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Arranjo contingente de reservas do Brics : do simbólico ao efetivo

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Brics contingent reserve arrangement : from symbolic to effective, Acuerdo contingente de reservas de los Brics : de lo simbólico a lo efectivo

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Resumo

Criado em 2014, o Arranjo Contingente de Reservas (ACR) constitui um mecanismo de defesa financeira do BRICS, concebido como um fundo virtual de US$ 100 bilhões voltado ao apoio mútuo em situações de crise cambial e de liquidez. Considerando mais de uma década desde sua instituição, este texto analisa a trajetória do ACR, destacando sua permanência no campo do simbolismo, com limitada consolidação institucional e operacional, e busca identificar caminhos para ampliar a sua efetividade. O estudo organiza-se em quatro partes. Inicialmente, contextualiza a criação do ACR no âmbito das iniciativas do BRICS voltadas à reforma do sistema monetário e financeiro internacional (SMFI), examinando os fatores políticos e econômicos que motivaram a sua concepção. Em seguida, analisa suas principais características institucionais e os obstáculos que comprometem o seu funcionamento. O terceiro tópico aborda os debates recentes sobre a construção de uma nova arquitetura financeira e monetária global, destacando o potencial desses diálogos para revitalizar o papel estratégico do ACR. Por fim, apresentam-se propostas para o seu fortalecimento, tanto as que requerem reformas estatutárias – como a ampliação do uso de moedas alternativas, a flexibilização da regra de consenso e a redução dos incentivos à não contribuição – quanto as que dependem apenas de decisões dos atuais órgãos de governança, como a criação de uma unidade de supervisão, a inclusão de novos membros e a realização de testes operacionais com sistemas de mensagem alternativos. Ao revisitar o ACR, o texto contribui à reflexão sobre os desafios e possibilidades de institucionalização de mecanismos financeiros alternativos no Sul global.

Resumo traduzido

Created in 2014, the Contingent Reserve Arrangement (CRA) constitutes a financial defense mechanism of the BRICS, conceived as a virtual fund of US$ 100 billion aimed at providing mutual support in situations of currency crisis and liquidity shortages. More than a decade after its establishment, this text analyzes the trajectory of the CRA, highlighting its persistence in the realm of symbolism, with limited institutional and operational consolidation, while seeking to identify pathways to enhance its effectiveness. The study is organized into four parts. It first contextualizes the creation of the CRA within the broader BRICS initiatives for reforming the international monetary and financial system, examining the political and economic factors that motivated its conception. It then analyzes its main institutional features and the obstacles that hinder its operation. The third section discusses recent debates on building a new global financial and monetary architecture, emphasizing the potential of these discussions to revitalize the strategic role of the CRA. Finally, it presents proposals for strengthening the arrangement, including those that require statutory reforms – such as expanding the use of alternative currencies, relaxing the consensus rule, and reducing incentives for non-contribution – and those that depend solely on decisions of the current governance bodies, such as creating a supervisory unit, admitting new members, and conducting operational tests with alternative messaging systems. By revisiting the CRA, the text contributes to reflections on the challenges and possibilities of institutionalizing alternative financial mechanisms in the global South.
Creado en 2014, el Acuerdo Contingente de Reservas (ACR) constituye un mecanismo de defensa financiera de los BRICS, concebido como un fondo virtual de 100 mil millones de dólares destinado a brindar apoyo mutuo en situaciones de crisis cambiaria y de liquidez. Más de una década después de su creación, este texto analiza la trayectoria del ACR, destacando su permanencia en el ámbito del simbolismo, con una consolidación institucional y operativa limitada, al tiempo que busca identificar caminos para ampliar su efectividad. El estudio se organiza en cuatro partes. En primer lugar, contextualiza la creación del ACR en el marco de las iniciativas de los BRICS orientadas a la reforma del sistema monetario y financiero internacional, examinando los factores políticos y económicos que motivaron su concepción. En segundo lugar, analiza sus principales características institucionales y los obstáculos que dificultan su funcionamiento. El tercer apartado aborda los debates recientes sobre la construcción de una nueva arquitectura financiera y monetaria global, destacando el potencial de estos diálogos para revitalizar el papel estratégico del ACR. Finalmente, se presentan propuestas para su fortalecimiento, tanto las que requieren reformas estatutarias – como la ampliación del uso de monedas alternativas, la flexibilización de la regla de consenso y la reducción de los incentivos a la no contribución – como las que dependen únicamente de decisiones de los actuales órganos de gobernanza, como la creación de una unidad de supervisión, la inclusión de nuevos miembros y la realización de pruebas operativas con sistemas de mensajería alternativos. Al revisar el ARC, el texto contribuye a la reflexión sobre los desafíos y posibilidades de institucionalizar mecanismos financieros alternativos en el Sur global.

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Palavras-chave traduzidas

Global south, BRICS, International monetary and financial system, Contingent Reserve Arrangement

Citação

VASCONCELOS, Jonnas Esmeraldo Marques de; SILVA, Luciana Acioly da. Arranjo contingente de reservas do Brics: do simbólico ao efetivo. Revista Tempo do Mundo. Rio de Janeiro, n. 38, p. 321-346, ago. 2025. DOI: http://dx.doi.org/10.38116/rtm38art11

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