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Em busca do padrão-ouro? O percurso histórico do uso de experimentos na avaliação de políticas sociais

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Abstract

Neste capítulo, baseamo-nos na análise de conteúdo de 123 RCTs e em fontes secundárias sobre avaliações experimentais de políticas sociais – detalhes sobre os dados e a estratégia empírica podem ser encontrados em de Souza Leão e Eyal (2019) – para demonstrar que a recente adoção generalizada de RCTs não se deve a seus méritos técnicos inerentes ou exclusivamente a estratégias retóricas e organizacionais de seus propositores. A adoção generalizada de RCTs reflete a capacidade dos randomistas de superar a resistência política à randomização de politicas sociais que prejudicou a primeira onda. Além desta introdução, este capítulo está dividido em mais quatro seções. A seção 2 apresenta os referenciais teóricos adotados. A seção 3 parte para a análise histórica comparativa das duas ondas em que os RCTs foram usados para avaliar projetos de desenvolvimento internacional. A seção 4 explica os processos políticos e históricos que permitiram que esse tipo de avaliação experimental fosse bem-sucedida nos anos 2000, ao contrário do ocorrido nos anos 1960 e 1970. Embora o foco deste capítulo seja o uso de RCTs nos campos da ajuda ao desenvolvimento internacional e das ciências econômicas, o arcabouço teórico adotado aqui é útil para revelar mecanismos mais amplos que visam unir as ciências sociais e a política pública. Na conclusão, seção 5, demonstramos como essa estrutura conceitual oferece insights para entender a política contemporânea de hierarquia de evidências no Brasil.

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Políticas públicas e usos de evidências no Brasil : conceitos, métodos, contextos e práticas
(Ipea, 2022) Koga, Natália Massaco ; Palotti, Pedro Lucas de Moura ; Mello, Janine ; Pinheiro, Maurício Mota Saboya ; Koga, Natália Massaco; Maurício Mota Saboya Pinheiro; Natália Massaco Koga; Pedro Lucas de Moura Palotti; Janine Mello; Maurício Mota Saboya Pinheiro
O uso de evidências como subsídio à atuação governamental não é tema novo no debate sobre a produção e legitimação da ação do Estado. Nas últimas décadas, no entanto, o movimento das políticas públicas baseadas em evidências (PPBEs) tem intensificado a defesa de que mais e melhores evidências sejam produzidas como instrumentos capazes de orientar a produção de políticas públicas.Esta publicação almejou ilustrar essa multiplicidade de recursos para produção de inferências com contribuições que mobilizam tanto estudos qualitativos como quantitativos ou mistos, além de experimentais. Ao longo da publicação, cada capítulo adota métodos distintos, como é de se esperar a partir dos variados objetos de análise.

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