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Incentivos fiscais e equidade no financiamento da saúde em Portugal

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Abstract

Neste trabalho procurar-se-á mostrar que, se existe uma característica comum às diferentes propostas de reforma dos sistemas de saúde na Europa, essa é, sem dúvida, a maior importância que é dada aos agentes privados na provisão de cuidados de saúde, o que compreende o financiamento, a gestão e a prestação de serviços. Justificado como uma via para a melhoria da eficiência e tornado urgente por razões de ordem orçamental, o aumento dos encargos suportados pelos consumidores de cuidados de saúde originou problemas graves de acesso e de aceitação social da política de saúde. Uma das principais medidas que foram tomadas para diminuir estas consequências foi a admissão da possibilidade de dedução no imposto pessoal sobre o rendimento (IRS) da totalidade da parte não reembolsada dos dispêndios privados em saúde. Polêmica do ponto de vista da eficiência esta opção parece totalmente contrária ao objectivo da equidade, que deve ser um dos principais fins, quer da política fiscal, quer da política de saúde. Neste trabalho procurar-se-á mostrar que as deduções fiscais apresentam um perfil regressivo. Assim, em última análise, estes incentivos ampliam o efeito penalizador do aumento dos preços dos cuidados de saúde para os grupos socioeconômicos mais carenciados.

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Economia da saúde : conceitos e contribuição para a gestão da saúde
(Ipea, 2002) Piola, Sérgio Francisco ; Vianna, Solon Magalhães ; Sérgio Francisco Piola; Solon Magalhães Vianna
Aborda questões básicas da economia da saúde. O primeiro capítulo trata dos aspectos conceituais, dos fundamentos e das relações, às vezes conflituosas entre economia e saúde. A temática macroeconômica é objeto do segundo, terceiro e quarto capítulos. O segundo apresenta os diferentes modelos e as formas de financiamento, discute o relacionamento entre gastos setoriais e níveis de saúde, bem como os principais incentivos que afetam o comportamento dos agentes econômicos (profissionais de saúde e usuários). Trata ainda das tendências atuais do financiamento e da gestão dos serviços de saúde. A questão do normativismo e dos incentivos é abordada no terceiro capítulo, em são relatadas três experiências relativamente recentes: as Health Maintenance Organizations (HMOs) nos Estados Unidos, a reforma do National Health Service inglês e o chamado Plano Dekker nos Países Baixos. O quarto capítulo discute os aspectos conceituais da demanda global e da demanda em saúde, seus determinantes e o conflito, ou as diferenças entre demanda (procura do serviço) e "necessidade". Os quatro capítulos seguintes têm a equidade como tema comum. O capítulo5 examina os diferentes conceitos de equidade e as características de alguns dos seus indicadores mais frequentes no campo da saúde (perfis demográfico, epidemiológico e socioeconômico da população). O capítulos 6, 7 e 8 abordam, sob diferentes aspectos, a mesma questão no contexto português. O primeiro, mediante um estudo empírico sobre a prestação de serviços de acordo com as necessidades. O segundo, pela análise das duas formas de redistribuição de recursos no sistema público de saúde: uma, baseada na equidade (distribuição de recursos para rede de centros de saúde), e outra, na eficiência (hospitais). Os aspectos microeconômicos da saúde ocupam os três últimos capítulos do livro. O capítulo 9 discute os alcances e limitações dos instrumentos de avaliação econômica (custo-benefício, custo-efetividade e custo-utilidade). O capítulo 10 se ocupa da concepção econômica dos custos e introduz o leitor em outros conceitos básicos tais como custo-oportunidade (ou custo social), custo médio marginal e as diferenças entre custo econômico e custo contábil. E por fim, o capítulo 11 traz a discussão teórica e conceitual precedente, com um estudo de caso: avaliação dos custos da terapêutica anti-inflamatória no tratamento da patologia reumática. Acompanha os capítulos um apêndice com glossário traduzindo o jargão de uso mais frequente entre os economistas da saúde.

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