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Normativismo e incentivos : contributo da economia para a administração da saúde

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Neste capítulo veremos que no continente europeu, fala-se muito em incentivos na administração dos sistemas prestadores de cuidados de saúde. A Europa continua a ser um dos continentes de mais elevados níveis de saúde e qualidade de vida. A esperança de vida é a mais longa, mercê da regressão acentuada das mortalidades nos primeiros meses. Algumas doenças da civilização estão mesmo em regressão, como os acidentes de automóvel, a doença isquêmica e as formas de cancro (câncer) ligadas a hábitos alimentares e tabágicos. Os novos flagelos como a SIDA (AIDS) e as drogas, embora crescentes, não atingem o nível preocupante circunscritos. Tudo isto se conseguiu em sistemas que garantem acesso praticamente universal, independentemente da capacidade de pagar dos indivíduos e sem que o crescimento dos encargos tenham desregulado a economia ou prejudicado o seu crescimento geral. Ainda neste capítulo, pretendemos analisar os incentivos utilizados na administração dos serviços de saúde segundo a perspectiva e os instrumentos da análise econômica. Assim, começaremos por observar a relação da organização dos cuidados de saúde com o mercado. Situaremos a discussão teórica entre os "welfaristas" e os "maximandistas" sobre o recurso à função-utilidade individual e agregada para explicitar o comportamento dos actores na saúde. E finalmente chamaremos atenção para o papel da análise política nos efeitos dos incentivos. Os grupos de pressão fazem parte do sistema de saúde.

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Book Chapter

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Economia da saúde : conceitos e contribuição para a gestão da saúde
(Ipea, 2002) Piola, Sérgio Francisco ; Vianna, Solon Magalhães ; Sérgio Francisco Piola; Solon Magalhães Vianna
Aborda questões básicas da economia da saúde. O primeiro capítulo trata dos aspectos conceituais, dos fundamentos e das relações, às vezes conflituosas entre economia e saúde. A temática macroeconômica é objeto do segundo, terceiro e quarto capítulos. O segundo apresenta os diferentes modelos e as formas de financiamento, discute o relacionamento entre gastos setoriais e níveis de saúde, bem como os principais incentivos que afetam o comportamento dos agentes econômicos (profissionais de saúde e usuários). Trata ainda das tendências atuais do financiamento e da gestão dos serviços de saúde. A questão do normativismo e dos incentivos é abordada no terceiro capítulo, em são relatadas três experiências relativamente recentes: as Health Maintenance Organizations (HMOs) nos Estados Unidos, a reforma do National Health Service inglês e o chamado Plano Dekker nos Países Baixos. O quarto capítulo discute os aspectos conceituais da demanda global e da demanda em saúde, seus determinantes e o conflito, ou as diferenças entre demanda (procura do serviço) e "necessidade". Os quatro capítulos seguintes têm a equidade como tema comum. O capítulo5 examina os diferentes conceitos de equidade e as características de alguns dos seus indicadores mais frequentes no campo da saúde (perfis demográfico, epidemiológico e socioeconômico da população). O capítulos 6, 7 e 8 abordam, sob diferentes aspectos, a mesma questão no contexto português. O primeiro, mediante um estudo empírico sobre a prestação de serviços de acordo com as necessidades. O segundo, pela análise das duas formas de redistribuição de recursos no sistema público de saúde: uma, baseada na equidade (distribuição de recursos para rede de centros de saúde), e outra, na eficiência (hospitais). Os aspectos microeconômicos da saúde ocupam os três últimos capítulos do livro. O capítulo 9 discute os alcances e limitações dos instrumentos de avaliação econômica (custo-benefício, custo-efetividade e custo-utilidade). O capítulo 10 se ocupa da concepção econômica dos custos e introduz o leitor em outros conceitos básicos tais como custo-oportunidade (ou custo social), custo médio marginal e as diferenças entre custo econômico e custo contábil. E por fim, o capítulo 11 traz a discussão teórica e conceitual precedente, com um estudo de caso: avaliação dos custos da terapêutica anti-inflamatória no tratamento da patologia reumática. Acompanha os capítulos um apêndice com glossário traduzindo o jargão de uso mais frequente entre os economistas da saúde.

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