TRUs), nas Matrizes Insumo-Produto (MIPs), nas Matrizes de Absorção de Investimento (MAIs) e nas Contas Econômicas Integradas (CEIs). Com essa matriz, é possível realizar uma série de análises sobre a economia brasileira que considerem as interações entre atividades econômicas, fatores de produção e setores institucionais. Uma aplicabilidade é o cálculo de multiplicadores de gastos, os quais mostram, por exemplo, os impactos das transferências para famílias e empresas (financeiras e não financeiras), algo não captado pelas MIPs ou CEIs, separadamente. Com essa estimação se verificou o elevado impacto sobre o valor adicionado das transferências às famílias e empresas não financeiras, para ambos em torno do dobro das do valor transferido, no caso mais otimista. O pagamento feito aos fatores de produção também tem impacto relevante, ainda que menor que as transferências a esses setores institucionais. Por outro lado, as transferências para as empresas financeiras têm um impacto inferior à unidade.Publicação Apresentação : Entre relações de cuidado e vivências de vulnerabilidade : dilemas e desafios para o trabalho doméstico e de cuidados remunerado no Brasil(Ipea, 2021) Von Doellinger, Carlos; Hahn, Martin Georg; Carlos Von Doellinger; Martin Georg HahnDestaca a relevância social, econômica e política do trabalho doméstico e de cuidados remunerado no contexto brasileiro contemporâneo. Os autores ressaltam a importância da Convenção nº 189 da OIT para a ampliação dos direitos da categoria e defendem a necessidade de políticas públicas que promovam reconhecimento, proteção laboral e valorização dessas trabalhadoras, majoritariamente mulheres negras, de baixa renda e escolaridade. O texto evidencia que essa ocupação permanece marcada por desigualdades estruturais associadas ao racismo, ao patriarcado e à concentração de renda, ao mesmo tempo em que se mostra essencial para a reprodução da vida social e para o funcionamento das famílias, especialmente diante do envelhecimento populacional e dos desafios evidenciados pela pandemia de covid-19.Publicação Introdução : Entre relações de cuidado e vivências de vulnerabilidade : dilemas e desafios para o trabalho doméstico e de cuidados remunerado no Brasil(Ipea, 2021) Luana Simões Pinheiro; Tokarski, Carolina Pereira; Posthuma, Anne Caroline; Luana Pinheiro; Carolina Pereira Tokarski; Anne Caroline PosthumaDiscute a evolução do reconhecimento do trabalho doméstico e de cuidados remunerado a partir da aprovação da Convenção nº 189 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), destacando seus impactos na ampliação dos direitos das trabalhadoras domésticas no Brasil e no fortalecimento da agenda do trabalho decente. O texto analisa a permanência da precariedade, da informalidade e das desigualdades de gênero, raça e classe que caracterizam essa ocupação, além das transformações recentes associadas ao envelhecimento populacional e ao aumento da demanda por cuidados. A autora contextualiza os principais temas abordados no livro, incluindo a economia do cuidado, o perfil das trabalhadoras domésticas, as condições de trabalho, a organização sindical da categoria e os impactos da pandemia de covid-19 sobre trabalhadoras e cuidadoras domiciliares. A introdução enfatiza ainda a necessidade de políticas públicas capazes de garantir proteção social, valorização profissional e condições dignas de trabalho para um segmento fundamental à reprodução da vida e ao funcionamento da sociedade.Publicação Exército industrial de reserva e constituição social(Ipea, 2026-07) Colombini, Iderley; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Iderley ColombiniAnalisa o conceito marxista de exército industrial de reserva, defendendo que ele deve ser compreendido não apenas como resultado dos ciclos de acumulação capitalista, mas como uma relação social constitutiva da própria formação das classes sociais e das relações de trabalho. O autor critica as abordagens que reduzem a precarização e a informalidade a fenômenos recentes ou autônomos, argumentando que essas formas de trabalho sempre estiveram articuladas à dinâmica do capitalismo por meio da superpopulação relativa. A partir da releitura de Marx, o texto demonstra que o exército de reserva atua como mecanismo permanente de pressão sobre os trabalhadores, reforçando a necessidade de vender sua força de trabalho e contribuindo para a reprodução da dominação capitalista. O capítulo examina ainda as transformações ocorridas no contexto neoliberal, caracterizadas pela flexibilização das relações de trabalho, terceirização, plataformização, uberização e difusão da figura do trabalhador como “empresário de si mesmo”. Nesse cenário, as fronteiras entre trabalhadores ativos e integrantes do exército de reserva tornam-se mais fluidas, intensificando a competição e a insegurança laboral. Conclui-se que a precarização contemporânea não representa uma ruptura com a lógica do capitalismo, mas uma nova forma histórica de manifestação do exército industrial de reserva, fundamental para compreender a constituição da classe trabalhadora e os mecanismos atuais de exploração do trabalho.Publicação Crise, mudanças estruturais, precariado e classes sociais(Ipea, 2026-07) Cacciamali, Maria Cristina; Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Maria Cristina Cacciamali; André Rego VianaDiscute a origem, a evolução e as diferentes interpretações teóricas do conceito de precariado, relacionando-o às transformações estruturais do capitalismo ocorridas desde a crise econômica dos anos 1970. Os autores mostram que o enfraquecimento do modelo fordista, a expansão das políticas neoliberais, a globalização, a financeirização da economia e a reestruturação produtiva provocaram mudanças profundas no mercado de trabalho, com aumento da flexibilização, da informalidade, da terceirização e da insegurança ocupacional. O texto analisa as contribuições de autores como Robert Castel, Guy Standing, Ruy Braga e Giovanni Alves, destacando suas convergências e divergências acerca da natureza do precariado. Enquanto Standing o define como uma nova classe social caracterizada pela instabilidade ocupacional, insegurança econômica e perda de direitos, Braga e Alves o interpretam como uma fração ou camada precarizada do proletariado. O capítulo também examina os impactos dessas transformações sobre a estrutura de classes, a cidadania social, a representação política e as condições de vida dos trabalhadores, indicando como os processos de precarização afetam especialmente jovens escolarizados, trabalhadores informais e ocupações flexíveis. Conclui-se que a compreensão do precariado exige considerar as especificidades históricas, institucionais e ocupacionais de cada sociedade, sendo fundamental para o desenvolvimento de pesquisas, políticas públicas e estratégias de proteção social voltadas ao mundo do trabalho contemporâneoPublicação O Trabalhador como átomo do capital na sociedade neoliberal(Ipea, 2026-07) Bendazzoli, Milena; Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Milena Bendazzoli; André Rego VianaEstuda as transformações contemporâneas do capitalismo e seus efeitos sobre o trabalho, as classes sociais e a política, tomando como referência central a obra de Francisco de Oliveira. Os autores argumentam que a reestruturação produtiva, a terceirização, a plataformização e a expansão de formas precárias de trabalho provocaram a atomização dos trabalhadores, enfraquecendo os vínculos coletivos que sustentavam a identidade de classe e a ação política organizada. O trabalho assalariado tradicional cede espaço a relações contratuais flexíveis, frequentemente mascaradas sob a figura do empreendedor individual, do trabalhador autônomo ou da pessoa jurídica, ocultando novas formas de exploração e transferência de mais-valia. O texto sustenta que as plataformas digitais representam uma radicalização da lógica das empresas-rede, por meio da qual trabalhadores e pequenos empreendedores tornam-se subordinados ao grande capital sem vínculos empregatícios formais. Essa transformação contribui para a dissolução das formas tradicionais de representação política, produzindo uma situação de “indeterminação”, caracterizada pela dificuldade de reconhecimento coletivo dos interesses de classe. Os autores concluem que a fragmentação da experiência do trabalho reduz a capacidade de ação política dos trabalhadores, favorece a difusão da subjetividade neoliberal e cria condições para o avanço de formas autoritárias e conservadoras de organização social e política.Publicação Servitização, (sub) desenvolvimento e dependência : breve análise sobre o processo de servitização da indústria extrativa e manufatureira brasileira (2007-2022)(Ipea, 2026-07) Brito, Elohá Cabreira; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Elohá Cabreira BritoAnalisa o processo de servitização da indústria brasileira entre 2007 e 2022, investigando como a crescente integração entre indústria e serviços afeta o desenvolvimento econômico, o emprego e a sustentabilidade ambiental. A autora argumenta que, embora a servitização seja frequentemente associada à inovação, ao aumento da produtividade e à agregação de valor nas economias centrais, sua manifestação nas economias periféricas, como a brasileira, ocorre sob condicionantes estruturais ligados ao subdesenvolvimento e à dependência. Utilizando dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa), o estudo mostra que a servitização observada no Brasil ocorreu predominantemente pela ampliação da contratação de serviços por empresas industriais (“servitização de insumos”), e não pela expansão da oferta de serviços próprios e sofisticados que agregariam valor aos produtos industriais (“servitização de produtos”). A indústria extrativa apresentou aumento da dependência de serviços terceirizados, enquanto a indústria de transformação registrou trajetória de desservitização em vários indicadores. O capítulo conclui que o processo brasileiro não reproduz o padrão das economias centrais, permanecendo condicionado pela especialização produtiva em atividades de menor valor agregado, pela dependência tecnológica e pela inserção subordinada nas cadeias globais de valor. Defende ainda a necessidade de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, à sustentabilidade ambiental, à geração de empregos qualificados e à superação das desigualdades estruturais.Publicação Reflexos da ampliação da participação do setor de serviços na estrutura ocupacional sobre a evolução da estrutura de classes sociais no Brasil e regiões (2012-2023)(Ipea, 2026-07) Brito, Elohá Cabreira; Viana, André Rego; Araújo, Luiz Rubens de Câmara; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Elohá Cabreira Brito; André Rego Viana; Luiz Rubens de Câmara AraújoAvalia os reflexos da ampliação da participação do setor de serviços na estrutura ocupacional sobre a evolução da estrutura de classes sociais no Brasil e nas regiões entre 2012 e 2023, com base nos microdados da PNAD Contínua. Os autores examinam as relações entre mudança estrutural, desindustrialização, expansão do setor de serviços, fortalecimento do neoliberalismo, reforma trabalhista de 2017 e difusão das plataformas digitais, destacando seus impactos sobre o mercado de trabalho e a composição das classes sociais. Os resultados indicam crescimento relativo das categorias associadas ao trabalho autônomo, especialmente do autoemprego precário, redução da participação de diversas categorias assalariadas e persistência de desigualdades regionais, evidenciando um processo de precarização do trabalho e os limites da expansão dos serviços, desacompanhada de reindustrialização, para promover mobilidade social e desenvolvimento econômico.Publicação O Trabalho plataformizado : uma revisão de literatura sobre os motoristas de aplicativo(Ipea, 2026-07) Gonçalves, Ana Paula Vasconcelos; Campos, Mardem Barbosa de; Ferreira Neto, Antonio Olegario; Campos, Mariana Mendes; Carreira, Ana Clara; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Ana Paula Vasconcelos Gonçalves; Mardem Barbosa de Campos; Antonio Olegario Ferreira Neto; Mariana Mendes Campos; Ana Clara CarreiraExamina o trabalho plataformizado a partir de uma revisão da literatura nacional e internacional sobre motoristas de aplicativo, analisando as transformações promovidas pela Revolução Digital e pelo capitalismo de plataforma nas relações de trabalho. O estudo demonstra que essa modalidade laboral se caracteriza pelo gerenciamento algorítmico, pela aparente autonomia dos trabalhadores e pela transferência de riscos e custos operacionais para os próprios motoristas. A literatura revisada evidencia que a flexibilidade prometida pelas plataformas convive com elevado grau de controle, monitoramento e dependência em relação aos algoritmos, configurando o chamado “paradoxo da autonomia”. No caso brasileiro, os trabalhos analisados destacam principalmente a precarização das condições de trabalho, a informalidade, os impactos sobre a saúde física e mental, a insegurança econômica e as dificuldades de proteção social. Os dados da PNAD Contínua indicam que os trabalhadores permanecem altamente dependentes das plataformas para obtenção de clientes, definição dos rendimentos e organização das jornadas de trabalho. O capítulo conclui que o trabalho plataformizado representa uma nova configuração das relações laborais, marcada pela intensificação do controle digital, pela fragilização dos vínculos de trabalho e por desafios regulatórios, sociais e organizacionais que demandam maior atenção das políticas públicas e da pesquisa acadêmica.Publicação Perfil do autoemprego no Brasil : uma análise das condições de habitação, de trabalho e das características pessoais por grupos de renda (2016-2022)(Ipea, 2026-07) Brito, Elohá Cabreira; Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Elohá Cabreira Brito; André Rego VianaExamina o perfil do autoemprego no Brasil entre 2016 e 2022, investigando as condições de trabalho, renda, habitação e características sociodemográficas dos chefes de família distribuídos em diferentes categorias de autoemprego e grupos de renda. Os autores demonstram que a expansão do autoemprego ocorreu em um contexto de retração do emprego formal, avanço da economia de plataformas, fortalecimento de vínculos precários e crescimento da informalidade, fenômenos associados às transformações tecnológicas e institucionais recentes. Os resultados evidenciam forte heterogeneidade entre os autoempregados, com profundas desigualdades de renda, escolaridade e bem-estar, além da maior vulnerabilidade de mulheres, negros e trabalhadores de menor renda. Embora tenha havido redução moderada da desigualdade e da pobreza, influenciada por programas de transferência de renda, persistem a precarização laboral, a baixa remuneração e a fragilidade da proteção social. O estudo conclui que o autoemprego, em grande medida, constitui uma alternativa à insuficiência de empregos formais, sendo necessária a implementação de estratégias de desenvolvimento produtivo, fortalecimento dos direitos trabalhistas e ampliação das políticas públicas para geração de trabalho decente e redução das desigualdades sociais.Publicação Instabilidade política, mudanças estruturais e estagnação econômica (1891-2022) : o fracasso do progresso(Ipea, 2026-07) Cacciamali, Maria Cristina; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Maria Cristina CacciamaliAnalisa, em perspectiva histórica de longa duração, as relações entre instabilidade política, mudanças estruturais e desempenho econômico no Brasil entre 1891 e 2022, destacando os impactos dessas transformações sobre a estrutura produtiva, ocupacional e social. A autora examina três grandes períodos da economia brasileira — a industrialização inicial, o processo de substituição de importações e a fase de estagnação iniciada nos anos 1980 — enfatizando o papel do setor de serviços, a desindustrialização, a financeirização, a expansão da informalidade e a precarização do trabalho. O estudo argumenta que a perda de dinamismo econômico, associada à adoção de políticas neoliberais, à crescente desigualdade e à redução das classes médias, contribuiu para mudanças profundas na organização social e política do país, afetando a democracia, a representação política e as perspectivas de desenvolvimento nacional.Publicação Introdução : Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI(Ipea, 2026-07) Viana, André Rego; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; André Rego VianaApresenta os fundamentos teóricos e analíticos da obra, situando o debate sobre desenvolvimento econômico brasileiro a partir da tradição estruturalista e da problemática do subdesenvolvimento. O texto enfatiza a crescente centralidade do setor de serviços na economia nacional, destacando sua heterogeneidade, a expansão do trabalho autônomo, da terceirização, da pejotização e da plataformização, bem como os efeitos dessas transformações sobre a estrutura de classes, a proteção social e a democracia. Além disso, descreve a organização dos capítulos do livro e sustenta que as mudanças recentes no mercado de trabalho e na dinâmica produtiva brasileira têm aprofundado a precarização laboral, a concentração de renda e os desafios para a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico e à inclusão social.Publicação Apresentação : Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI(Ipea, 2026-07) Luciana Mendes Santos Servo; Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia - DIEST; Luciana Mendes Santos ServoIntroduz a obra Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI, destacando a centralidade do setor de serviços na estrutura ocupacional brasileira diante da mecanização da agricultura, da redução relativa da indústria e das transformações produtivas contemporâneas. O texto enfatiza a heterogeneidade desse setor e discute fenômenos como servitificação, plataformização, precarização das relações de trabalho e atomização produtiva, ressaltando seus impactos sobre as classes sociais e a dinâmica econômica do país. Além disso, apresenta o livro como resultado de pesquisa desenvolvida no Ipea, voltada à compreensão das mudanças sociais, econômicas e políticas recentes e à formulação de subsídios para políticas públicas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico inclusivo.Publicação Metodologia para estimação da matriz insumo-produto inter-regional do Brasil(Ipea, 2026-07) João Maria de Oliveira; Vasconcelos, Lucas Ferraz; Passoni, Patieene Alves; Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas - DIMAC; João Maria de Oliveira; Lucas Ferraz Vasconcelos; Patieene Alves PassoniNota Técnica Dimac 27A nota técnica apresenta a metodologia desenvolvida pelo Ipea para estimar a Matriz Insumo-Produto Inter-regional (MIP-ir) do Brasil referente ao ano de 2018. O estudo propõe uma abordagem inovadora ao utilizar, de forma sistemática, os microdados da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) como principal fonte para regionalizar os fluxos de bens entre as unidades da Federação, preservando a consistência com as Contas Nacionais do IBGE. A metodologia integra informações das Tabelas de Recursos e Usos, das Contas Regionais, da Pesquisa de Orçamentos Familiares e de outras bases estatísticas e administrativas, empregando técnicas de ponderação, balanceamento matricial e modelagem dos fluxos inter-regionais. O resultado é uma matriz compatível com a estrutura produtiva nacional, capaz de representar as relações econômicas entre os estados e subsidiar estudos sobre encadeamentos produtivos, multiplicadores econômicos, comércio interestadual, desenvolvimento regional e avaliação de políticas públicas.Livro Mudança social e dinâmica econômica no setor de serviços no Brasil no século XXI(Ipea, 2026-07) Viana, André Rego; André Rego VianaO texto introduz uma reflexão crítica sobre o desenvolvimento brasileiro, questionando a visão idealizada que associa progresso à convergência com os países centrais do capitalismo. Com base em autores clássicos do pensamento desenvolvimentista latino-americano, a obra analisa o papel do setor de serviços na dinâmica econômica e social do Brasil, destacando sua crescente heterogeneidade e sua limitada capacidade de impulsionar o crescimento econômico. Reconstrói historicamente a importância dos serviços desde o período colonial, sua articulação com a industrialização e a formação da classe média urbana, e examina as transformações ocorridas após a desaceleração econômica e a desindustrialização do país. O livro enfatiza a expansão de formas precárias de trabalho, como a informalidade, o trabalho autônomo, a pejotização e a terceirização, bem como a persistência de elevada concentração de renda e vulnerabilidade social entre os trabalhadores do setor. Por fim, aponta os desafios para a formulação de políticas públicas diante das mudanças no mercado de trabalho e apresenta uma análise histórica, empírica e ensaística das transformações recentes da sociedade brasileira e do capitalismo contemporâneo.Publicação Regulação flexível : limites e possibilidades para a governança das finanças verdes(Ipea, 2026) Schapiro, Mario G.; Mario G. SchapiroO capítulo realiza uma revisão teórica sobre o conceito de regulação flexível — que engloba abordagens como a regulação responsiva, regulação inteligente (smart regulation) e a governança experimentalista — analisando sua aplicabilidade no contexto das economias em desenvolvimento (Sul global) e frente aos desafios da transição ecológica. Graficamente ilustrada pela pirâmide regulatória de Ayres e Braithwaite, a regulação flexível propõe a substituição do modelo rígido de "comando e controle" por um ecossistema descentralizado de respostas graduais, combinando negociações restaurativas na base com sanções críveis e severas no topo. Para avaliar os limites e possibilidades desse modelo, o autor apresenta um estudo de caso focado na governança das finanças verdes bancárias no Brasil. Os resultados demonstram que a regulação flexível é altamente eficaz e de baixo custo para fins de governança prudencial, logrando êxito em fazer com que o sistema bancário brasileiro reduza sua exposição a passivos ambientais e riscos climáticos por meio da autorregulação e de diretrizes flexíveis. Por outro lado, o modelo revela limitações estruturais quando o objetivo exige uma transformação sistêmica ou ações coletivas coordenadas ; a regulação flexível mostrou-se capaz de mitigar riscos ecológicos individuais, mas falha em alavancar ou expandir de forma expressiva e coordenada os novos investimentos necessários para financiar de fato a transição ecológica, papel este que ainda demanda uma forte coordenação pública e planejamento estratégico liderado pelo Estado.Publicação Ambiente de negócios e empreendedorismo : estimativas de redução de tempo de abertura sobre a abertura de firmas(Ipea, 2026) Ribeiro, Eduardo Pontual; Eduardo Pontual RibeiroO capítulo analisa os efeitos da redução do tempo de abertura de empresas sobre o empreendedorismo no Brasil, com base em dados da Redesim e do Mapa de Empresas entre 2019 e 2024. O estudo demonstra que houve expressiva redução do tempo médio necessário para abertura de empresas, impulsionada pela digitalização dos processos e pela implementação da Lei da Liberdade Econômica (LLE). Apesar dos avanços regulatórios, os resultados indicam que a diminuição do tempo de registro e a dispensa de alvarás para atividades de baixo risco produziram efeitos modestos sobre o aumento do número de empresas abertas, sendo observados impactos mais significativos apenas para empresas de pequeno porte. O capítulo conclui que melhorias no ambiente regulatório são importantes, mas, isoladamente, possuem capacidade limitada de estimular o empreendedorismo.Publicação Produtividade e má alocação de recursos no Brasil : evidências e suspeitos(Ipea, 2026) Barbosa Filho, Fernando Holanda; Fernando Holanda Barbosa FilhoO capítulo analisa a relação entre produtividade e má alocação de recursos (misallocation) na economia brasileira, destacando como distorções institucionais e de mercado reduzem a eficiência produtiva e o crescimento econômico. Inicialmente, apresenta evidências de elevada dispersão de produtividade entre empresas, indicando que recursos produtivos não são direcionados para os agentes mais eficientes. Em seguida, examina os principais fatores associados à má alocação, incluindo dificuldades de difusão tecnológica, deficiências institucionais, falhas no mercado de crédito e intervenções governamentais que alteram incentivos econômicos. O estudo identifica a informalidade, as restrições de crédito, a complexidade do sistema tributário, os regimes especiais de tributação e as deficiências de infraestrutura como importantes obstáculos à produtividade no Brasil. Também discute os efeitos de programas de crédito público e de incentivos tributários, ressaltando que políticas mal desenhadas podem favorecer empresas menos produtivas e perpetuar ineficiências. Conclui que a elevação sustentada da produtividade brasileira depende da melhoria do ambiente institucional, do aperfeiçoamento do sistema tributário e financeiro, da redução da informalidade e da criação de incentivos que promovam a alocação eficiente de capital, trabalho e tecnologia.Publicação Produtividade e ambiente de negócios : um panorama da economia brasileira(Ipea, 2026) Fernanda De Negri; Cavalcante, Luiz Ricardo; Fernanda De Negri; Luiz Ricardo CavalcanteO capítulo apresenta um panorama da evolução da produtividade e do ambiente de negócios no Brasil, destacando sua relevância para o crescimento econômico sustentável e para a competitividade das empresas. Inicialmente, discute os principais conceitos e indicadores de produtividade, com ênfase na produtividade do trabalho e na produtividade total dos fatores (PTF), além das principais bases de dados utilizadas em comparações internacionais. A análise mostra que a produtividade brasileira apresenta desempenho insatisfatório desde a década de 1980, com crescimento reduzido e perda de posição relativa em relação a diversos países desenvolvidos e emergentes. O estudo evidencia que fatores como baixa acumulação de capital, insuficiente inovação tecnológica, deficiências na alocação de recursos e limitações institucionais contribuem para esse quadro. Em seguida, examina o conceito de ambiente de negócios, abordando indicadores como o Doing Business e o Business Ready, e demonstra que o Brasil ainda enfrenta obstáculos regulatórios, burocráticos e jurídicos que dificultam investimentos e reduzem a eficiência econômica. Conclui que o aumento sustentado da produtividade e a melhoria do ambiente de negócios dependem de reformas institucionais, aperfeiçoamento regulatório, fortalecimento da segurança jurídica e políticas voltadas à inovação, ao investimento e à melhor alocação dos recursos produtivos.Publicação Anatomia do ciclo econômico, Brasil e EUA : rigidez de preços ou animal spirits ?(Ipea, 2026-06-24) Vinícius dos Santos Cerqueira; Thiago Sevilhano Martinez; Orrillo, Miguel; Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas - DIMAC; Vinicius dos Santos Cerqueira; Thiago Sevilhano Martinez; Miguel OrrilloTD 3214Aplicamos a metodologia econométrica de anatomia do ciclo econômico de Angeletos, Collard e Dellas (2020) para o Brasil, abrangendo de 1999 a 2025, e para os EUA em um período mais longo, de 1955 a 2025. Nosso principal resultado e que, assim como nos EUA, existe no Brasil um choque principal que governa a dinâmica do ciclo econômico. Este choque gera comovimentos similares entre as series de atividade econômica e é pouco relacionado com a inflação. No caso do Brasil, os movimentos associados a esse choque também se assemelham as oscilações de preços de commodities. As evidências encontradas na amostra estendida para os EUA favorecem teorias de ciclos econômicos em que a existência de efeitos reais de choques de demanda não depende de rigidez de preços, e sim de mecanismos baseados em conceitos keynesianos como confiança e animal spirits. No entanto, o papel dos preços de commodites na dinâmica do ciclo econômico brasileiro ainda requer esclarecimentos adicionais.
