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O Congresso do Panamá, dois séculos de história : defesa e trajetória da integração regional

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The Congress of Panama, two centuries of history : defense and trajectory of regional integration, El Congreso de Panamá, dos siglos de historia : defensa y trayectoria de la integración regional

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Abstract

Este artigo analisa a defesa como dimensão estruturante da integração regional desde o Congresso do Panamá (1826) até a criação e o esvaziamento do Conselho de Defesa Sul-Americano (2008-2017). Argumenta-se que a coordenação defensiva não ocupou lugar periférico nos projetos integracionistas, mas constituiu mecanismo central por meio do qual a região buscou converter soberania formal em capacidade política efetiva. Com base no institucionalismo histórico e no conceito de dependência da trajetória, sustenta-se que o Panamá configurou uma conjuntura crítica que instituiu a defesa coletiva como repertório recorrente de ação regional em contextos de vulnerabilidade externa. Essa lógica foi reatualizada no século XXI com o Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), concebido como instância de consulta, confiança mútua e socialização estratégica. O argumento central é que o desmantelamento dessa arquitetura produziu um custo estratégico expresso na perda de capacidade de coordenação, no aumento da incerteza interestatal, na redução da autonomia decisória coletiva e no enfraquecimento da dissuasão política institucional. A controvérsia do Essequibo é examinada como evidência empírica das limitações impostas pelo vácuo institucional regional. Conclui-se que, em contexto de competição estratégica intensificada, a autonomia sul-americana depende da reconstrução de mecanismos permanentes de coordenação em matéria de defesa.

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This article analyzes defense as a structuring dimension of regional integration from the Congress of Panama (1826) to the creation and dismantling of the South American Defense Council (2008-2017). It argues that defense coordination was not a peripheral component of integration projects, but a central mechanism through which the region sought to transform formal sovereignty into effective political capacity. Drawing on historical institutionalism and path dependence, the article contends that Panama constituted a critical juncture that established collective defense as a recurring repertoire of regional action under conditions of external vulnerability. This logic was reactivated in the twenty-first century through the South American Defense Council, conceived as a forum for consultation, mutual confidence, and strategic socialization. The central claim is that the dismantling of this architecture generated a strategic cost expressed in the loss of coordination capacity, rising interstate uncertainty, reduced collective decision-making autonomy, and the weakening of institutional political deterrence. The Essequibo dispute is examined as empirical evidence of the limitations produced by the regional institutional vacuum. The article concludes that, in a context of intensifying strategic competition, South American autonomy depends on rebuilding permanent mechanisms of defense coordination.
Este artículo analiza la defensa como dimensión estructurante de la integración regional desde el Congreso de Panamá (1826) hasta la creación y el vaciamiento del Consejo de Defensa Suramericano (2008–2017). Se sostiene que la coordinación defensiva no ocupó un lugar periférico en los proyectos integracionistas, sino que constituyó un mecanismo central mediante el cual la región buscó transformar soberanía formal en capacidad política efectiva. Con base en el institucionalismo histórico y en la dependencia de la trayectoria, se argumenta que Panamá configuró una coyuntura crítica que instituyó la defensa colectiva como repertorio recurrente de acción regional en contextos de vulnerabilidad externa. Esta lógica fue reactivada en el siglo XXI con el CDS, concebido como instancia de consulta, confianza mutua y socialización estratégica. El argumento central es que el desmantelamiento de esta arquitectura produjo un costo estratégico expresado en la pérdida de capacidad de coordinación, el aumento de la incertidumbre interestatal, la reducción de la autonomía decisoria colectiva y el debilitamiento de la disuasión política institucional. La controversia del Esequibo se examina como evidencia empírica de las limitaciones impuestas por el vacío institucional regional. Se concluye que, en un contexto de competencia estratégica intensificada, la autonomía sudamericana depende de la reconstrucción de mecanismos permanentes de coordinación en materia de defensa.

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South American integration, Regional defense, Congress of Panama, South American Defense Council, Regional autonomy, Integración sudamericana, Defensa regional, Congreso de Panamá, Consejo de Defensa Sudamericano, Autonomía regional
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F50 General
F52 National Security - Economic Nationalism
N46 Latin America - Caribbean

Citation

FRIZZERA, Guilherme. O Congresso do Panamá, dois séculos de história: defesa e trajetória da integração regional. Revista Tempo do Mundo. Brasília, n. 40, p. 237‑262, abr. 2026. Disponível em: http://dx.doi.org/10.38116/rtm40art8

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