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Gênero ou feminismo ? As Nações Unidas e as políticas de gênero nas operações de paz

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Resumo

Analisa criticamente como as políticas de gênero da Organização das Nações Unidas são incorporadas às operações de paz, com foco no caso da Missão de Estabilização da RDC (MONUC/MONUSCO). A autora demonstra que, embora o pós‑Guerra Fria tenha ampliado o debate sobre a violência contra o gênero, a ONU aplica uma abordagem predominantemente feminista, centrada quase exclusivamente na vitimização de mulheres e meninas, ignorando padrões sistemáticos de violência sexual, massacres seletivos e recrutamento forçado que também atingem homens e meninos durante os conflitos na República Democrática do Congo. O texto evidencia que esse viés reforça essencialismos de gênero ao representar mulheres como vítimas e homens como perpetradores, silenciando a vulnerabilidade masculina e comprometendo a universalidade do gender mainstreaming. A autora conclui que a construção de políticas eficazes demanda reconhecer como as mesmas estruturas de gênero que oprimem mulheres também afetam homens, exigindo respostas integradas, sensíveis e não excludentes no âmbito das missões de paz.

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CAMPOS, Paula Drumond Rangel. Gênero ou feminismo? As Nações Unidas e as políticas de gênero nas operações de paz. In: KENKEL, Kai Michael; MORAES, Rodrigo Fracalossi de (org.). O Brasil e as operações de paz em um mundo globalizado: entre a tradição e a inovação. Brasília, DF: Ipea, 2012. p. 69‑92. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/20075

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O Brasil e as operações de paz em um mundo globalizado : entre a tradição e a inovação
(Ipea, 2012) Braga, Carlos Chagas Vianna; Souza Neto, Danilo Marcondes de; Hamann, Eduarda Passarelli; Nasser, Filipe; Colares, Luciano da Silva; Stuenkel, Oliver; Campos, Paula Drumond Rangel; Pauk, Robert; Dorn, A. Walter; Kenkel, Kai Michael; Kai Michael Kendel; Rodrigo Fracalossi de Moraes
O presente livro é publicado no âmbito do projeto O papel da defesa na inserção internacional brasileira, conduzido pelo Ipea. Discute o papel das operações de paz no avanço do trabalho do Brasil em alcançar seu devido lugar nas mesas de poder no mundo. Seu objetivo é reunir pesquisas ao longo de dois eixos: i) aspectos conceituais e empíricos das operações de paz, permitindo assim orientar o pensamento sobre o papel do Brasil nestas missões e o delas no projeto nacional brasileiro; e ii) perspectivas domésticas e experiências internacionais para apontar como se tirar plena vantagem da contribuição destas operações a imagem do Brasil no mundo. Os 11 capítulos que apresentam o conteúdo estão agrupados em três partes. A primeira parte coloca as pedras angulares analíticas do volume, debruçando-se sobre os principais enfoques e questões da prática atual das operações de paz. A segunda parte analisa as experiências de três países (Canadá, Alemanha e Índia) com extensa experiência no desdobramento de “capacetes azuis”, enfatizando particularmente a aplicabilidade das lições tiradas destas experiências para o contexto brasileiro. Por sua vez, a terceira e última parte enfoca a rica experiência brasileira em operações de paz, trazendo uma série de estudos de caso sobre seu papel de complementar a política externa do país e de ampliar sua presença como ator global.

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