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Transferências e incentivos

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Abstract

Discute como diferentes modalidades de transferência de renda no Brasil influenciam desigualdade, oferta de trabalho, desemprego e decisões educacionais dos membros das famílias beneficiadas. Embora programas como aposentadorias, pensões, BPC e Bolsa Família tenham desempenhado papel decisivo na queda da desigualdade entre 2001 e 2005, os autores mostram que seus efeitos sobre incentivos individuais não são neutros. Evidências empíricas indicam que benefícios previdenciários e o BPC elevam o salário de reserva dos trabalhadores adultos, o que tende a reduzir a taxa de participação e aumentar o desemprego, especialmente entre indivíduos com baixa escolaridade. Esses programas também afetam o comportamento de jovens: quando convivem com beneficiários diretos, tendem a apresentar maior probabilidade de apenas estudar, mas também maior risco de não estudar nem trabalhar, dependendo da composição familiar e das preferências individuais por lazer. Entre 2001 e 2005, houve expansão relevante desses programas, com cobertura maior e benefícios mais altos, reforçando tanto seus efeitos distributivos quanto seus impactos comportamentais. O capítulo conclui que políticas não condicionadas podem reduzir participação e afetar decisões de investimento em capital humano, enquanto programas condicionados — como o Bolsa Família — geram incentivos mais alinhados ao desenvolvimento futuro, promovendo escolarização e reduzindo desigualdade de longo prazo.

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Citation

CAMARGO, José Márcio; REIS, Maurício Cortez. Transferências e incentivos. In: BARROS, Ricardo Paes de; FOGUEL, Miguel Nathan; ULYSSEA, Gabriel (org.). Desigualdade de renda no Brasil: uma análise da queda recente. Brasília: Ipea, 2007. v. 2. p. 251-260. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/20048

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Desigualdade de renda no Brasil : uma análise da queda recente : volume 2
(Ipea, 2007) Barros, Ricardo Paes de; Foguel, Miguel Nathan; Ulyssea, Gabriel; Ricardo Paes de Barros; Miguel Nathan Foguel; Gabriel Ulyssea
Reúne estudos voltados para estimar a magnitude da queda recente na desigualdade e suas consequências sobre as condições de vida da população mais pobre; e aqueles cujo objetivo é identificar os principais fatores determinantes por trás desse movimento. Analisa, em detalhes, as transformações por que passaram os diversos tipos de transferências governamentais, principalmente as pensões e as aposentadorias, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Programa Bolsa Família (PBF). Trata dos fatores responsáveis pelas transformações na distribuição dos rendimentos do trabalho. Avalia o papel da educação e da experiência potencial dos trabalhadores no mercado de trabalho para a redução da desigualdade de renda. Trata do mercado de trabalho como gerador de desigualdade. A análise é centrada nos papéis desempenhados pela discriminação de gênero e de cor, bem como por três tipos de segmentação: setorial, formal-informal e espacial. Aborda os efeitos do salário mínimo sobre a desigualdade de renda por meio das remunerações pagas no mercado de trabalho, assim como das transferências governamentais a ele vinculadas, visando contribuir para o aprimoramento das políticas públicas e, dessa forma, acelerar o processo de redução da extrema desigualdade de renda que ainda prevalece no País.

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